Rafael Jackson

Rafael Jackson: Artista lança primeiro disco

Este é o lançamento do primeiro disco do Rafael Jackson, que se chama ”Ensaio dos Vendavais”. Atualmente, ele vive em Macaíba e já participou de projetos locais, como a banda Igapó de Almas, Diniz K9, além do baiano de Senhor do Bonfim, radicado cearense, Felipe Wander.

Não se pronuncia “jaquisson” e sim “jéquisson”. A homenagem é ao Rei do Pop, Michael Jackson, que a sua mãe é bastante fã. Na cidade de Macaíba, Rafael integrou a banda Macacos Elétricos em 2006 e Canaflor e Movimento em 2010.

Em seguida partiu para uma viagem de dois anos ao Qatar, onde apresentou repertório de música brasileira em eventos na cidade de Doha. No ano de 2016 retornou para Natal e desde então vem lapidando suas criações como letrista, instrumentista e produtor, sempre colaborando  com diversos projetos. ‘

O disco, do selo Rizomarte Records, possui 10 canções de sua autoria e conta com as participações de Luísa Nascim, Clara Pinheiro, Aiyra, Dani Lucass, Jennify C., Sérvio Túlio, Alberi Jr. e Felipe Wander. Soma-se ao time o produtor musical Walter Nazário, responsável pela mixagem e masterização das faixas. 

Capa do disco de Rafael Jackson (Foto de Capa: Pedro Medeiros / Design Gráfico: Marília Lins)

Idade nunca foi o problema

Idade é apenas um número, pois o artista começou seu disco solo apenas aos 35 anos. Logo, Rafael Jackson oferece ao ouvinte um trabalho maduro em termos sonoros e poéticos. De acordo com a Rizomarte, em release enviado à imprensa, o álbum combina três elementos fundamentais: a força poética e melódica de um cancionista inspirado; a sabedoria rítmica afro-brasileira e a sofisticação harmônica na construção dos arranjos.

O que fala as letras de Rafael Jackson

Variando entre diferentes atmosferas, as músicas narram vivências, pensamentos, sensações e questionamentos presentes no caminho de vida do artista. Por meio de experimentação com programações eletrônicas, percussão, sintetizadores e timbres de guitarra, o resultado é pop no melhor sentido do termo. Música preta contemporânea ao seu tempo, incisiva, que faz dançar e pensar. 

O processo criativo de ”Ensaio dos Vendavais” começou em meados de 2020 na Pandemia e se estendeu até o final de 2022, contando com apoio do Sebrae/RN na fase de finalização. Além disso, as gravações aconteceram na casa de Jackson, onde ele tem estúdio, e no estúdio Tapete de Pavão. Alguns instrumentistas também foram convidados para adicionar elementos em algumas faixas, é o caso de Pedro Regada, Henrique Geladeira, Magno Alexandre, Tássio Viana, Carlos Tupy e Aiyra.  

Opinião de Rafael sobre o disco

”É uma realização como artista e como pessoa, foi construído em momentos muito intensos da minha vida, é a primeira vez que consigo falar sobre coisas sensíveis através da música. Além disso, o isolamento social na Pandemia possibilitou um momento meu mais íntimo com os processos de produção e gravação. Enfim, é um sonho realizado com muita gente especial envolvida”. 

disse o artista.

Para escutar o disco é só clicar aqui.

Graffiti em Macaíba

Grafitando os muros da cidade de Macaíba

Ao sair das nossas casas depois da quarentena devemos aproveitar os espaços urbanos para deixar colorido. Uma semana antes do período de isolamento, a artista Sunsara, que mora em Macaíba, resolveu reaproveitar um beco abandonado no centro da cidade, no qual a prefeitura chama de Travessa Santo Antônio.  Lá, ela junto com a equipe Arte & Solidariedade fez um mutirão de Graffiti, onde eles deixaram colorido o então conhecido Beco do Mijo,  que o nome deixa bem claro o porquê que as pessoas o chamam assim, porque as pessoas utilizam esse espaço para urinar e jogar os seus lixos.  Além de deixar o muro colorido e com menos cheiro de ácido úrico, eles estavam fazendo campanha para estimular a adoção de animais abandonados, além de angariar rações para os abrigos. “O movimento em Macaíba é coletivo e isso é muito bom, porque a galera realmente ajuda”, comentou a artista suja de tinta, mas animada com o que estava fazendo.

As artes eram variadas desde mensagens de amor, mas também tinha seres místicos,  mensagens para proteção de animais e dentre outras imagens.

Em torno de 15 artistas colocaram a mão na massa, pincéis, sprays e tintas para deixar o muro bem mais colorido, chamando atenção dos macaibenses que circulavam na região. O ambulante Francisco Soares parou o que estava fazendo para observar os artistas. “Ás vezes a visão do pintor pode ser diferente da minha, mas eu estou gostando dos desenhos que estou vendo no muro, só que em Parnamirim. Tenho amigos que fazem essa arte e admiro bastante, aqui está pouco graffiti”, afirmou.

