Se você está sabendo do universo da internet, memes e música eletrônica e indie sabe da banda Vera Fischer era Clubber. Eles estão viralizando na internet por seu jeito único. A participação do grupo no programa Cultura Livre virou meme e trouxe inúmeros youtubers a reagir, como a Jenny Prioli. Esse revival dos anos 2000, lembrando bandas como Cansei de Ser Sexy fez com que tivesse, ao mesmo tempo, alguns fãs. Sabendo desse hype, o festival Aurora, que vai estrear em Natal, no dia 08 de maio e colocará em seu line-up o grupo fluminense.
Vera Fischer Era Clubber surgiu em Niterói em 2023 com grupo de amigos que se uniram para curtir baladas. Não importava a festa acontecia, até topavam em cruzar a Ponte Rio-Niterói em nome da boa música eletrônica. Os integrantes são Malu (baixista), Peko (baterista), Vickluz (tecladista) e Crystal (vocal). Eles lançaram o primeiro álbum, “Veras I” (Palatável Records), no fim de abril. Ao todo, o disco reúne sete faixas totalmente autorais e com identidade própria, mas, ao mesmo tempo, com traços millenials (nascidos entre 1981-1995).
O nome veio quando o baterista soube que Vera Fischer nos anos 80 e 90 visitara os clubes de casas noturnas, principalmente LGBTQIAP+. Além disso, a repercussão do grupo foi tão grande que eles receberam o convite da cantora carioca Marina Lima a abrir os seus shows. E, agora, estão na line-up do Festival Aurora.
Sobre Festival Aurora
É nesta energia que vem o Festival Aurora, que promete fazer o fervo (gíria bem clubber, não é mesmo?). Primeiramente, o evento promete chacoalhar Ribeira, utilizando o Galpão 292, Frisson e Casa da Ribeira. A ideia é inclusive reunir música e Workshop, com o objetivo de produzir, pensar e vivenciar a cultura local nos dias 08 e 09 de setembro.
Embora dialogue diretamente com a cultura queer e com produções independentes, o Aurora não se posiciona como um evento restrito a um nicho específico. A proposta é construir um espaço de convivência e ampliá-lo, onde diferentes públicos possam circular e entrar em contato com linguagens diversas, sem que isso implique a diluição de perspectivas ou a perda de consistência curatorial.
“O Festival Aurora parte do princípio do encontro, reunir pessoas, diferentes linguagens, diferentes formas de pensar, não só buscando entretenimento, mas buscando sempre o espaço de troca, do encontro”, destaca Rafhael Carvalho, que é idealizador do projeto.
Por falar em queer, a escolha não foi feita de caso pensado, uma vez que a Frisson e Galpão 292 são referências de baladas para o público LGBTQIAP+. Sem contar que o Galpão 292 passou por muitas mudanças ao longo dos anos e símbolo de resistência, visto que começou como a casa Blackout que recebia os maiores shows de rock depois se transformou em Galpão 29 (sem o 2) e escancarou que as pessoas podem ser o que quiser e, agora, com o número a mais mostra que o espaço está vivo.
Já a Casa da Ribeira, o espaço foi escolhido por receber grupos de teatros do RN e de outros estados, além de ser referência na formação e difusão cultural.
Participação de workshop de Rita Von Hunty
Um exemplo é a participação da drag Rita Von Hunty non dia 09 de maio, na Casa da Ribeira, em que ela vai debater sobre cultura dissidente, política e existência queer. Rita foi criada para quebrar a ideia de estereótipo de drag queen como caricatura superficial do feminismo. Por isso, começou a criar vídeos explicando sobre inúmeros assuntos voltados a sociologia, política, cultura, marxismo, literatura e isto motivou a trabalhar como colunista de jornal e realizar palestra em diversos lugares do país.
Mais sobre o Festival
O Aurora também se apresenta como uma resposta às condições atuais da produção cultural independente no país. Diante de desafios como a concentração de recursos, a dificuldade de circulação e a precarização do trabalho artístico, o festival aposta na articulação de redes, no compartilhamento de conhecimento e na criação de ambientes onde artistas e público possam se encontrar de forma mais direta, a partir do interesse comum pela criação, pela escuta e pela troca.
Em sua primeira edição, o projeto conta com o patrocínio da Prefeitura do Natal, por meio do Programa Djalma Maranhão, e da Universidade Potiguar (UnP), e assume um caráter formativo ampliado. A proposta considera a experiência vivida – aquilo que se constrói no encontro entre pessoas, ideias e práticas – como um elemento central no processo de formação cultural.
Este início não se apresenta como um formato concluído, mas como a abertura de um percurso. A intenção é estabelecer uma base a partir da qual o festival possa se desenvolver ao longo do tempo, ampliando seu alcance e aprofundando as relações que começam a se construir agora.
SERVIÇO
Aurora – Festival
08 e 09 de maio
Casa da Ribeira • Clube Frisson • Galpão 292
Acesso gratuito
Patrocínio: Prefeitura do Natal, Programa Djalma Maranhão e Universidade Potiguar
Realização: Mani Estúdio | Colaboração: Clube Frisson
Mais informações: instagram.com/festivalaurorabr


