Dois dias depois da apuração do primeiro turno, o PT botou a militância na rua em Natal. A plenária que abriu a campanha de segundo turno foi na terça-feira (6), na Praça da Árvore de Mirassol, na Zona Sul. O Brechando esteve lá e perguntou a quem participava: por que votar em Lula? Antes das respostas, vale entender a conta que o partido precisa fechar. Ela é dupla: virar a eleição presidencial e garantir a sucessão de Fátima Bezerra no Governo do Estado.
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O tamanho da virada
No plano nacional, Lula terminou o primeiro turno com 45,16% dos votos válidos, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que fez 47,03%. São menos de dois pontos de diferença, no qual a próxima votação acontece em 25 de outubro.
O caminho da virada, na avaliação do partido, passa pelo Nordeste. Além diso, a região continua sendo o principal reduto do presidente, mas rendeu menos do que em 2022: a votação de Lula no Nordeste caiu de 66,76% para 63,77%, com 258.555 votos a menos. A queda aconteceu em seis dos nove estados, entre eles o Rio Grande do Norte. Daí as duas metas levadas à plenária: ampliar a votação nordestina e reduzir os nulos. Segundo levantamento do NE9 sobre abstenções, brancos e nulos no Nordeste, os votos inválidos somaram cerca de 1,8 milhão na região.
Cadu e Allyson separados por 15 mil votos

No Rio Grande do Norte, a disputa é ainda mais acirrada. De acordo com o resultado oficial do TSE para o governo do RN, Allyson Bezerra (União) teve 733.809 votos (36,94%) e Cadu de Lula (PT), 718.300 (36,16%). Portanto, pouco mais de 15 mil votos separam os dois. Auditor fiscal de carreira, Cadu Xavier nunca exerceu cargo eletivo e deixou a secretaria em abril para disputar a sucessão do governo petista.
O mapa ajuda a entender por que a largada foi na capital. Cadu venceu em 74 municípios, Allyson em 65 e Álvaro Dias (PL) em 28. Só que, na votação para governador em Natal, quem liderou foi Álvaro, com 39,69%, seguido de Cadu, com 35,43%, e Allyson, com 24,49%. Mas, esse eleitorado, agora sem candidato, que os dois vão disputar.
No palco de Mirassol, Cadu dividiu a condução com a governadora Fátima Bezerra, a senadora eleita Samanda e a deputada reeleita Natália Bonavides e nova deputada federal Thabatta Pimenta, além dos estaduais Francisco do PT, Divaneide Basílio, Isolda Dantas e Daniel Valença. O candidato prometeu dobrar no segundo turno a energia que colocou no primeiro. O reforço vem de fora: foi anunciada a vinda de Lula a Natal no sábado, para uma caminhada na Zona Norte. Depois, remarcada para o Alecrim, com a finalidade de ficar mais perto da população, uma vez que no sábado é o dia mais agitado do bairro comercial e vem os mais populares.
Por que votar em Lula? Na Praça de Mirassol, em Natal, achamos a resposta

No meio das camisas vermelhas e das bandeiras, o Brechando circulou pela Praça de Mirassol com uma pergunta só: por que Lula tem que ganhar as eleições? Quatro pessoas pararam para responder. Primeiramente, falamos com o ambientalista Lourenço Queiroz Capriglione, ex-candidato a deputado estadual pelo PSOL, respondeu:
É fundamental eleger Lula no segundo turno para não permitir que o Brasil volte para as mãos de uma família envolvida com a milícia, que representa a corrupção, a destruição da natureza e dos direitos sociais”, disse.
A referência é a um episódio conhecido: quando era deputado estadual no Rio, Flávio Bolsonaro empregou no gabinete a mãe e a ex-mulher do ex-PM Adriano da Nóbrega, e o homenageou com a Medalha Tiradentes. Adriano era apontado pelo Ministério Público do Rio como chefe da milícia de Rio das Pedras e do chamado Escritório do Crime. O senador nega envolvimento e diz ser alvo de campanha difamatória. Para Lourenço, a tarefa das próximas semanas é apresentar o candidato do PL a quem ainda não o conhece. Ele também lembrou que o próximo presidente deve indicar três ou quatro ministros do Supremo Tribunal Federal. “É preciso todo mundo se mobilizar para garantir a reeleição de Lula, para a gente continuar num rumo de desenvolvimento e justiça socioambiental.”
Rodrigo Albuquerque, do Partido Comunista Brasileiro, foi direto ao ponto. “A prioridade nesse segundo turno é derrotar a extrema direita. É nesse sentido que nós do PCB estamos lutando”, afirmou.
O jornalista Iano Flávio, defensor da comunicação pública, pensou no que está em jogo no dia a dia. “Para garantir serviços públicos para todas e todos, para garantir que a população tenha acesso aos serviços mais básicos. O outro lado está querendo acabar com tudo isso.”
A resposta mais pessoal veio da estudante Maria Eduarda, aluna da UFRN, que disse:
“Eu sou neta de uma empregada doméstica que viveu a vida todinha trabalhando em casa de família. Minha mãe é costureira. A gente dependeu muito tempo do Bolsa Família”, contou. “Foram as políticas públicas que me colocaram dentro da federal. Ele foi a primeira pessoa que olhou para o filho de uma empregada doméstica, para o filho de uma costureira, e que pensou no diploma para essas pessoas. Então eu acho que não tinha como não ser Lula.”
De que lado o Brechando está
O Brechando nunca fingiu neutralidade e muito menos acreditamos na palavra imparcialidade. Desde o começo, este blog defende pautas progressistas na sua linha editorial: cultura como direito, memória, diversidade, serviço público e a vida de quem mora em Natal e no Nordeste. Por coerência com essa história, o Brechando declara apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A declaração é de posição, e o compromisso com a informação continua, portanto, o mesmo: os números desta matéria são os oficiais, e o leitor tem o direito de saber de onde a gente fala.


