Romildo Soares

Morto em uma calçada que não era da fama

A calçada da fama em Hollywood é o sonho de todos os atores e gente das artes que querem seu reconhecimento nos Estados Unidos. Entretanto, teve gente que morreu na calçada enquanto comia cuscuz, com esperança de dias melhores. Gosto de imaginar que ele estava na parada de ônibus esperando corujão da linha “Paraíso”, com um prato de cuscuz e ele correu para o abraço.

Mas, Romildo Soares não era apenas um morador de rua qualquer, mas cantor, compositor, músico, organizador de eventos e entre outros. Foi só a morte lhe buscar na calçada da C&A (também morta pelo capitalismo), que as pessoas se tocaram que o Beco da Lama vai perdendo seus membros raiz. Não os nutelas pós-graffiti. Nem devíamos romantizar a sua morte, fazer um obituário para dizer ser um artista foda e muito menos chegar a este ponto.

Romildo Soares foi encontrado morto em uma calçada, que ao invés de lhe trazer fama, trouxe problemas de saúde e de dignidade.

Deveríamos ter pedido desculpa por vê-lo assim o tempo todo e não mover uma palha. A última vez que vi Romildo Soares dormindo no Espaço Ruy Pereira no palco de cimento, próximo do Zé Reeira, era um sinal de que ele só queria arte e diversão.

Agora, ele descansou e não vai precisar mais da ajuda do céu para se manter como artista.

Erramos rude, erramos feio. Falhamos como sociedade. Falhamos como artistas. E, pior, falhamos nas políticas públicas de incentivar a arte e, ao mesmo tempo buscar condições de moradias dignas aos moradores de rua.

Augusto Severo

Faz 120 anos que Augusto Severo se encantou


Augusto Severo nasceu em 11 de janeiro de 1864, em Macaíba-RN. Foi político, jornalista e inventor. Além disso, foi seu lado inventor que fez com que ele ficasse famoso na aeronáutica e fugisse da política, diferentemente de seus irmãos Alberto e Pedro Velho de Albuquerque Maranhão. Morreu em 1902, na França, quando dirigia seu dirigível Pax.

Em 1901, viajou para França, onde concebeu e iniciou a construção do dirigível Pax. Meses depois, ele concluiu a criação e ainda mais chamou a atenção pela inovação tecnológica. Após ensaios exitosos, Severo marcou para o dia 12 de maio de 1902 a estreia com o equipamento. Contudo, cerca de dez minutos após o início do voo, o Pax explodiu no ar, matando Severo e o mecânico francês Georges Saché. Apesar do fim trágico, Severo é até hoje famoso pela sua inventividade e pioneirismo

Mas, um livro resolveu contar a sua história diferente.

O livro em questão

Para comemorar esse encantamento, a editora da UFRN lançou “Augusto Severo: o homem que sonhou voar”. É, portanto, uma biografia ilustrada do inventor potiguar produzida em homenagem aos 120 anos da sua morte, completados em 2022. Trata-se de uma produção da Editora da UFRN, com financiamento para impressão do Projeto Rampa – arte museu paisagem.

O livro conta com ilustrações de Angela Almeida, texto de Helton Rubiano e ainda mais há o projeto gráfico de Rafael Campos e Michele Holanda. Adotando uma perspectiva lúdica, a publicação é dirigida ao público infantojuvenil, mas também pode ser apreciada por leitores que são adultos. A proposta  gráfica e visual consiste na montagem digital de imagens plásticas e fotografias.

Utilizando ciência e arte em um espaço só

Com esse intuito, foram exploradas obras de artistas estrangeiros e outras de artistas potiguares, como Newton Navarro e o Erasmo Andrade, além de fotografias do caicoense José Ezelino da Costa, o primeiro fotógrafo da cidade.

Angicos

Lampião realmente morreu em Angicos/RN?

Virgulino Ferreira da Silva ficou conhecido como Rei do Cangaço, um dos maiores bandos que surgiram no Nordeste, no qual o Rio Grande do Norte conheceu o seu bando. Uma das confusões envolvendo o Rio Grande do Norte está relacionado com sua morte.

Muitos sabem que Angicos foi o local onde Lampião morreu, mas se acredita que foi a cidade de mesmo nome, onde ficava no Rio Grande do Norte, distante 171 km de Natal. Além disso, a cidade também fica o Pico do Cabugi. Mas, além de botar ele para correr em Mossoró, Lampião foi morto no RN?

Aqui vamos fornecer a resposta por conta da confusão do nome Angicos. Confira!

