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O texto era para terminar o setembro amarelo com meu depoimento sobre a importância de combater os problemas mentais, mas eu só resolvi postar agora.

Sempre coloco o despertador para tocar uma hora antes do horário normal que desperto. Meu corpo, normalmente, quer dormir, achando que vai ser rápido que acabarei com todos os meus problemas, desde os amorosos até os profissionais. Tem horas que fico eufórica de tão alegre, mas tem dias que fico chorando o tempo todo e a vontade é desaparecer (no sentido mais literal da palavra, mesmo).  Isso é o transtorno bipolar, algo que fui diagnosticada há 1 ano, após idas e vindas aos psiquiatras.

As marcas e cicatrizes com o meu corpo por não aceitar as frustrações da vida. Sempre acordo vendo as marcas das queimaduras que provoquei no meu braço, feitas no ano passado e quem observar melhor irão percebê-las.

Isto aconteceu após uma frustração, no qual eu tive uma crise de choro e ansiedade que me deixaram sentir um lixo.

Não é legal você chorar por relembrar das coisas que são mal resolvidas.

O não sempre foi presente em minha vida. Quebrando o argumento de que doença mental é coisa de gente mimada, tive uma educação liberal, mas ao mesmo tempo sempre tive limite necessário para não fazer coisas inconsequentes ou não serem éticas.

Sempre fui uma criança muito ansiosa, que tinha medos antecipados, ficava nervosa quando tinha que enfrentar um problema, não parava quieta, tinha dificuldade de prestar atenção em 30 minutos de aula (ficava desenhando ou escrevendo) ou tinha difícil relacionamento com as pessoas, resultando em bullying na escola ou falta de uma longa amizade em atividades extras.

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Minha saúde mental piorou durante o terceiro ano do Ensino Médio, quando queria passar de todo jeito no primeiro vestibular em jornalismo e as notas baixas e recuperações intermináveis, o medo de reprovar na escola e não exercer a faculdade logo de cara foi um prato cheio para ficar doente.

Sempre escondi do povo que fazia mal, chorava e dizia que passou, mas aquilo ficava remoendo dentro de mim e chegava a fazer piada.

Depois vi que a faculdade não foi a minha tábua de salvação e que a galera alternativa pode ser tão ruim quanto os playboys bullies da escola. Além de ter tido problemas familiares graves e a morte do meu avô paterno culminou em ter tido uma estafa próximo de concluir o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Foi a primeira vez que vi, com clareza, o porquê deveria parar de esconder o que sinto. O certo é soltar as suas emoções.

Por ser ansiosa, sempre fiz terapia de todos os tipos e jeitos, mas nunca acabou os meus problemas por completo. Várias vezes eu ouvi:

“Ela até que é legal, pena que é doidinha”.

Voltando sobre sociabilidade, a falta de engajamento social fez com que eu criasse vários problemas, desde a aparência até tentar encobrir certos comportamentos. Claro que escondendo nunca foi uma boa ideia, um dia estouraria e voltava a estaca zero.

Essa estaca zero me fazia ficar triste o tempo todo e ficar em casa, com medo, chorando e estava bastante deprimida com os acontecimentos. Esse ciclo é constante e agora tento enfrentar todos os dias da minha vida.

Qualquer coisa pode me deixar com a saúde mental esgotada, por isso tento trabalhar muito, mas dentro do meu limite. Chorei muito quando comecei a tomar remédios do psiquiatra, pois achava que poderia ficar sequelada o resto da vida, após muita leitura e calma, eu vi que eles são apenas complementos, assim como uma vitamina C quando está gripado.

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Ir ao psiquiatra e ao psicólogo, para mim, foi um momento mais difícil. Queria ser bem resolvida e não precisasse de ajuda e o primeiro passo é a aceitação.

Aceitar que você tem um problema e que o seu corpo por inteiro pode bugar um dia, com o cerébro não é diferente.

Ultimamente conhecer certos estágios da minha ansiedade e dos problemas que passo foi muito importante. Além disso, ter amigos de verdade e familiares que também sabem desses estágios também são coisas necessárias numa pessoa que tem depressão, transtorno de ansiedade, borderline e dentre outros problemas de saúde mental.

São eles que vão ser os pilares para te reerguer e estimule a eles soltarem para fora tudo que for ruim.

Se estiver ruim, escreva, pinta, toque, joga algo e se puder ter um momento só seu, tenha. A saúde mental só começa a melhorar quando a gente se conhece e começa a se amar.

O setembro amarelo acabou, mas a sua vida não.


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Sobre a autora

Jornalista formada pela UFRN, criou o blog em 2015 e não esperava que fosse fazer altas brechadas sobre Natal-RN e outras cidades que visitou. Gosta de trabalhar com a internet, mídias sociais, fotografar e escrever. Clique aqui para saber mais sobre mim.

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