Queria ter a saúde mental do meu avô que viu a extrema direita dominar no século XX

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Queria saber como meu avô aguentou crescer vendo o nazismo surgir, a extrema-direita nascer e ter ainda força, coragem e ainda determinação de continuar a viver, mesmo sabendo que o futuro seria incerto. Acho que é por isso que ele não teve medo de desemprego quando teve dois filhos no intervalo de um ano, uma vez que quando a Segunda Guerra terminou, o mesmo tinha 25 anos, estava vendo os Estados Unidos criar uma Base Militar em Natal e enquanto isso trabalhava como taxista para lá e para cá na capital do Rio Grande do Norte.

As válvulas de escape da população, na época, eram a boêmia e não os remédios psiquiátricos. Enquanto as mulheres, faziam filhos e cuidavam da casa. Não era para pensar ou sentir. O acesso de informações era pouco. Hoje, tenho que filtrar para não ficar doente.

Fico me perguntando o que ele diria, se estivesse vivo, que o partido da extrema direita da Alemanha voltou ao poder? Qual opinião dele ao saber que por quatro anos teve Governo Federal que venerava a antiga Ditadura Militar? Minha mãe fazia questão de dizer que descobriu que o país estava na ditadura após perguntar ao vovô Gilberto o porquê do adesivo “Brasil: Ame-o ou deixe-o” na parte de trás de um dos carros que avistaram nas ruas da cidade.

Provavelmente, ele diria que a educação falhou para os jovens que tem hoje a idade para ser bisnetos dele. Se eu estou chorando e com medo do futuro me aguarda, eu pensei como ele aguentou isso. Na verdade, ele tinha que seguir, porque tinha um trabalho e sobreviver. Afinal, voltar para o interior e aguentar a seca que estava assolando no Nordeste não era uma opção.

O que perguntaria ao meu avô sobre aquela época? Fiz uma lista:

  • Vocês tinham noção do que era Adolf Hitler?
  • O que você achou dos americanos chegando em Natal?
  • Mudou realmente a realidade da cidade?
  • Recebeu muita gente em seu táxi?
  • Você achava realmente o Hitler um cara ruim?

Tenho certeza que responderia uma por uma.

O que sei é pelos relatos de outros idosos da idade que ele teria se tivesse vivo. O Repórter Esso falava o tempo todo das barbaridades de HItler, do medo do avanço do comunismo, a expansão da União Soviética e uma ameaça de bomba nuclear. Por sinal, tudo que ele sabia da guerra, notícias do Brasil e do mundo, era por meio do rádio, que até a chegada da televisão na casa de mainha nos anos 70. Mamãe dizia que vovô podia não ter Ensino Médio, mas tinha pensamento crítico.

Estamos nas vésperas das eleições e o ultraconsservadorismo também está batendo nas nossas portas, como se o fim da humanidade estivesse dizendo um “oi”. E eu quero viver no mais alto de uma serra para se isolar, após apertar os botões da urna eletrônica.

Se tivesse, portanto, tido oportunidade de ter mais cinco anos com meu avô, perguntaria tudo isso que estou escrevendo.

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Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista e publicitária formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.
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