Fomos ouvir manifestantes o porquê de aprovar o fim da escala 6×1

Lara Paiva
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A proposta foi feita inicialmente pela deputada federal Erica Hilton (PSOL/SP) (Fotos: Lara Paiva)

Trabalhadores saíram às ruas no final da tarde quarta-feira (27) em Natal para protestar a favor do fim da escala de trabalho 6×1. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC), se aprovado (leia o final do texto deste post) em plenário na Câmara Federal, poderá proibir jornadas de seis dias de trabalho com apenas um de folga. Além disso, uma das propostas que vai para votação geral é que o limite máximo passará a ser de cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana.

A manifestação partiu do shopping Midway, fez uma pausa no supermercado Nordestão e encerrou na sede da Fiern. A escolha dos locais foi estratégica. O antigo dono do Midway, o empresário Flávio Rocha, declarou publicamente que a redução da jornada aumentaria o desemprego e seria prejudicial ao setor. O Nordestão foi escolhido em razão de processos trabalhistas que a rede responde. Já a Fiern representa o empresariado e o sindicalismo patronal no estado.

Mas afinal, quem foi às ruas? O Brechando acompanhou a manifestação de perto e conversou com os presentes. O perfil predominante era, portanto, de adultos entre 20 e 40 anos, contrários à exploração no trabalho. As mulheres eram maioria entre os manifestantes e também entre os entrevistados pela reportagem.

Trabalhadores de Natal explicam por que querem o fim da escala 6×1

“A escala 6 por 1 destrói a vida do trabalhador. Trabalhar seis dias na semana em apenas sete é muito desgastante e ainda mais para as mães trabalhadoras, que cumprem dois turnos por dia e um terceiro turno em casa. No final de semana também não há descanso para elas”, justificou Jane Araújo.

A jornalista e ativista política Nanda Pessoa destacou a importância do trabalhador ter direito ao descanso e, ainda por cima, não adoecer em decorrência do trabalho. “A gente está defendendo para os trabalhadores e trabalhadoras terem dignidade, direito a lazer, cultura, ter mais tempo com a família, poder aproveitar realmente e não falecer trabalhando”, alegou.

Sabrina Oliveira reforçou que a luta é pelo mínimo necessário à sobrevivência digna do trabalhador. Para ela, as jornadas impostas historicamente ao trabalhador brasileiro beiram o escravagismo. “A gestão que os empresários dão não faz o menor sentido”, criticou. Ademais, Sabrina destacou o peso desproporcional que a escala 6×1 impõe às mulheres, que além do trabalho formal ainda arcam com as tarefas domésticas sem remuneração. “Com essa escala 6 por 1, quem é que vai ficar com a família? Como é que a gente vai ter tempo com nossos filhos? Não tem como”, concluiu.

Miranda Júnior trouxe o olhar da juventude para o debate. Ele classificou a escala 6×1 como uma jornada danosa, que rouba do jovem trabalhador não apenas o descanso, mas também as possibilidades de conviver com a família e explorar novas atividades. “A vida não é só trabalho, a gente tem que aproveitar mesmo, investir o nosso tempo em outras coisas”, defendeu.

“Hoje é meu dia de folga. Amanhã volto para a escala”: o relato de uma moradora de Natal que vive o 6×1 na pele

Victória Martins foi à manifestação com uma motivação diferente da maioria: ela não está lutando contra uma realidade distante. Ela vive a escala 6×1 agora. A trabalhadora contou ao Brechando que hoje era seu único dia de folga da semana e que, no dia seguinte, retornaria à mesma jornada. Para ela, a mudança é necessária porque o trabalho não pode consumir tudo. “A gente não pode morrer de trabalhar. A gente tem que trabalhar pra viver”, afirmou.

Comissão Especial da Câmara aprova texto e envia proposta ao plenário. No mesmo dia, eles aprovaram no primeiro turno

No final da tarde, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou o texto do projeto e encaminhou a proposta ao plenário. A comissão referendou a versão do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O texto consolida duas propostas de redução da jornada semanal. A PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê 36 horas semanais após dez anos. A PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), estabelece o mesmo limite, mas com vigência após apenas um ano, adotando a escala 4×3: quatro dias de trabalho e três de descanso.

No plenário, ainda na noite desta quarta (27), os deputados votaram favoráveis no primeiro e segundo turno, Na primeira votação, os parlamentares aprovaram a proposta por 472 votos a favor e 22 contra. Já no último pleito, 469 contra 19 votos.

Agora, por fim, segue para análise do Senado (precisa ter 49 votos favoráveis no segundo turno), antes de poder ser promulgada.

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Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista e publicitária formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.
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