Korn em São Paulo: uma purificação

Keila Paiva
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Nota da Lara: Eu fui ao show do grupo Korn em 2015, quando eles encerraram o palco alternativo do Rock In Rio. A apresentação principal era o Metallica. Uma das melhores apresentações que já assisti. Tirando os frequentadores que eram toscos. Mas, Keilla Paiva mandou um relato da experiência de ir ao show de uma das pioneiras bandas de nu metal. O resultado? Uma brechada! Leia até o fim!

Resolvi escrever esse relato sobre o show do Korn neste sábado (16), aqui em São Paulo, porque minha adolescente amava escrever. Este texto tem muito dela. Ela tinha 15, 16 anos, morava em Rafael Godeiro, interior do oeste potiguar, cidade com menos de seis mil habitantes. Ganhou do tio o disco “Follow the Leader”. Aquilo mudou sua vida para sempre: além dos livros, agora tinha músicas com as quais se identificava, além dos problemas na escola, em casa, com os amigos.

Keila na chuva e um pouco da pistra do show (Fotos: Keila Paiva/Cedida)

Minha vinda para São Paulo teve muita ajuda. Hoje, mãe solo, tenho uma rede de apoio poderosa, no sentido de força mesmo. Consegui comprar ingresso e passagens com meses de antecedência para caber nas parcelas da vida, o que também me deu uma mínima organização até a viagem. Mas, como nem tudo está sob nosso controle, algumas companhias ficaram no caminho e um dente precisou ser extraído e implantado novamente poucos dias antes da viagem!

Embarcando em SP

Chegando em São Paulo, senti que era um sonho se realizando: filas dobrando as esquinas para acessar o Allianz Parque, uma estética de roupas pretas, peças Adidas e fantasias que remetiam a algumas músicas. Parecia um Carnaval, só que melhor. A expectativa estava alta, os bares ao redor fizeram eventos para receber os fãs que esperavam na fila. Achei tudo muito criativo.

Entrada tranquila, revista pesada como precisa ser. Dirigi-me ao setor Pista Normal para aguardar a abertura do Black Pantera. Confesso que não fiz questão de curtir as bandas de abertura, pois precisava guardar minhas forças para o final e foi a melhor decisão.

Nos primeiros acordes de “Blind”, comecei a chorar. Era alguém dentro de mim agradecendo por não ter desistido. A chuva caiu forte durante todo o show. Parecia um presente, ou um lembrete da natureza para uma purificação de verdade. Ninguém arredou o pé. Foi uma catarse que poucas vezes na vida experimentei. Na execução de “Dirty”, eu já sabia que rolaria um efeito visual com água nas telas ao redor e com a influência da chuva ficou ainda mais lindo. Jamais esquecerei.

Fila da pista do show (Fotos e vídeo: Keila Paiva)

Fuck that! Estava feito. Na última música, todo mundo já tinha tomado seu “gole” de vida. Já estávamos fortes novamente para voltar às nossas rotinas, sonhar outros sonhos, realizar e seguir o fluxo. Viver é massa, né? Realizar um sonho do qual você não desistiu é indescritível. Next!

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