Ele morreu em Angicos, do Sergipe

Embora exista uma cidade potiguar chamada de Angicos e que Lampião tenha visitado o RN de forma nada agradável e fugiu do povo de Mossoró, ele não morreu por aqui. E a confusão, portanto, será desentendimento a seguir.

Lampião estava na fazenda Angicos no dia 27 de julho de 1938. Este local ficava no sertão de Sergipe, hoje fica a cidade de Poço Redondo, que faz fronteira com Alagoas e Bahia. Para os cangaceiros, o local era seguro por ficar numa região cheia de montanhas e todos dormiam em suas barracas.

Era de madrugada quando os policiais Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa. O ataque durou cerca de vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, os policiais mataram Maria Bonita.

Os policiais degolaram dos onze mortos. Além de Maria Bonita e Lampião, também morreram Quinta-Feira, Mergulhão, Luís Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela. Um dos policiais, demonstrando ódio a Lampião, desfere um golpe de coronha de fuzil na sua cabeça, deformando-a.

As cabeças foram usadas como troféus e estiveram em Piranhas, cidade vizinha de Poço Branco, onde foram arrumados cuidadosamente na escadaria da Prefeitura, junto com armas e apetrechos dos cangaceiros, e fotografados.

Depois, os corpos foram levados ao Sudeste do Brasil para estudos e agora, portanto, está na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Marconi Grevi

Arquiteto da Catedral de Natal faleceu em Natal

Morreu nesta terça-feira (23) o arquiteto e artista Marconi Grevi, que ajudou a projetar a Catedral de Natal. Grevi é um dos ícones do modernismo da cidade. Além disso, ele era professor do Departamento de Arquitetura da UFRN, além de ser uma referência na área em Natal.

Brechando, no dia da padroeira de Nossa Senhora da Apresentação, colocou uma foto para mostrar a catedral ainda em obras.

A intenção de Grevi era fazer “um conjunto de linhas que elevam o homem a Deus”. Na obra, destaca-se os grandes vãos livres e uso de balanços, além do monumento escultórico, que se encontra em frente à edificação. É a obra mais importante do arquiteto em Natal.

Além de arquiteto, Marconi Grevi também é escultor, pintor e tapeceiro, sem contar que foi professor de Edificações do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), na época ETFRN.

A foto encontrei, portanto, do grupo de Fatos e Fotos de Natal.

Sobre a Catedral de Natal

A igreja demorou anos para ser construída, porém foi inaugurada no dia 21 de novembro de 1988. Fica entre o centro e os bairros de Petrópolis e Cidade Alta.  A antiga ainda permanece e fica no Centro Histórico e já falamos dela no Brechando. Devido ao crescimento da população, e consequentemente de fieis, a Arquidiocese então resolveu construir uma nova igreja matriz.

Então, eles resolveram implantar uma nova igreja na então Praça Pio X, próxima ao Cinema Rio Grande, que era esta aqui:

Foto da praça na década de 50
Foto da praça na década de 50

Antigamente, o local onde era a praça era um matagal. Então, o padre João Maria encontrou este terreno, no qual os fiéis caminhavam por ele. Foi ele que começou a ideia de construir um novo templo neste terreno, porém ele faleceu em 1905.

Depois, a Prefeitura tomou o terreno e construiu no local a Praça Pio X. De qualquer jeito, a praça era pertencente à Catedral. Por isso teve o nome de Pio X. O local não tinha árvores, mas um restaurante, onde os jovens natalenses a frequentavam bastante. Além disso, havia os vendedores de pipocas, amendoins e sorvetes que ficavam lá para conseguir atrair os clientes do cinema.

Plano inicial era ser barroco

Depois de levantadas algumas paredes, a Arquidiocese chegou à conclusão de que seria um prédio de elevado custo, pela imitação de templos europeus, dando preferência a uma planta mais moderna e mais econômica.

Com a transferência de Dom Eugênio para Salvador e com a nomeação de Dom Antônio Soares Costa para Bispo Auxiliar de Natal, este passa a coordenar a Comissão responsável pela construção da nova Catedral. A construção começou em 21 de junho de 1973. Foram 18 anos de intensas campanhas, a fim de conseguir recursos para construir o novo templo, cuja inauguração aconteceu em 21 de novembro de 1988, pelo então Arcebispo, Dom Alair Vilar Fernandes de Melo.

No subsolo do prédio, encontra-se o Centro Pastoral Pio X, onde funciona o Gabinete do Arcebispo, a Cúria Metropolitana, a Paróquia da Catedral, além da coordenação de diversas pastorais. A ocasião de sua terceira visita ao Brasil, a catedral recebeu o Papa João Paulo II em 13 de outubro de 1991