Glaucoma em Natal

Como anda os casos de Glaucoma no Rio Grande do Norte

O dia 26 de maio é considerado o dia de prevenção ao glaucoma. Para quem não sabe, é uma doença na região dos olhos muito comum, embora seus resultados podem ser desastrosos se não houver tratamento. Além disso, a sua principal consequência é a pressão do nervo óptico, fazendo com que aumente a pressão dentro dos olhos. Como resultado, desenvolve-se a cegueira. E, inclusive, a perda de visão pode ser feita de forma lenta, no decorrer de meses ou anos, sem demonstrar nenhum sintoma. Por ser uma doença crônica, não tem cura. No entanto, pode ser controlada.

Dados da doença glaucoma no Rio Grande do Norte

O problema atinge cerca de 65 milhões de pessoas no planeta e é motivo de 4,5 milhões de casos de perda total de visão. No Brasil, mais de 1 milhão de pessoas têm a doença, sendo que quase a metade desconhece sua condição por ser um transtorno de evolução silenciosa, sem dor ou incômodo em sua fase inicial.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, os casos de internação por glaucoma entre os últimos 10 anos somam-se 8188, sendo boa parte é acometida por mulheres (4208). Representando quase 25% da população nordestina.

A faixa etária de maior frequência no Brasil e em todos os estados foi entre 60 a 69 anos e os anos de 2016 e 2017 revelaram uma maior quantidade de notificações dos casos. Todos os dados coletados acima foram por meio do Datasus, que guarda os dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entretanto, deve começar a ficar de olho nas pessoas acima de 40 anos, portadoras de diabetes, alta miopia ou aquelas que já sofreram algum tipo de trauma ocular ou doenças intraoculares. Eles têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Outro ponto importante é o histórico familiar, pois 6% dos indivíduos com glaucoma já apresentaram outro caso na família.

Pesquisadores da UnP estão desenvolvendo um remédio

Pesquisadores potiguares desenvolveram novas composições para o tratamento do glaucoma, através da nanobiotecnologia. Como resultado, gerou um produto de absorção mais fácil na superfície ocular do que os fármacos convencionais.

A pesquisa foi realizada pelos professores do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da UnP (PPGB-UnP), doutora Maria Aparecida Medeiros Maciel e doutor Francisco Irochima Pinheiro, idealizadores do projeto. Juntos desenvolveram composições oftálmicas a base de cloridrato de pilocarpina (CLPC) encapsulado por meio da nanobiotecnologia. Além disso, os novos formulados de CLPC têm liberação lenta e prolongada com maior adsorção e absorção na superfície ocular, além de minimizar os efeitos colaterais e adversos, se comparados aos fármacos tradicionais.

Acaba os efeitos colaterais

Os medicamentos tradicionais causam dor de cabeça, ardor, coceira, vermelhidão e irritação nos olhos, o que leva muitos pacientes a abandonarem o tratamento. Já os medicamentos da universidade privada, o nanobioformualdos desenvolvidos à base de CLPC, além de apresentar uma maior absorção na superfície ocular é atóxica, o que os torna menos invasivos ao tratamento do glaucoma.

A pesquisa conta com a parceria da empresa Ophthalmos S.A. especializada em desenvolver fórmulas e medicamentos oftalmológicos, com atuação no mercado farmacêutico desde 1983. A empresa aprovou a pesquisa. Sem contar que ressaltou que o cloridrato de pilocarpina, no qual já se vende para uso oftalmológico na sua forma não encapsulada, tendo, portanto, credibilidade no mercado farmacêutico. Agora, eles vão atuar como parceiros nas pesquisas do fármaco na sua forma encapsulada.

Também integram as pesquisas, os professores doutores Francisco Humberto Xavier Júnior (PPGB-UnP) e Heryka Myrna Maia Ramalho (PPGB-UnP), juntamente com o doutorando Joherbson Deivid dos Santos Pereira do PPGB-Rede Renorbio (Nucleadora UFRN) e ainda mais conta com a presença da colaboradora de pesquisas Dra. Maria Beatriz Mesquita Cansanção Felipe.

Os sintomas do Glaucoma

Existem dois sinais do glaucoma: a pressão intraocular acima da média e as alterações no nervo ótico, ambos perceptíveis somente ao exame do oftalmologista. Esses fatores podem contribuir no diagnóstico da doença.

