Nordestino discos raros

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Hoje é dia do Nordestino e, primeiramente, é um momento mostrar orgulho da nossa terra, desde as belezas naturais até as nossas manifestações culturais. Além disso, eu resolvi utilizar este texto como mote principal discos de artistas de cada estado, no qual me identifico eventualmente com cada trabalho.

Por isso, o Brechando escolheu 9 artistas de cada estado do Nordeste para ter orgulho e os álbuns que eu mais gosto deles, explicando sua origem e o porquê deles serem tão raros. Confira, portanto, a lista completa a seguir:

1) Maranhão

A maior cantora de blues do Brasil se chama Alcione e ela é natural do Maranhão. Sua voz grave e potente, fez ela atingir altos voos e digo ainda mais: se fosse nos Estados Unidos, ela estaria no mesmo nível que Nina Simone. Um dos discos que mais gosto da artista é “Alerta Geral”, o quarto álbum de estúdio da cantora brasileira Alcione, lançado em meados de 1978 pela gravadora Philips, que traz ritmos da região e samba. A mesma interpreta desde canções de Gilberto Gil até João do Vale.

https://www.youtube.com/playlist?list=PLrt7VbxNS8rdZNa3cTr_Sm3RBVO3Z4pB7

2) Piauí

Em Piauí foi difícil de escolher, mas falar do estado sem mencionar Torquato Neto seria um sacrilégio. Apesar da fama de escritor e compositor, Neto lançou um disco que hoje é uma raridade, “Os últimos dias de Paupéria”. Por conseguinte, o disco transformou-se em livro. Na verdade, este é um compacto com canções compostas por ele e cantada por Gilberto Gil e Gal Costa.

3) Ceará

Falar do Ceará e não mencionar “Alucinação” de Belchior seria um sacrilégio. É o segundo álbum do artista e vendeu 30 mil cópias em apenas um mês. O disco do cantor cearense impressiona mais por suas extensas letras narrativas, ao estilo de Bob Dylan. Também é elogiada a sólida base sonora do álbum, que se divide entre o blues, o country, o baião e o rock.

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4) Rio Grande do Norte

Para representar o Rio Grande do Norte, nós escolhemos o disco mais famoso das bandas de rock da terra, “Lágrimas Azul“. O disco do Impacto Cinco é raro e bastante procurado não só nas terras brasileiras, mas também em sites estrangeiros. A gente já falou da importância deste álbum para a música potiguar e como trazia uma sonoridade a frente do seu tempo.

5) Paraíba

Também escolhemos falar de raridade ao representar à Paraíba, terra que passei boa parte da minha infância. Adoro o disco “Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol”,de Lula Côrtes e Zé Ramalho. Seu lançamento aconteceu em 1975 pela extinta gravadora Rozenblit.É um dos discos mais raros do Brasil, que contém uma grande miscelânea de gêneros musicais como o rock psicodélico, jazz, e ritmos regionais do Nordeste Brasileiro.

Em bom estado de conservação, um disco da edição original vale em torno de 4 mil reais, sem contar que vem acompanhado de um livro que traz estudos sobre a região e informações sobre a lenda do Caminho da Montanha do Sol.

O álbum teve prensagem única de 1.300 exemplares. Destes, em torno de 1000 se perderam em uma enchente que ocorreu em Recife, no

6) Pernambuco

Quando um amigo disse que ao escutar “Espelho Cristalino”, de Alceu Valença, iria mudar minha vida, realmente mudou. O quarto disco do cantor é de 1977 e traz a parte mais criativa de Alceu, misturando ritmos característicos do Nordeste com o Rock and Roll. O disco foi relançado juntamente de Molhado de Suor e de Vivo! em vinil pela Polysom em 2016 em um box especial com toda a fase do cantor nos anos 70 pela gravadora mais o inédito Saudades de Pernambuco gravado no seu autoexílio em Paris no ano de 1979.

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7) Alagoas

Quando pensamos em Alagoas, pensamos rapidamente em Djavan. Um dos discos mais célebres do artista é o “Luz”, que tem boa parte de seus sucessos, como “Açaí” e “Sina”. Uma das curiosidades deste disco é que a canção “Samurai” foi composta durante as gravações em Los Angeles e contém participação do músico norte-americano Stevie Wonder, fazendo dueto com Djavan na gaita.

8) Sergipe

Um pouco mais modernos que os artistas mencionados nesta lista, o The Baggios é bastante mencionado na cena alternativa brasileira, indo para os festivais de música, como o Loolapalooza. Eles misturam o blues e o rock dos anos 1960 e 1970 somados a estilos tipicamente brasileiros. Além disso, o nome da banda surgiu em homenagem a um músico andarilho da cidade histórica de São Cristóvão; um artista que influenciou uma geração inteira de jovens locais e que ficou conhecido como Baggio, depois de sucumbir à loucura.

Mas, o álbum deram o reconhecimento foi o “Sina“, que recebeu elogios da mídia.

9) Bahia

Este foi difícil de escolher um álbum que representasse, visto que o estado é um celeiro de muitos artistas, tanto que recentemente abriram um museu. A escolha foi bem particular, visto que “Transa” mostra um Caetano Veloso exilado e triste por está longe do seu país a força, com medo de ser preso pelos militares. Por isso, as canções misturam com rock inglês e elementos baianos. O disco completa 50 anos no ano que vem.


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Jornalista formada pela UFRN, criou o blog em 2015 e não esperava que fosse fazer altas brechadas sobre Natal-RN e outras cidades que visitou. Gosta de trabalhar com a internet, mídias sociais, fotografar e escrever. Clique aqui para saber mais sobre mim.

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