Graffiti em Macaíba
Artistas resolveram grafitar os muros de Macaíba (Fotos: Lara Paiva)

A ação contou com uma participação especial, o Caleb Victor tem oito anos e gosta de desenhar bastante, o dia foi perfeito para pintar as paredes. “Em casa não posso pintar a parede, somente nos cadernos. Amo desenhar e pintar, mas a parte que mais gosto mesmo é pintar”. Ao perguntar quais são suas pinturas, ele rapidamente me chamou e mostrou desenho por desenho. As frases mais comuns eram: “Esse eu fiz”, “Aquele ali coloquei só a marca da minha mão mesmo” e “Aquele ali tive ajuda do meu pai”. Algumas das obras do Caleb podem ser vistas a seguir:

Graffiti em Macaíba

Graffiti em Macaíba
“O que é isso, Caleb?”, eu questionei. O mesmo rapidamente respondeu: “Era para ser um disco voador”.

Com música alta e com muita alegria, as pessoas sempre paravam para olhar, no entanto nem sempre foi feito de forma respeitosa. “Passou uma pessoa tentando convencer a ir no protesto de 15 de março e ficou chamando a gente de comunista (risos), mas a maioria vem e chega nos apoiar”, esclareceu a Sunsara, que prometeu fazer mais ações similares.

Graffiti em Macaíba
Além de organizar, Sunsara deixou a sua marca no conhecido Beco do Mijo (Fotos: Lara Paiva)

A galera de Natal também apareceu. A Júlia Donati é uma artista e tatuadora que resolveu dar uma contribuição, além de deixar a sua marca na Grande Natal. “Encontrei com Sunsara no Beco da Lama e comentou que faria um evento de Graffiti em Macaíba. Logo me empolguei e como acho importante dominar os espaços urbanos da região Metropolitana, principalmente o graffiti, eu resolvi participar”, disse a jovem.

Graffiti em Macaíba
Júlia deixando a sua marca no Graffiti (Fotos: Lara Paiva)

Confira as fotografias do Graffiti em Macaíba a seguir:

corrida de rolimã em São Gonçalo do Amarante

Dia que participei de uma corrida de rolimã em São Gonçalo do Amarante

Alguns gostam de brincar de kart, porém o carrinho de rolimã ainda é uma tradição entre os brinquedos, principalmente quem quer uma aventura em descer numa ladeira em alta velocidade. Nos primórdios de um skibunda, o rolimã esteve presente na brincadeira da criançada, desde a confecção até em altas corridas na rua com os amigos. Para resgatar esse espírito de nostalgia, um grupo de moradores em São Gonçalo do Amarante, região Metropolitana de Natal, criaram a Corrida de Rolimã, que em 2019 entrou em sua sétima edição. Além de ser uma competição, a competição é um momento de confraternização com os moradores do Jardim Lola.

O que era para ser apenas uma brincadeira entre vizinhos, virou um evento que está na agenda da cidade.  Todos vão para a rua Humaitá para ver os competidores descendo de ladeira abaixo com os seus carrinhos de rolimã.

A competição é dividida em duas modalidades: infantil e adulto. As regras, no entanto, são as mesmas. De acordo com a organização, são escolhidas duplas para competir em uma partida de melhor de três. O competidor que vencer, vai para a próxima fase. Até sobrar uma única dupla, no qual é escolhido o vencedor. Praticamente, a segunda fase do Brasileirão, conhecido como Mata-Mata. São várias técnicas para deixar de correr com o carrinho de rolimã.

Após dois anos que cobri a primeira vez do evento, eu resolvi fazer uma pesquisa mais empírica e quis saber como é descer numa ladeira em um carrinho de rolimã a partir de uma competição entre os jornalistas. Esta é mais uma aventura postada no Brechando Vlog, cujo vídeo pode ser assistido a seguir:

As fotos da competição desse ano podem ser conferidas a seguir. As fotografias da corrida de rolimã em São Gonçalo do Amarante são de autoria de Lara Paiva e José Armando:

De onde surgiu o nome “Parnamirim”?

Parnamirim é uma cidade vizinha de Natal, no qual as duas estão tão próximas, parecendo que são a mesma coisa. A cidade que surgiu através da Base Militar nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, nos anos 40. Porém, a cidade de Parnamirim surgiu apenas em dezembro de 1958 e por que esse nome surgiu ? Por isso, o Brechando contará a história de seu nome e como surgiu o território, que começou ainda no período colonial.

Durante a Invasão Holandesas, existe registros a respeito da doação de extensas áreas a capitães-mores, no qual mapas apontam a região do rio Pitimbu. Mas, as terras ficaram inaproveitadas por séculos e apenas 1881, a região foi cortada pelos trilhos da linha férrea entre Natal e Nova Cruz, seguindo de perto o traçado do velho caminho para a Paraíba e o Recife. Sabe-se também que as terras ao sul do Pitimbu estavam, em 1889, nas mãos do senhor do Engenho Pitimbu, João Duarte da Silva. Posteriormente, o fidalgo comprou a maioria das propriedades vizinhas, incluindo uma grande área de tabuleiro plano ao sul do rio que dava nome à propriedade, distante 18 quilômetros de Natal. A área era conhecida como a planície de Parnamirim e fazia parte do Engenho Cajupiranga.