O tratamento do glaucoma varia de acordo com a manifestação no paciente. Geralmente o tratamento é clínico, realizados com colírios e medicamentos via oral. Em alguns casos é necessária a intervenção cirúrgica ou a laser.

O infográfico sobre Glaucoma

A seguir, portanto, tem informações dos tipos de doença, os principais sintomas e como se prevenir.

Glaucoma em Natal

mortalidade materna

RN é o 3º estado nordestino com menor casos de mortalidade materna

A mortalidade materna ainda é uma realidade no Brasil, apesar das campanhas do pré-natal para as gestantes. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil conseguiu primeiramente reduzir em 8,4% entre 2017 e 2018 a Razão de Mortalidade Materna (RMM), um dos principais indicadores de qualidade de atenção à saúde das mulheres no período reprodutivo.

Em 2018, a RMM no país foi de 59,1 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos, enquanto no ano anterior era de 64,5. Os números estão em boletim epidemiológico do Ministério da Saúde divulgados na mesma semana em que se comemora o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.

Afinal, o que é a mortalidade materna?

Óbito materno é definido como a morte de uma mulher, ocorrida durante a gestação, parto ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, por qualquer causa relacionada com a gravidez, não incluídas causas acidentais ou incidentais. Porém, nem todo óbito materno é registrado corretamente no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). As mortes maternas podem ser após o parto ou puerpério, chamada de obstetrícia direta, que corresponde 64% dos números registrados.

29% veio por obstetrícia indireta. Quer dizer, contraiu alguma doença na maternidade que resultou em usa morte. O novo coronavírus fez muitas mulheres a morrerem após o parto.

Muitas vezes, as causas declaradas registram a causa terminal das afecções ou lesões que sobrevieram por último na sucessão dos eventos que culminaram com a morte, o que mascara a causa básica e dificulta a identificação do óbito materno.

A redução da mortalidade materna no Brasil é ainda um desafio para os serviços de saúde e para a sociedade como um todo. As altas taxas encontradas se configuram um grave problema de saúde pública, atingindo desigualmente as regiões brasileiras, com maior prevalência entre mulheres das classes sociais com menor ingresso e acesso aos bens sociais. Se configura como uma das mais graves violações dos direitos humanos das mulheres, por ser uma tragédia evitável em 92% dos casos e por ocorrer principalmente nos países em desenvolvimento.

A meta da Organização das Nações Unidas (ONU) é que as mortes maternas sejam 30 mulheres a cada 100 mil habitantes. Como resultado, o número de vítimas no Brasil ainda é um pouco superior.

Nordeste reduziu os casos

Os maiores percentuais de redução foram nas regiões Norte e Nordeste, no qual juntos reduziram quase 17,4% dos casos brasileiros. Na região Nordeste, os casos registrados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que os óbitos acontecem entre 68 mulheres para cada 100 mil habitantes.

Já a região Centro-Oeste registrou um aumento de 14% dos casos.

Como anda a realidade do Rio Grande do Norte?

Nos últimos 10 anos houve uma redução de 63,1/100 mil pessoas para 58,6/100 mil pessoas no Rio Grande do Norte. Portanto, houve uma redução de 7%. Além disso, o estado é o terceiro do Nordeste que apresenta mortes de mulheres após o parto. Perdendo apenas para Paraíba (53,2 para cada 100 mil habitantes) e Alagoas (49,5/100 mil).

E ainda o estado está abaixa da média nordestina, que corresponde 67,1 para 100 mil mulheres. Mas, ainda é um pouco maior que a média brasileira (59,1 pessoas para 100 mil brasileiros). Mulheres negras representam 65% dos óbitos maternos, mostrando que a desigualdade social também acontece no tratamento pré-natal.

Medidas para reduzir a mortalidade materna

Para reduzir a mortalidade materna, é necessário que as mulheres beneficiem-se de recursos tecnológicos. Por exemplo, medicamentos e outros materiais médicos e, atenção especializada, prevendo agravos durante todo o momento reprodutivo, até mesmo nos intervalos do mesmo.

Por isso, é necessário criar políticas públicas, inclusive nas três esferas, que ajudam a proteger a grávida e o bebê a ficarem saudáveis durante estes nove meses.

