A ginga com tapioca é considerada um patrimônio imaterial do Rio Grande do Norte. Isto quer dizer que o prato é realmente original da terra e uma comida típica potiguar. Mas, você sabe quem criou este prato?
Tudo começou na praia da Redinha, que fica em Natal, quando dona Dalila nos anos 50 e 60 resolveu criar um prato diferente. Consiste em um peixe parecido com sardinha, a ginga, no qual fritava com azeite de dendê, envolto em fubá, e colocava os peixinhos em um espetinho (geralmente 10 deles). Posteriormente, eles recheavam numa tapioca como se fosse um sanduíche.

Dona Dalila em uma reportagem no Diário de Natal com o ex-político João Faustino, no qual entrega uma ginga com tapioca
A ideia veio para criar uma iguaria ao bar que fica até hoje no Mercado da Redinha e começou a agradar não só aos natalenses, como também as pessoas que passavam o veraneio na praia.
O começo
Tudo começou quando o pescador Geraldo Januário, marido de Dona Dalila, costumava comprar peixes na praia da Redinha para a venda. Então ele reparou que existia peixes pequenos nas praias que ficavam desperdiçados, enterrados e obtidos por pessoas mais pobres. Decidiu então comprar esses peixes, tratar e enfiá-los em palitos de coqueiro. A partir disso, sua esposa, Dona Dalila, fritava esses peixes e fazia as tapiocas, fazendo uma combinação que na época associava como sanduíche da ginga com tapioca ou sanduíche de marinheiro.
Quem continua com a atividade
Após a morte da mãe, em 1990, dona Ivanize Januário contionou as atividades da mãe e de seu pai, seu Geraldo Preto, em realizar o prato e defender a Redinha.
Em 19 de dezembro de 2018, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou um projeto de lei, que entrou em sanção pelo Governo do Rio Grande do Norte conferindo à ginga com tapioca o título de Patrimônio Cultural do Rio Grande do Norte. Ela, que já era Patrimônio Imaterial da capital desde 2016, agora figura oficialmente como parte da cultura e da história também do estado.
Hoje, o legado continua com os netos de Dona Dalila que sempre lutaram pela permanência do Mercado da Redinha e também da ginga. Elas fornecem o prato no Bar da Nega e Dalila no Box 31