De acordo com Luís da Câmara Cascudo, em seu livro “Nomes da Terra”, o nome vem de tupi-guarani “Paranã-mirim”, que significa pequeno parente do mar ou pequeno rio-veloz, expressão que os Índios Potiguaras diziam em um pequeno pedaço de rio que talvez tenha desaparecido ao longo do tempo.

Em 1927, o português Manuel Machado (o marido da Viúva Machado) passou a ser o novo dono das terras do Engenho Pitimbu, que se estendiam dos limites com os Guarapes, Macaíba, ao norte, e as terras do Engenho Cajupiranga, ao sul. Ele adquiriu fazendas, sítios, engenhos e terras férteis, mas também áreas extensas e desabitadas. Com a posse das terras não esperava ganhar nenhum título nobiliárquico, mas apenas que a cidade crescesse e exigisse novos espaços para moradias.

No entanto foi em meio à aventura dos pioneiros da aviação civil que Parnamirim nasceu. Em 1927, foram abertas diversas rotas aéreas no Brasil. Para isso, foram escolhidas algumas áreas ao longo dessas rotas a fim de que se pudesse ser instalada uma rede de aeroportos.

Dessa forma, a Compagnie Generale Aéropostale (CGA) instalou o campo de pouso numa área doada pelo então dono da maior parte das terras pertencentes ao comerciante Manuel Machado, que contava com a imediata valorização do restante da sua propriedade. Nesse mesmo período, foi construída “uma estrada de rodagem, ligando Natal ao campo de aviação em Pitimbu”, facilitando, assim, a instalação da Aéropostale no Estado. Essa estrada, na verdade, era uma estrada carroçável que saía do caminho que levava ao porto dos Guarapes, em Macaíba, passava pelo engenho Pitimbu e acompanhava a linha férrea Natal/Nova Cruz, até o novo campo.

Nos anos seguintes, com a expansão das atividades da Aéropostale, que viria a ser absorvida em outubro de 1933 pela Air France, Manuel Machado vendeu novos pedaços de terra para a ampliação do “aeroporto de Parnamirim”.

Em 1933, a Air France absorveu todas as companhias privadas de aviação civil. Novos investimentos foram feitos no campo e a companhia estatal francesa transferiu os hangares e demais instalações para o outro lado da pista de pouso, onde hoje estão as instalações da Base Aérea de Natal, o Aeroporto Augusto Severo.

Com o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, o governo Vargas se viu forçado a assinar um acordo de defesa mútua (julho de 1941), ceder as áreas para a instalação de bases norte-americanas no Nordeste (outubro de 1941), romper relações diplomáticas com a Alemanha, Itália e Japão (janeiro de 1942) e, por fim, em 22 de agosto, declarar guerra aos países do Eixo. A construção das bases naval e aérea, em Natal, seria fruto desses acordos.

O governo criou por decreto a Base Aérea de Natal, que daria o impulso decisivo para o surgimento da cidade de Parnamirim. A pista de pouso das companhias comerciais dividia ao meio o campo de Parnamirim. Os brasileiros ficaram com o lado oeste, onde já estavam as instalações da Air France e da companhia de aviação italiana (LATI), desativadas desde o início da guerra na Europa. Eram instalações modestas demais para atender o esforço de guerra dos aliados e os americanos preferiram ocupar o lado leste. Lá, eles estavam construindo um novo campo, a Base Leste: Parnamirim Field, o maior campo de aviação e base de operações militares que os Estados Unidos viria a ter, durante a Segunda Guerra, fora do seu território.

Somente em outubro de 1946, dezessete meses após a rendição da Alemanha, a Base Leste foi entregue a Força Aérea Brasileira. No mesmo ano foi inaugurada a Estação de Passageiros da Base Aérea de Natal, elevada à condição de Aeroporto Internacional Augusto Severo, em 1951. Em 23 de dezembro de 1948, foi criado e anexado ao município de Natal o distrito de Parnamirim, elevado à categoria de município apenas dez anos depois, em 17 de dezembro de 1958, desmembrando-se da capital.

Para não deixar o Brasil por fora dos conhecimentos tecnológicos que a corrida espacial certamente traria à humanidade, o presidente Jânio Quadros criou a Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CNAE). Como conseqüência, em 12 de outubro de 1965, o Ministério da Aeronáutica oficializou a criação do Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno (CLBI), instalado em área do município de Parnamirim, e que nos dez anos seguintes, deu a Natal a fama de “Capital Espacial do Brasil”, desenvolvendo vários projetos internacionais em parceria com a NASA. Um dos motivos que levar am à escolha do Nordeste para a instalação de uma base brasileira de lançamento de foguetes já é conhecido e comprovado pela sua posição estratégica em relação ao tráfego aéreo entre a Europa, Norte da África e Estados Unidos.

Em 1973, sem consulta à população local, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte mudou o nome do município para “Eduardo Gomes”. Em 1987, um movimento que reuniu mais de quatro mil assinaturas levou à assembleia a devolver o nome inicial à cidade: Parnamirim.