Vikos lança seu primeiro álbum sobre o uso aloprado de dispositivos móveis

Lara Paiva
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Victor Romero poderia ficar apenas na psicologia de formação profissional. No entanto, a graduação e o consultório não foram suficentes para interromper o bichinho da música. Primeiro foi com a banda Talude. Logo depois, ele estudou produção musical na Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN). Assim nasceu o produtor Vik (apelido de adolescência) Romero ou agora Vikos.

Isto porque já falou sobre saúde mental em seus dois EPs “Não é Crise, é Vazio” (2019) e “Free House” (2024).

Depois de uma porrada de projeto musical, ele está lançando seu primeiro álbum, chamado de “Tela Trincada”, lançado no final do mês de maio. De acordo com o release enviado à imprensa, o músico queria desabafar sobre os efeitosa das redes sociais e hiperconectividade. Claro que a psicologia está dentro do artista, uma vez que organizou o álbum com os seguintes sentimentos ansiedade, vigilância, performatividade e isolamento.

Segundo o próprio cantor, o nome é uma metáfora sobre como consumimos os dispositivos móveis, uma vez que quando a tela trinca a experiência é alterada e tudo fica distorcido. O mesmo garante que isto não é um álbum “sobre” redes sociais, mas de um trabalho que opera a partir da lógica da repetição, do estímulo contínuo e da fragmentação para estruturar sua linguagem musical e narrativa.

“O digital sempre fez parte da minha vida, mas hoje ele parece cada vez mais onipresente. Amizades, relações românticas, tudo acaba passando por essa mediação. Eu sentia que isso ainda era pouco abordado na música brasileira, principalmente de uma forma mais existencial. Não necessariamente crítica, mas como um retrato sincero do que estamos vivendo e sentindo,” enfatizou.

Influências do Vikos

A base sonora transita entre house, synthpop, rock alternativo e hip-hop. Por isso, há presenças de guitarras, congas, chocalhos e baterias, compondo camadas que oscilam entre o íntimo e o expansivo. Ao abordar temas como solidão digital, ansiedade, vigilância algorítmica e relações filtradas por aplicativos, o álbum mira a influência das redes sociais e das big techs nas relações coletivas e na construção das subjetividades, mas também parte de uma perspectiva íntima: a vivência de Vikos como pessoa autista atravessada por dinâmicas de conexão e isolamento que se intensificam no ambiente virtual.

Com produção assinada pelo próprio Vikos, o trabalho combina sintetizadores, samples e batidas eletrônicas com elementos orgânicos, ampliando a paleta sonora do artista. As faixas percorrem diferentes estados emocionais e narrativos: da saturação informacional de “Colapso (Tudo Errado)” à busca por afeto em “Notificação”, passando pela crítica à performance social em “Câmera Frontal” e “Meta”.

Além da dimensão artística, o projeto também reforça seu compromisso com a acessibilidade e inclusão. O lançamento contará com recursos como janela de Libras, legendas para surdos e ensurdecidos e práticas de comunicação acessível, ampliando o alcance do trabalho para diferentes públicos.

“Tela Trincada só foi possível de ser produzido dessa forma porque tivemos o apoio da PNAB e conseguimos acessar os recursos dessa política pública. Por conta disso, conseguimos fazer coisas que antes não tínhamos conseguido: contratar músicos para gravar em estúdio, baterista, percussionista, videomaker, e também remunerar todo mundo que participa do projeto de forma justa, o que muitas vezes não é possível,” finalizou Vikos.

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Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista e publicitária formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.
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