Mulan e seus 60 dias: desmame, desenvolvimento e reta final da rifa

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A data era 27 de julho de 2026. Deveria ser um dia comum até o vizinho bater no meu portão. Eu tinha adoecido, tomado remédio, faltei trabalho, ido descansar, e meu carro, estacionado na casa do meu namorado, guardava um segredo que eu não esperava: uma gata havia parido quatro filhotes dentro do capô. Durante a madrugada, a mãe fez o que muitas gatas fazem em situação de risco: salvou um dos filhotes e deixou os outros três na calçada.

Foi meu namorado quem tomou a decisão que mudaria os dois meses seguintes: recolheu os três filhotes e os levou para dentro de casa. No início, eu achei uma loucura, afinal tinha prometido que iria sossegar o resgate dos gatos desde o que aconteceu com Luzia. Logo, começava ali uma rotina de cuidados intensivos com recém-nascidos que eu nunca tinha imaginado enfrentar. Pesquisa sobre pesquisa, aprendemos a preparar fórmula para substituir o leite materno, a aquecer os filhotes com compressas de água morna, a limpá-los com gaze molhada e estimular suas necessidades fisiológicas, tudo que a mãe ausente não podia mais fazer.

Mulan suja de painha (Fotos: Lara Paiva)

Dez dias depois, veio o primeiro susto sério: os filhotes começaram a emagrecer de forma repentina. O diagnóstico foi duro, Panleucopenia, uma doença grave e frequentemente letal em gatos filhotes. Descobrimos, então, que eram um macho e duas fêmeas. Precisaram ser internados, tomar antibióticos, lutar para ganhar o peso mínimo que garantisse sobrevida. Só uma sobreviveu.

O nome que escolhi não foi por acaso. Mulan, como a personagem que se sacrifica para proteger a família, porque foi exatamente isso que aquela gatinha pareceu fazer, resistindo onde os irmãos não resistiram. Ficou mais de vinte dias internada, superando prognóstico atrás de prognóstico, até finalmente voltar para casa.

45 dias de Mulan e o pior já passou

De lá para cá, dois meses se passaram e a transformação me impressiona: de 100 gramas para quase um quilo. Já usa a caixinha de areia sem dificuldade, começou a comer ração e vou reduzindo aos poucos a quantidade de leite. Mas a recuperação ainda exige atenção da minha parte, a imunidade dela ainda é baixa, sequela da doença que quase a levou, e por isso o tratamento inclui probióticos, ração rica em proteína e fibra, e estímulo constante para que beba líquido.

Fora isso, ela é puro gatinho filhote: brinca com os meus pés, se derrete por brinquedos, ronrona, adora colo e não perdoa um mordiscado. Ela ainda não teve contato direto com os irmãos (leia-se, os gatos que já existiam na casa), a recomendação veterinária é esperar os dois meses de idade para aproximar os gatos, mas já trocam miados pela porta, como quem reconhece à distância o que viveram juntos.

Nem tudo foram só conquistas. Uma semana após receber alta, Mulan passou por outro susto: ficou constipada por três dias e meio. A ultrassonografia, por sorte, não mostrou nenhuma deformidade, e ela foi liberada para seguir com a ração.

A rifa continua

Almofadinhas de Mulan (Fotos: Lara Paiva)

A Rifa da Mulan, que criei para bancar os custos daquela internação que parecia não ter fim, está na reta final. São 300 números, cada um saindo por R$15, pagos via Pix (paivalara@ymail.com), e o prêmio é um Pix de R$1.500 para quem for sorteado. O resultado sai no dia 30 de setembro. Mais do que uma campanha de arrecadação, ela é o registro de uma aposta minha: a de que vale a pena lutar por quem cabe dentro de um capô de carro e ainda assim consegue sobreviver.

Observação importante: as 60 primeiras fichas já foram todas preenchidas.

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Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista e publicitária formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.
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