Além de acesso médico, precisa também criar condições externas que possam fornecer qualidade de vida, como viver em moradia com saneamento básico, acabar com a fome, vacinar, higiene e também ao acesso ao esporte e lazer. Sem contar que precisa ter acesso a campanhas que lhe forneçam informações básicas.

Covid

60 dias de Covid-19: Aumento de 1000 vezes de casos no RN

A noite do dia 15 de março, após voltar da casa do Burburinho Festival de Artes, foi a vez que nunca mais tive vida social, por conta da Covid-19. Além disso, nesses dois meses de isolamento social, o aumento da doença no Rio Grande do Norte está crescendo e não é só os telefonemas de amigos, conhecidos ou familiares que comprovam o crescimento de pessoas infectadas, como também o número de dados. Foi o aumento de mais de 1000 vezes.

De antemão, vou apresentar os dados do LAIS, sigla para Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde, órgão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com a finalidade de monitorar os casos durante 24 horas por dia.

Dá uma tristeza só de lembrar que no dia 12 de março aconteceu a primeira confirmação no estado e ainda assim, 60 dias depois, a curva de contaminação não para de subir.

De 26 de fevereiro a 12 de maio, saímos de 2 casos para 2524 casos, crescemos 1000 vezes e se refere à uma porcentagem de 100 mil por cento.

Até o dia 12 de maio, ou seja, há exato dois meses após a confirmação do primeiro caso, o número de doentes com o novo Coronavírus é de 1178 casos.

Esse número pode parecer besta para você, afinal não representa 1 por cento da população potiguar, todavia houve um acréscimo de 1000% dos casos, infectando mais pessoas em contraste com outras doenças endêmicas comuns na região, como a dengue, por exemplo, e apresentarei os dados a seguir.

Março tinha apenas 442 casos confirmados

A primeira confirmação só aconteceu em 12 de março, devido ao fato do exame demorar mais de 1 semana para ficar pronto e era feito em um laboratório do Pará, a divulgação aconteceu no dia 12 de março. Todavia, os dois primeiros pacientes foram registrados no dia 26 de fevereiro.  Cinco dias depois, no dia primeiro de março, o resultado chegou a 12 confirmados.

Ou seja, já havia gente infectada antes dos primeiro caso ser oficializado para imprensa. 

No final do mês, finalmente o Laboratório Central de Saúde Pública junto com a UFRN começou a fazer os próprios exames.

A medida que foram realizados os exames, mais casos começaram a crescer, principalmente no final do mês. Ao todo foram examinados 680 pessoas.

Veja a tabela dos casos de março a seguir:

Evolução dos casos de Março de 2020
De 26/02/ a 29/02  7 casos confirmados
Casos Confirmados de 26/02 a 01/03
26 de fevereiro a 1º de março 12
Casos somente em março de 2020
 Data Total
1º de março a 31 de março 442
De 26 de fevereiro a 31 de março
Total 449

De 1º a 31 de março foram 442 infectados.

Em abril confirma o aumento de infectados em quatro vezes

Mesmo que apenas a metade do Rio Grande do Norte estivesse em quarentena, os números de confirmados não paravam de crescer. No quarto mês do ano, o número de exames realizados pela Saúde Pública saltou de 680 para 3180. Ou seja, quintuplicou a quantidade de pessoas que apresentavam alguma infecção respiratória ou não.

Já o números confirmados de Covid-19 praticamente quadruplicou, uma vez que março para abril cresceu de 442 para 1624.

Os dados apresentados pelo Lais mostram que a princípio o crescimento de casos confirmados é diretamente proporcional ao número de suspeitos.

Traduzindo, quanto mais suspeitos, mais chances de encontrar infectados pelo Corona.

Abril de 2020

Data Casos Confirmados somente em abril Casos confirmados desde 26 de fevereiro
1º a 30 de abril 1642 2091

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Câncer do Intestino: Como será o futuro das famílias potiguares?

Muitas cidades do Rio Grande do Norte foram feita a partir de união de parentes, principalmente na região do Seridó. É comum falar: “Meus avós são primos” ou “Fulano é meu primo por parte de pai e mãe”. Sabendo disso, é comum muitas famílias ter doenças hereditárias, como malformação, câncer ou síndrome. Por isso, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está fazendo um estudo chamado do projeto Genética Potiguar, em parceria com a Liga Norte-riograndense contra o Câncer (Liga).

