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Comic Con é abreviação para Comic Convention, Convenção de quadrinhos, que surgiu em San Diego, na Califórnia, nos Estados Unidos e existem várias edições espalhadas em todo o mundo. No Brasil, não existe um evento oficial, por isso o Omelete (que começou apenas como um blog de crítica de filmes e virou uma indústria do entretenimento) nos anos de 2010 resolveu criar a Comic Con Experience, cujo objetivo é fazer com que o brasileiro tenha um momento para experimentar eventos grandes, visto que a maioria dos eventos de cultura pop no Brasil é mais focado para os mangás e animações japonesas. Portanto, nada de Daijobu, Mãe.

A gente foi lá Brechar com um celular na mão e um desejo no coração (LIMA, Kelps).

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A Comic Con Experience começou na cidade de São Paulo e neste ano eles aproveitaram para ir em outras cidades brasileiras. O foco foi o Nordeste, mais precisamente Recife, que é uma das três maiores cidades da região. Eles foram muito espertos em colocar o evento na Semana Santa, permitindo que outros habitantes do NE também pudesse visitar. Por exemplo, eu fui lá sem combinar com ninguém e conseguiu encontrar quase todos os amigos.

A gente fez uma cobertura bem bacana via Instagram do Brechando, mostrando os detalhes que tinha no evento. Mas, agora vou fornecer minhas opiniões e dicas para quem quiser brechar o próximo evento, que vai acontecer no mês de dezembro em São Paulo.

1) Tenha um objetivo para ir ao evento

O evento dura quatro dias e ás vezes os organizadores colocam certos artistas em dias específicos para atrair um público maior. Então, procure ir em dias que você vai realmente quer se divertir e não andar da ponta a outra pelo centro de convenções, pois irá achar chato e sem graça. Se está muito afim de ir todos os dias, procure o que quer fazer e não cair em ciladas.  O objetivo pode ser desde trabalhar lá até conhecer o artista dos sonhos.

A gente encontrou o Fábio Moon, quadrinista que estava acompanhando de seu irmão gêmio, Gabriel Bá. Eles são um dos importantes quadrinistas do Brasil e estavam lá conversando com a galera. “Acho importante que tenha um evento deste porte no Nordeste”, dizia Fábio para mim em um momento que estava mais folgado para conversar enquanto os fãs não apareciam novamente. Então, perguntei se ele tinha conseguido andar ou tirar foto com algum artista, ele prontamente balançou a cabeça com sinal de negação e disse: “Não (risos). Mas, porque fico meio envergonhado, gosto de ficar tietando os meus fãs, solto um papo com ele e converso. Mais confortável”.

Sim, no segundo piso do Centro de Convenções estavam uma mesa cheia de quadrinistas nacionais, no qual estavam autografando as suas produções e lá podia comprar diretamente com eles. Claro que tinha artistas potiguares, como os quadrinistas Luiza de Sousa e Aureliano Medeiros.  Esta área se chama Artist’s Alley e com certeza era algo muito legal.

@ilustralu e @oiaure : artistas potiguares na CCXP

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O jornalista Vinicíus Vieira do site O Chaplin esteve lá no evento para fazer a cobertura e comentou a correria de conseguir pegar todos os detalhes do evento, além da maratona de terminar as palestras e ir para sala de imprensa. “Por conta do trabalho, eu não pude acompanhar o evento com olhos de visitantes. Como pessoa, se tivesse pago, teria achado o evento abaixo das expectativas. Foram poucos estandes. Em compensação, esse fator fez com que a Artist’s Alley, tivesse destaque para mim”.

2) Cuidado na hora que for comprar as coisinhas

Além dos stands das principais indústrias do entretenimento, a Comic Con oferece diversos stands de parceiros. Lá, eles vendem de tudo desde um conjunto de copos de doses para beber destilados de 50 reais até um Action Figure de 1000 reais. Mas, alguns produtos estavam superfaturados. Por exemplo, uma das lojas estava vendendo Boardgames, os famosos jogos de tabuleiros que estão crescendo a cada dia. Um dos mais populares, o 7 Wonders, estava custando mais de 300 reais, enquanto nos sites mais famosos pode ser visto pela por 220 reais incluindo o frete. Quase 30% do preço normal.

