Dermi Azevedo

Tempo de leitura: 3 minutos

Nesta semana, o jornalista potiguar Dermi Azevedo faleceu vítima de um ataque cardíaco, informação teve a sua confirmação  pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH). Apesar de ter sair da vida terrena, a sua história deve ser continuada e por isso vamos falar novamente do militante, que lutou a vida inteira para provar que seu filho foi torturado na Ditadura Militar quando tinha um ano, embora ainda há poucos registros de que crianças foram torturadas no período de 1964-1985.

Por conta das torturas do passado, ele era portador do Mal de Parkinson.  

 

O crime com Dermi Azevedo e filho

Dermi já estava preso na madrugada do dia 14 de janeiro de 1974, quando a equipe do delegado Sérgio Fleury chegou à casa onde Darcy, sua ex-esposa, estava, em São Bernardo do Campo, levando o bebê do casal. Os policiais derrubaram a porta.

A tortura começou primeiramente quando um deles se irritou com o choro do menino, que atirou-o ao chão, provocando ferimentos em sua cabeça

O Carlos Alexandre nunca se recuperou. Aos 37 anos, teve reconhecida sua condição de vítima da ditadura e recebeu uma indenização, mas nunca pôde trabalhar regularmente.

Ainda menino, segundo relato da família, sofria alucinações nas quais ouvia o som dos trens que trafegavam na linha ferroviária atrás da sede do Dops.

Carlos, por conseguinte, cometeu suicídio em 2013, aos 40 anos de idade. Nas redes sociais, Dermi tinha comentado que o ato foi o limite da angústia do filho.

Um ano após a morte do filho, o jornalista enviou uma carta aberta ao site Carta Maior, que você pode ler neste link.

Nesta semana, Dermi descansou da sua luta para denunciar as torturas que seu filho sofreu.

 

Antes de morrer, Carlos Alexandre conversou com a revista Istoé

Carlos falou que a família nunca recuperou do trauma. O filho de Dermi apenas decidiu revelar sua história, com exclusividade, à ISTOÉ depois que o seu processo de anistia foi julgado pelo Ministério da Justiça. No dia 13 de janeiro, ele foi declarado “anistiado político”.

As pessoas sabiam que o que eu vivi foi verdade”, alega. “A indenização não vai apagar nada do que aconteceu na minha vida. Mas a anistia é o reconhecimento oficial de que o Estado falhou comigo. Para mim, a ditadura não acabou. Até hoje sofro os seus efeitos. Tomo antidepressivo e antipsicótico. Tenho fobia social.”, disse na época, no ano de 2010.

Ele descobriu o próprio passado ao remexer em gavetas, aos 10 ou 11 anos de idade. Misturado a fotografias antigas e a uma porção de papéis, encontrou o desenho de uma vaquinha, conhecida na época por simbolizar a “esperança”, com o seguinte recado: “Deops 1974: Quando você ficar mais velho, seus pais vão te contar a sua história.” Parte do sofrimento da infância lhe foi revelada pela mãe. 

“Em certos momentos, tive raiva porque meus pais expuseram os filhos. Mas depois senti orgulho porque eles lutaram contra os abusos dos militares e fazem parte da história do Brasil”, diz.

A entrevista completa, portanto, está disponível aqui

 

Sobre crianças torturadas na Ditadura

Sobre Dermi Azevedo


Nasceu em 1949 em Jardim do Seridó, porém foi criado na cidade de Currais Novos. Ainda mais, sempre uniu a comunicação social, a igreja Católica e a luta em favor dos Direitos Humanos.

A sua militância surgiu ainda estudante, quando foi do Direitório Acadêmico Dom Hélder Câmara, da Escola de Serviço Social, depois transferiu-se para o curso de Jornalismo.  Em 1968, com outros líderes estudantis potiguares, participou do XXX Congresso da UNE, onde viveu sua primeira prisão política; assim retornou a Natal e diante da impossibilidade de permanecer em seu Estado, regressou ao Sudeste do país exilando-se depois no Chile em 1970 e 1971. Voltou ao Brasil e foi novamente preso em 1974 por duas vezes.

Depois de ganhar a liberdade, a família mudou várias vezes de cidade, em busca de um recomeço

Sobre este período, ele lançou, portanto, o livro “Nenhum Direito A Menos”, que tem como subtítulo “Direitos Humanos – Teoria e Prática”, pela Giramundo Editora. Além disso, tem uma outra publicação chamada “Travessias Torturadas”, que relata a sua história durante os anos de chumbo.


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Sobre a autora

Jornalista formada pela UFRN, criou o blog em 2015 e não esperava que fosse fazer altas brechadas sobre Natal-RN e outras cidades que visitou. Gosta de trabalhar com a internet, mídias sociais, fotografar e escrever. Clique aqui para saber mais sobre mim.

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