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Se acha estranho trânsito na zona Leste em pleno fim de semana é porque não vive em Natal. No cruzamento das avenidas Presidente Quaresma e Coronel Estevam nos sábados é o encontro da maior feira livre da cidade: A Feira do Alecrim, que é uma tradição quase centenária na capital potiguar e é um grande shopping a céu aberto. A primeira edição da feira aconteceu em 18 de julho de 1920, um domingo, organizada pelo paraibano José Francisco dos Santos acompanhado de três amigos. Só depois que mudou para o sábado.

Brechando finalmente conseguiu brechar a feira mais popular da cidade e mesmo o relógio apontado para 13 horas, horário de encerramento das atividades, as pessoas não paravam de entrar, mesmo tendo um grande supermercado por perto. Mas, por que preferir a feira? Conversando de forma informal com os feirantes e pessoas que frequentam o local, eles comentam que procuram por preços mais baratos, bom atendimento e falta de produtos que não tem no supermercado. Um quilo de camarão pode custar 25 reais, enquanto no Mercado das Rocas esse valor pode ser três vezes a mais.

Lá tem muitos feirantes que estão há mais de 30 anos na labuta, no qual alguns estão comemorando o sucesso das vendas e outros ficam reclamando. Lá pode ter brigas, mas ao mesmo tempo pode ser uma brincadeira. Durante as fotografias, era comum ouvir os feirantes dizendo: “Filma ele, moça”, “Quero sair no Jornal” ou “Mostre aqui, precisamos vender nossas coisinhas”. Cada parte da rua, divide a feira em seções. Tem a parte que vende frutas, outra verduras e uma só com as carnes. Você precisa saber pesquisar muito bem aonde for comprar, pois pode cair em ciladas e saber como negociar com os vendedores.

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Ir à feira é o maior exemplo da nossa parte cultural, que está escondida nos shoppings e orla da praia. É relembrar aqueles costumes do interior, não só pelos os produtos, mas também na forma de compra. Lá que você encontra aquela rapadura gostosa que sua avó comprava ou aquele puxa-puxa que muitas vezes é melhor que chiclete, procurar aquela fava gostosa que não tem no supermercado ou comprar um bucho de boi para fazer aquela buchada. Ainda tem a parte do Mangai (não confundir com o restaurante), no qual sente o cheiro das melhores ervas, daquele colorau puro para temperar a carne e dentre outras coisas.

No entanto, a feira também mostra as cicatrizes da vida urbana, como o mau cheiro e o acúmulo de lixo, além de mostrar as péssimas condições de trabalho (barracas deterioradas e sem nenhuma higiene) e ver as crianças trabalhando enquanto deveria estar brincando. O banheiro químico só fica nas extremidades.

Lá também tem diversão, onde o vendedor de disco pirata coloca um forró bem alto para que um casal espontaneamente dança um forró agarradinho ou ficar bebendo uma água de coco gelada ou um caldo de cana para afastar daquele calor que somente o bairro tem, devido ao fato de que só tem prédios em volta.

Hoje, a feira tem mais de mil feirantes que conseguiu utilizar o bairro como forma de tirar o seu sustento. A partir do ano de 1930 passou a cobrar impostos dos feirantes que ali comercializavam suas mercadorias. Em 12 de junho de 1958 foi colocada uma placa de bronze no atual número 1297 da avenida Coronel Estevam, atestando a realização da feira, à pedido da Câmara Municipal do Natal (CMN).

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Lá vende frutas, legumes, verduras, carnes de todos os tipos (e partes, pois era comum ver todos os órgãos de um boy, por exemplo), roupas, brinquedos, doces, temperos, vassoura, utensílios para cozinha, remédios naturais e até mesmo produtos de limpeza para casa. Hoje, a tradicional feira do Alecrim possui 515 metros de cobertura (tendas) num total de 1.056 bancas, banheiros, lixeiras e placas de identificação de produtos que estão separados por tipos de produtos.

Após a Brechada, eu concluí que uma feira reflete a cultura do seu povo, evidenciada nos tipos de produtos vendidos, no seu manuseio,na linguagem, nos gestos, nas condições de trabalho e no comportamento geral das pessoas que fazem a feira. Assim um olhar mais atento aos diferentes setores da feira do Alecrim nos possibilita conhecer as nossas comidas típicas e também o nosso valor cultural.

Confira o álbum de fotos a seguir:

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Sobre a autora

Jornalista formada pela UFRN, criou o blog em 2015 e não esperava que fosse fazer altas brechadas sobre Natal-RN e outras cidades que visitou. Gosta de trabalhar com a internet, mídias sociais, fotografar e escrever. Clique aqui para saber mais sobre mim.

Desenho: @umsamurai

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