Tendo infarto com o preço

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Sobre os ingressos, se você não era estudante, mas não queria pagar meia, você poderia pagar a tarifa social, doando um livro que queria desapegar. Era só entrar e colocar no carrinho para a doação.

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Carrinho para doar os livros

3) Procure fazer amizades

Lá o evento tem tanta gente, que é impossível parar e não conversar com alguém que não conheça, principalmente na parte das filas. Muito importante criar este networking, pois as pessoas estão lá, muitas vezes, com o mesmo objetivo e ótimo para conversar com gostos em comuns, vieram de longe ou estão apenas trabalhando.

Além das filas, a amizade poderia ser feita no próprio aplicativo do CCXP (sigla para Comic Con Experience), que tinha várias pessoas postando mensagens e poderia conversar com diversos usuários.

4) Só vá para o Meet & Greet de um artista legal

Existe um ingresso que inclui o Meet&Greet, mas você podia comprar na hora e uma foto com autógrafo não saia que menos de 200 reais. Mas, de vez em quando, alguns artistas liberavam autógrafos gratuitos para 50 pessoas fazendo com que o pessoal enlouquecesse.  Este foi o caso da Silvana e Bruna Varela, mãe e filha, naturais de Recife. levou a garota para conhecer o quadrinista Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica.

“Ela ama desenhar e sempre diz para mim que o sonho dela é trabalhar com Maurício de Sousa”, comentou a orgulhosa mãe. A jovem disse que sempre gostou dos desenhos da Mônica e fez com que estimulasse a ler outros quadrinhos, como Naruto. “Quero que Naruto termine com a Hinata”, disse Luana que também gosta de ler mangás e estava muito ansiosa para ver o Maurício de Sousa.

Era complicado, pois as filas poderiam durar de uma a duas horas de espera. Vai procurar pessoas que realmente gostem e sente carinho.

5) Evite as maiores filas para poder aproveitar o evento

Mais fila

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A Comic Con tem fila para tudo, desde para entrar no evento, caso tenha chegado cedo, até para ir ao banheiro. Portanto, se quer ter uma experiência no evento, procure as menores filas para depois ir nas maiores atividades do dia. Se for seguir essa linha, consegue aproveitar todo o evento. A gente encontrou com Victor Olavo Rocca, desenvolvedor de jogos, e ele falou da péssima experiência na fila de São Paulo, quando ficou na fila das 12 às 17 horas com o objetivo de assistir uma palestra.

Então ele solta: “Vá nas menores filas primeiro”. Foi assim que conseguimos assistir a principal palestra da noite: com o ator Carlos Villágran, o Quico do Chaves, que falou do Brasil, The Walking Dead, México e terminou esculhambando o presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump.

Observação: Ficar de olho nos horários de cada evento, também ajuda a esperar menos na fila!

Quico em Recife

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6) Leve um lanchinho, você não vai querer comprar uma água de 4 reais

Além do ingresso ser muito caro, os lanches também, você pode comer numa simples lanchonetes ou ir nos estandes de lanchonetes que patrocinam o evento, como o Cinemark, Subway e Domino’s. Mas, prepare-se, uma água de 300 mililitros custava quatro reais e era difícil de abril.

7) Procure sair de carona com os amigos, pois o Uber pode ser muito caro

Como falei anteriormente, existe um aplicativo para o CCXP, onde você pode fazer amizade com as pessoas que estão circulando no evento e conseguir uma carona para volta, visto que um Uber para Boa Viagem poderia custar, no mínimo, 25 reais.