Em entrevista a Agecom, órgão de imprensa da UFRN, a  família de Wanuzia Melo, cabeleireira em Natal, tem origem na cidade de Caicó e é um exemplo de casamento entre primos e isso causou a .  perpetuação da mutação de um gene, que causa a síndrome da polipose colônica hereditária – também chamada de polipose adenomatosa familiar (PAF) e que se caracteriza pelo aumento da produção de pólipos  (crescimento anormal de tecido) no trato intestinal -, a qual se repetiu ao longo dos anos com diversos familiares.

Wanuzia para a Agêcncia contou que seus cunhados faleceram da enfermidade, mas na época, ela não conhecia a doença e, somente, sabia que eles tiveram câncer no intestino. Após a morte do último irmão do seu marido, ela decidiu que sua família realizaria colonoscopia (igual a foto acima do título), quando verificou-se que ela e seu filho eram portadores da PAF. Contudo, somente a cabeleireira tinha desenvolvido câncer, pois havia pólipos malignos no reto e no intestino grosso.  Atualmente, vive com apenas sete metros do intestino delgado e teve de mudar hábitos, como a alimentação que passou a ser mais rígida

A PAF  é caracterizada pelo aumento da produção de pólipos no trato intestinal, cujo crescimento é acelerado e pode levar à transformação maligna das células. O diagnóstico costuma ser precoce em pacientes jovens entre 20 e 30 anos.

Com o episódio, surgiu a vontade de ajudar pessoas com o mesmo problema, quando ela começou a participar do projeto Genética Potiguar, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com a Liga Norte-Riograndense contra o Câncer, onde a cabeleireira teve contato com a professora do Departamento de Biologia Celular e Genética, Tirzah Braz Petta Lajus, docente premiada pela Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR), no Global-Scholar-In-Training Award (GSITA), por estudar mutações hereditárias de predisposição ao câncer no RN.

O projeto Genética Potiguar teve início em 2009 com o aconselhamento genético de pacientes de alto risco na Liga Contra o Câncer. Ao longo de 2017 e 2018, Tirzah Lajus constatou dez laudos de pacientes diferentes com diagnóstico de mutação no gene MUTYH, responsável pela PAF.  Agora a intenção é ampliar a pesquisa, em parceria com o Instituto Metrópole Digital (IMD-UFRN) neste ano, o projeto vai lançar um aplicativo para o mapeamento genético, com o objetivo de que os agentes de saúde cadastrem casos de doenças raras e as manifestações clínicas.

Com um estudo genético-populacional de rastreamento de famílias classificadas como de alto risco para desenvolver câncer colorretal, o intuito é ter uma mostra de pelos menos 200 indivíduos. Dessa forma, a pesquisa é desenvolvida em três missões em Caicó. A primeira consiste em recrutar indivíduos para coletar sangue ou saliva, a fim de extrair o DNA. Na segunda missão, os pesquisadores darão o laudo aos pacientes e coletarão material genético de outras pessoas. Já na terceira missão, haverá a entrega dos resultados restantes.

Na Holanda, as estatísticas mostram que 10% da população desenvolvem essa síndrome, por ser um país pequeno e porque na origem do país o casamento entre parentes era comum. Já no Brasil, segundo a docente, a mutação é muito rara e, especificamente, no Seridó ainda não existem números exatos, mas a pesquisa visa à apresentação desses dados. “A síndrome está nos dizendo que tem um gene que não está indo bem. Se entendemos qual é o gene e o que ele causa, compreendemos a função dele e, consequentemente, conseguiremos caracterizar genes novos”, esclarece.

Voltado para pessoas do Seridó, podem participar do estudo voluntários que se encaixem em pelo menos num dos requisitos que são: ter diagnóstico de mais de 100 adenomas, que são conhecidos popularmente como caroços no intestino; ou já ter um diagnóstico de polipose colônica; ou ainda quem não teve diagnóstico, mas tem mais do que dois familiares diagnosticados. Os interessados podem entrar em contato com o grupo de pesquisa pelo email: nucleodegenomica@gmail.com.