Durante dois dias, o Teatro Alberto Maranhão (TAM) recebeu o último espetáculo da atriz Titina Medeiros antes do seu descanso eterno. O seu velório aconteceu no espaço em que atriz assistiu e protagonizou algumas peças de sua carreira.
Com o caixão sob o palco e com muitas coroas de flores em sua volta, este foi espaço para que fãs, amigos e autoridades pudessem despedir da artista.
Um dia triste para muitas pessoas, mas também de agradecimento pela contribuição ao estado. Afinal, Medeiros abriu as portas para outros atores potiguares terem espaço na televisão aberta.
Por isso, questionamos aos entes queridos: Qual a importância do legado de Titina ao estado?
Cultura e, ao mesmo tempo, carinhosa e reservada na vida privada
O viúvo da artista, o também ator César Ferrario, o legado dela são as superações “dos desafios, lutas e batalhas na missão de trabalhar com a cultura”.
O mesmo destacou que um de seus legados foi a sua produtora, a Casa de Zoé, na qual veio inúmeros espetáculos, como “Meu Seridó”, “Sinapse Darwin” e “Clenyldes & Clenônys”.
“Ao mesmo tempo que era extrovertida no trabalho, era reservada na vida pessoal. Por isso, a escolha de viver e enfrentar a doença de forma protegida. Mas, sempre esteve cercada da família e dos amigos que tanto lhe deram afeto, amor e pode receber este carinho até agora”, comentou.
Pioneirismo
O seu amigo de mais de 30 anos e quem ajudou a ingressar nas novelas da Globo, Marcílio Amorim, com voz embargada, enfatizou que a Titina abriu as portas para que outros atores do estado estivessem na tela da Rede Globo.
“Titina destravou um mercado que não era acessível para potiguares, apenas aos pernambucanos e paraibanos. Ela representou muito bem os seus personagens (nas novelas) e vai deixar esse legado”, alegou.
Observação das autoridades
Autoridades também estiveram presentes no velório de Titina Medeiros. A Secretária de Cultura do RN, Mary Land Brito, disse que a atriz foi uma “desbravadora”, no qual teve que atravessar diferentes caminhos para conquistar o seu legado.
“Uma mulher que nasce em Currais Novos, cresce em Acari e depois veio para estudar em Natal. (Assim), juntando todo esse conhecimento de vida, um pouquinho de cada lugar que ela passou, de cada pessoa que ela conheceu, trouxe a arte dela. Seja no teatro ou audiovisual. “, disse Mary Land Brito.
Brito ainda complementou que a forma da atriz desenvolver estes personagens era o resultado de deixar o sotaque potiguar na televisão brasileira
A gestora admitiu que acompanhou a saga do tratamento contra o cancro e elogiou o lado humano da atriz, alegando que “apesar da doença estivesse avançando, Titina acordava com alegria e esperança (de cura).”.
“Hoje, independente do que você acredita, o outro plano ganha um ser humano incrível que passou por essa terra e fez a diferença”, afirmou a secretária estadual de Cultura.
Por fim, a governadora Fátima Bezerra comentou que perde uma amiga e hoje é um dia de muita dor.
“Perdemos uma atriz dessa dimensão, grandeza, no auge de sua maturidade e carreira artística. Mas também é um momento, claro, de gratidão por tudo que contribuiu. Não foi apenas uma grande atriz, mas uma militante das políticas culturais e cidadã”, manifestou.
Nota do Brechando
O Brechando não tem costume em sua linha editorial cobrir velórios. Entretanto, o legado cultural da atriz e seu pioneirismo nas artes cênicas do estado não podiam deixar vazio. Era uma oportunidade de mostrar esse legado, com muito respeito e humanização.
Sem contar que da vez que a entrevistamos, a mesma tratou com muito carinho e respeito, conforme quando cobrimos a estreia de “Meu Seridó“.
Aos familiares e amigos, sentimos muito pelo ocorrido e acreditamos que o legado da atriz será eterno.