8) Incentive a galera que está trabalhando duro lá

Selfie tremida com cosplay de Ametista de Steven Universe

Muita gente estava desde cedo tentando atender a galera da melhor forma possível. Os expositores mesmo cansados estavam tentando ajudar a caber naquela roupa 2G do Iron Man ou dando dicas de como usar um produto corretamente. Além disso, eles estavam achando um máximo de trabalhar e de repente aparecer um ator de uma série do Netflix andando normalmente. Pode não parecer, mas é bem cansativo o evento.

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Muitos estavam lá fazendo cosplay, que para alguns é uma forma de trabalho e demoram horas para que puder se arrumar. Além disso, muitos estão cansados e já ouviram coisas legais dos fãs dos personagens, mas também alguns absurdos. Portanto, não é legal ficar assediando cosplayers só porque ela está fazendo uma personagem de uma mulher sedutora.

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Seja legal, elogie o trabalho, a roupa e faça selfies, isto é um reconhecimento do esforço de cada um que foi sair de sua casa (que não necessariamente seja Recife) para ir ao evento.

9) É uma propaganda pesada das maiores indústrias de entretenimento do Brasil e do mundo

I am God of War

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Eu não imagino quantos milhões que o Omelete deve ter ganhado com o evento, que tinha enormes chances de flopar por ser um feriado na Semana Santa e em Recife neste período é conhecido por muitas pessoas viajarem ao interior ou para as praias. Sem contar que o evento dominante neste período nas terras pernambucanas é a Paixão de Cristo, protagonizada por atores globais. Mas, eles conseguiram criar uma oportunidade para aqueles que queriam fugir das duas opções que citei.

Mas o foco deste tópico não é esse, mas falar das propagandas das indústrias de entretenimento. Ao contrário dos outros eventos relacionados à cultura pop, ele não é uma homenagem aos fãs, mas às produções cinematográficas e dos quadrinhos, visto que lá é um momento que os atores possam conversar sobre o seu trabalho, fazer propagandas dos novos filmes (desde exibição do trailer do novo filme de “Star Wars: Os últimos Jedis”, link aqui,  até entregar cartazes da Marvel), mostrar os figurinos das séries do Netflix (havia exibição do figurino original da série brasileira “3%”), fazer karaokê com abertura de séries ou brincar de pegar o Martelo do Thor.

É uma forma discreta: “Ei, veja aqui, este é o meu mais novo filme, vá ao cinema depois daqui, ok?”.

10) Por que vale a pena ir ao Comic Con?

É um evento diferente, uma forma lúdica de mostrar o trabalho da indústria do entretenimento, saber quem são os artistas estão fazendo e conhecer diversas empresas que estão ralando em continuar a divulgar a cultura nerd. Para alguns vestir cosplay é algo brega, mas isso é uma forma barata de divulgar e simples de divulgar o trabalho de um quadrinista, jogo ou qualquer integrante da cultura pop.

Ela nos ensina que você pode trabalhar de todas as formas, sair da casinha e que é possível. Mas, Lara, tem muita gente que vai só porque viu The Big Bang Theory? Sim, verdade, pois o quarteto nerd fala muito do evento de San Diego, mas isto foi o que estimulou os fãs a conhecerem e ver que o universo nerd não se resume a série, mas também aos jogos, quadrinhos e tecnologia e que é possível trabalhar nesta área.

Por exemplo, um dos stands era ensinando robótica para as crianças mostrando que trabalhar com isso pode ser real e outro que mostrava a importância de valorizar a cultura da terra, como a divulgação da sequência filme Cine Holliúdy ou colocar bonecos de Olinda da Turma do Chaves.

Tá rolando!

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Sobre a autora

Jornalista formada pela UFRN, criou o blog em 2015 e não esperava que fosse fazer altas brechadas sobre Natal-RN e outras cidades que visitou. Gosta de trabalhar com a internet, mídias sociais, fotografar e escrever. Clique aqui para saber mais sobre mim.

Desenho: @umsamurai

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