Na tarde deste domingo (5), enquanto o Centro de Convenções de Natal fervia com o terceiro e último dia da GGCON 2026. Uma cena dividia espaço com os estandes de quadrinhos e os corredores lotados de cosplayers: telões ligados na Copa do Mundo. O motivo era o confronto entre Brasil e Noruega. Quem passasse iria pelas quartas de final, e que reuniu num só lugar dois universos que muita gente ainda insiste em separar: a cultura geek e o futebol.
Brasil queria tirar a maldição de parar de perder para Noruega e se adaptar a nova versão do mata-mata com um jogo a mais. O país estava sendo eliminado na segunda partida (e continuou!).
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O resultado, quem acompanhou já sabe (aviso do futuro: Não foi de goleada, mas decepcionante): o Brasil não passou da fase. Mas, entre quem esteve na plateia geek para acompanhar a partida, a decepção durou pouco. Passado o apito final, o Centro de Convenções seguiu vivo. Teve gente que foi direto para as máquinas de fliperama, quem preferiu suar a camisa no Just Dance ou no Pump It Up. E, ainda por cima, quem resolveu afogar a tristeza em pizza e lámen mesmo.
“Todo mundo aqui em Copa do Mundo”, frases dos torcedores do Brasil



Para o público presente, assistir ao jogo cercado por outros fãs de cultura pop foi, antes de tudo, uma experiência coletiva diferente da rotina de sofrer em frente à TV de casa. Foi o caso de Victor Melo, que dividiu com a reportagem a expectativa antes da bola rolar. Era a primeira vez que acompanhava uma partida da seleção fora de casa. O que mais chamou atenção foi ver tanta gente vestindo a camisa do Brasil reunida no mesmo espaço:
“Eu sou acostumado a ver em casa, e está sendo minha primeira experiência. Está bem legal ver a quantidade de gente, quase todo mundo aqui em Copa do Mundo. Estou muito animado para ver quando se der o gol do Brasil, todo mundo gritando. Vai ser uma experiência emocionante.”
Já Kay, que preferiu se identificar apenas pelo primeiro nome, contou que a ida ao evento para assistir ao jogo já estava nos planos, e não foi coincidência:
“Eu tava planejando jogar aqui, assistir, na verdade. Eu escolhi essa roupa, camisa do Brasil, pra assistir mesmo o jogo.”
Nervosa, mas otimista, ela apostou num placar de 3 a 1 para o Brasil. Quando perguntada se tinha alguma simpatia de torcedora, foi direta:
“Vou assistir e rezar.”
Para Gisele Freitas, a escolha de ver o jogo na GGCON nem estava nos planos: surgiu na hora, depois que ela já estava no evento:
“Eu tomei a decisão hoje, depois que eu cheguei aqui. É algo novo, é algo diferente, são pessoas que você vai encontrar do mesmo estilo que o seu, então você se sente em casa, você se sente muito bem. É como se você estivesse com uma grande família comemorando o Brasil do jeito que ele é e do jeito que ele deve ser.”
Ela chegou a arriscar um placar de 3 a 2 para o Brasil, e revelou que só soube que o adversário seria a Noruega depois de chegar ao local:
“Foi na doida mesmo. Eu só não sabia qual era o que eu ia competir.”
A festa não parou

Se por um lado o placar não saiu como o torcedor brasileiro esperava, por outro a energia do evento não deu brecha para o clima ruim se instalar. Assim que a partida terminou, a movimentação nos espaços temáticos da GGCON voltou a todo vapor: uma parte do público migrou para os consoles de free play, outros encheram a pista do Just Dance e do Pump It Up, e não faltou quem resolvesse comemorar (ou se consolar) com uma pizza ou um lámen nas praças de alimentação.
A cena resume bem o que a GGCON 2026 tentou provar neste fim de semana: que dá para ser nerd e apaixonado por futebol ao mesmo tempo, e que, no fim das contas, seja com o Brasil campeão ou eliminado, sempre sobra motivo para a festa continuar.


