Há um ano, eu recebi um diagnóstico que mudou minha vida, rotina e a forma que enxergo o mundo. Parece que entendi o porquê sentia aquela sensação de não pertencimento. Entretanto, veio o luto do que era, uma parte de mim morreu e tive que procurar uma nova versão de mim.
Procurar os caquinhos de vidro que coletaram da minha experiência do passado e montar um novo mosaico de que formaria a minha nova personalidade. Resgatando algumas características que tinha e desapareceram, para agradar alguns, e buscando novas para me deixar confortável.
Com o diagnóstico certo, consegui finalmente alinhar o meu tratamento. Depois, criei um perfil no Instagram que fala das minhas vivências e, percebi, novas experiências boas e muito ruins. O capacistismo, agora, está mais nítido, como água cristalina, apesar de hoje as pessoas temerem de me chamar de pombona.
Sim, os olhares tortos e capacitismos estão mais evidentes. Todo dia sempre tem alguém para dizer o que está acontecendo comigo é uma doença (não é) da moda, que estou inventando ou usando de muleta para realizar algumas ações na minha vida. É cansativo fazer perícias, gente julgando você na fila preferencial ou questionar o porquê está pagando meia-entrada se não tem a carteirinha de estudante.
Seria mais fácil se o meu mundo fosse neurotípico, seguisse caixinhas específicas e tivesse um caminho social cheio de amigos e felizes. Mas, a vida não me proporcionou isso e terei um longo caminho para recuperar aquela criança e adolescente ferida pela neurodivergência não-descoberta e evitar novos problemas na vida adulta.
Caso tenha descoberto agora, assim como minha pessoa, digo que é um longo caminho. Alguns momentos você sente alívio, outros tem muita raiva do porquê não ter sido descoberto antes. Fico feliz que as crianças podem fazer tratamento o mais cedo possível, para não chegar aonde cheguei.
O autismo, como todos nós sabemos, não tem cura, nasci assim, mas vou procurar o melhor tratamento para que eu tenha fome de viver e conseguir continuar dessa forma.


