O ano era 1966, quando a primeira reportagem sobre surf veio à Natal pela primeira vez, dizendo as seguintes palavras: “Esporte milenar nas ilhas dos mares do sul, atual coqueluche do mundo ocidental que agora começa em Natal. ”. Estas foram as palavras de Cassiano Arruda Câmara, com fotografia de Anderson Lino, para Tribuna do Norte. Quando acompanhou o que seria os primeiros surfistas da capital potiguar, mais precisamente no bairro de Areia Preta, onde fica a tradicional praia de Miami. Até hoje, 60 anos depois, é paraíso dos surfistas da região.

De acordo com Cassiano, o surf começou nas águas do Rio de Janeiro e veio aos poucos na capital potiguar. “Todo fim de semana, a partir de meio dia e meio (sic), modifica a paisagem humana da praia”, comentou o jornalista. Entre os entrevistados de Cassiano estava o médico Túlio Fernandes Filho, que durante a folga dos plantões para surfar, no qual foi influenciado por filmes sobre o assunto.
Proibição do surf
Assim como o rock causou polêmica em Natal nos anos 50, o surf não seria diferente. “Os banhistas normais, que desejam apenas um mergulhinho ‘quadrado’ passaram a reclamar. E para proteger essas indefesas criaturas, o secretário Ulisses Cavalcanti, baixou portaria, proibindo a prática de surf antes das 17 horas”, disse a reportagem. Mesmo assim, o pessoal continuou surfando.
Apesar da justificativa de dizer que o surf pode “machucar” os banhistas por conta das pranchas de quase três metros, os surfistas argumentaram o que é perigoso mesmo é quando uma onda joga o atleta para longe e a corrente de água “arrasta a pessoa”, causando pequenas escoriações no próprio atleta mesmo.
Primeiras dificuldades
Na época, os surfistas que foram entrevistados comentaram que não tinham criado algum clube de surf para Natal e que tudo ainda era espelhado por meio das ações dos colegas do Rio de Janeiro.
Diante das dificuldades de importar uma prancha, os surfistas tiveram que construir a deles. Primeiro, achar um material ideal. Foram quatro tentativas. A primeira foi de madeira massiva, a segunda de isopor, terceira isopor com revestimento em madeira e a quarta foi madeira com revestimento de lona. Depois, aumentaram a curvatura da prancha para que pudessem flutuar nas ondas natalenses.
Caso não quisesse improviso, tinha que importar uma prancha de espuma de poliestireno com revestimento de fibra de vidro que na época era 300 mil cruzeiros, comprar no Rio de Janeiro ou comprar de terceira mão em Natal.
A moda não foi passageira, a medida que o ano passava outras pessoas foram adquirindo o surf, no qual vários cabeludos, como dizia Manoel Onofre Jr, já estavam dominando a Praia do Meio e Areia Preta. E, 60 anos depois, os surfistas de Miami ainda estão lá perpetuando o legado.


