Denísia Diniz foca em falar do Seridó em seu EP autoral

4 leitura mínima

A cantora Denísia Diniz é conhecida pelas noites natalenses com a banda Citrika. Mas, ela também tem um trabalho totalmente autoral. Recentemente, ela lançou um projeto que mistura Bossa Nova com letras que falam de suas raízes seridoenses, mais precisamente na cidade de Jucurutu. Como resultado nasceu o EP “SerTão Bossa”, seu seu primeiro EP. autoral, a artista seridoense reúne personagens, crenças, paisagens e lembranças em sete canções que revelam um sertão contemporâneo, cheio de belezas naturais e riquezas culturais.

Produzido pelo pianista e arranjador Eduardo Taufic, o álbum reúne sete composições: “Jucurutu”, “Suindara” (com tema sobre lendas seridoenses, como rasga-mortalha), “Lamparina”, “’Cumade’ Pequena”, “Bossa de Feira” (fala sobre a famosa culinária e da importância da feira), “’Redemuinho’” e “Pé de Castanhola”. A intenção é fazer com que todas as faixas formassem uma espécie de mapa afetivo do lugar onde Denísia nasceu e viveu parte de sua história. Esse mapa, porém, não é feito apenas de paisagens. Nele vivem mulheres curandeiras, lembranças familiares, vendedores de feira, crenças antigas, brincadeiras de infância, árvores, estradas, lamparinas e seres do imaginário popular.

“Cada música abre uma passagem para um episódio, uma personagem ou uma memória, como se o álbum reunisse pequenos contos musicados do interior do Rio Grande do Norte. Em “Cumade Pequena”, Denísia presta homenagem a uma mulher negra que marcou a memória de sua família e de sua comunidade. Curandeira, benzedeira e lavadeira, a personagem representa uma sabedoria ancestral que atravessou gerações por meio do cuidado, da espiritualidade e da transmissão oral de conhecimentos”, afirmou release enviado à imprensa.

Embora nasça de uma vivência pessoal, “SerTão Bossa” alcança uma memória compartilhada por muitas famílias nordestinas. As canções falam sobre pessoas e costumes que raramente ocupam o centro das narrativas, mas que sustentam a história cotidiana das comunidades. Musicalmente, o projeto estabelece um diálogo entre a delicadeza harmônica da bossa nova e diferentes referências da música nordestina e brasileira.

A produção de Eduardo Taufic cria uma atmosfera sofisticada e, ao mesmo tempo, próxima, preservando a força narrativa das composições e a identidade vocal de Denísia. O álbum também se destaca pela forma como representa o sertão.

Menos sofrimento, mais beleza

Denísia queria tirar aquela imagem de que o sertão era um lugar triste e sofrido, como nos poemas de Patativa do Assaré. Logo, preferiu retratar um território fértil em memória, espiritualidade, música, humor e invenção. É um sertão observado por dentro, a partir de quem conhece seus códigos, seus afetos e suas contradições. Com “SerTão Bossa”, Denísia Diniz consolida uma nova etapa de sua trajetória artística e apresenta ao público uma obra profundamente potiguar, mas capaz de atravessar fronteiras.

Ao transformar histórias locais em canções, a artista mostra que preservar a memória também pode ser um gesto de criação e que as pequenas narrativas de uma cidade podem encontrar ressonância muito além dela.

Onde escutar o EP

Para escutar o álbum na íntegra, dê o play, portanto, logo abaixo:

FICHA TÉCNICA – EP “SerTãoBossa”, Denísia Diniz.

Compartilhe este artigo
Seguir:
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista e publicitária formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.
Nenhum comentário