Escrevo depois de 24 horas que defendi o mestrado pela segunda vez. Participar de dois programas de mestrados foi uma loucura. Irresponsável, talvez. Mas, a vontade de mostrar que não sou burra e sei estudar. Parece ser uma prova para a Lara de oito anos que foi vista como a burra da sala por não saber a tabuada e mesmo tendo aprendido que oito mais oito era dezesseis, o estereótipo que ficou.
Parecia uma prova de saber que sei escrever português, mesmo com as notas de redação no terceiro ano de Ensino Médio terem sido ruins e diziam que era ansiosa demais para passar no primeiro vestibular.
Após muita insistência fiz o mestrado. O primeiro foi em Psicologia Organizacional e do Trabalho, onde tive conhecimento de psicologia, relações humanas e comportamento do consumidor. Mas, o que mais gostei e voltei a minha essência foi o último que concluí: Estudo da Mídia. Eu fiquei quase três anos pesquisando sobre a estreia de “O Exorcista” em Natal analisando os jornais da cidade daquela época.
Foram períodos de mão dupla. Tanto pelo lado pessoal, que passei por mudanças significativas e relatadas diversas vezes por aqui. Do lado acadêmico, vi o amadurecimento dos meus textos e também da forma que estou apurando. Mais paciente, questionadora e também fazer e refazer diversas vezes. Desci do pedestal várias vezes, mas ao mesmo tempo virei certeza das minhas habilidades e também dos meus pontos fracos.
Fim do meu mestrado
Enquanto estudava Estudo da Mídia, eu particularmente não tive problema com a pesquisa em si, mas com os problemas em fazer amizade. Muitas vezes a minha empolgação com meus colegas era confundido com inconveniência ou má educação, passei por problemas de convivência. Ao mesmo tempo, conheci gente incrível no grupo de pesquisa, fiz amizades e inclusive teve altas aventuras em viagens de congresso.
Também vi que posso passar por revés, laudo questionado, haters questionando se vale a pena pesquisar sobre filme de terror e tudo isso tentando manter a mente sã, evitando ter a menor quantidade de crise possível. Tudo isso aconteceu graça a rede de apoio que tenho na minha casa, nas diferentes leituras e também nas observações.
Para mim o momento mais difícil do mestrado foi o último mês, período que tinha que fazer uma revisão quase que perfeita. No meio disso tinha que lidar com a frustação da recusa de um artigo que era ensaio do projeto de doutorado e a maternidade felina, quando três gatos nasceram no capô do meu carro.
Foram limites instalados, horas delimitadas, organização impecável, choros, e também muita força de vontade, lutando contra meu TDAH, uma vez que qualquer falha do meu déficit de atenção seria fatal para minha vida acadêmica. Lembro que no dia que terminei de revisar e colocar a última palavra da versão para defesa foi a primeira vez que gostei do que escrevi e senti que era isso que queria que os leitores lessem.
A defesa e virei mestre
A semana da defesa foi a mais difícil. Foram muitas emoções, problemas externos, internos e só o pole dance para tirar todo o meu estresse. Além disso, tive que acompanhar a Mulan, que prometemos visitar todos os dias para acompanhar o seu desenvolvimento. A escolha da defesa ser no dia 21 de agosto. Por dois motivos: 1) Aniversário de 11 anos da minha colação de grau; 2) última vez que minha avó paterna e tive momento espiritual.
Mais uma vez, acredito que vovó, onde quer que esteja, deve ter tido alguma força espiritual, porque fiquei calma. Logo, ela que morria de medo de alma e sempre espiritual. Mainha adorava falar que vovó me colocou a benzedeira para me benzer quando bebê, porque achava que alguém botou mau olhado em mim. Mesmo cética, minha mãe deixou a sogra chamar a moça para me benzer.
Vovó achava estranho por gostar de Família Adams e mesmo assim nunca julgou por gostar de coisas de terror ou rock.
Deu certo: virei mestre e a primeira dos dois lados da família que vieram do agreste potiguar. Era algo impensável alguém da família ir para faculdade, avalie ter mestrado.


