Quando vemos os antigos cartões-postais da capital potiguar, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, lembramos rapidamente das fotos de Jaeci Emerenciano. Até hoje é uma referência aos fotógrafos potiguares. Ele mantinha um dos acervos particulares mais completos da cidade, como praias, monumentos históricos, principais ruas e avenidas, acontecimentos políticos e sociais e peculiaridade da cena urbana.
O fotógrafo nasceu em Natal no dia 5 de julho de 1929, filho do servidor municipal de Canguaretama, Jaime, e Cecília. Viveu os primeiros 10 anos na cidade que faz fronteira com a Paraíba, mas após o pai conseguir o emprego de cargo de fiscal aduaneiro da alfândega voltou para capital do RN.
A escolha profissional veio sob grande incentivo da mãe de Jaeci, que preocupada com o futuro do filho, observou a sagacidade com que o menino manejava a máquina fotográfica do pai e cogitou a profissão de fotógrafo.
Mas, Jaeci não parou na fotografia. O mesmo também teve uma sorveteria junto com a mãe. E, posteriormente, tinha uma loja de fotografia, onde fazia revelação de fotos e vendia equipamentos fotográficos.
De acordo com a colunista Hilneth Correia, seu tio Alphéo, militar, em uma viagem de retorno à Natal, lhe apresentou um marinheiro que comercializava máquinas fotográficas e outras mercadorias. Entre as máquinas que estavam disponíveis, havia uma Voiitlender Baby Bessa, de origem alemã. Nessa câmara, Jaeci viu à oportunidade de profissionalizar o seu trabalho na fotografia, era uma das máquinas mais modernos da época.
As fotografias de Jaeci
As produções fotográficas de Jaeci encenam a cidade em seu crescimento urbano. E o fotógrafo além de ser autor de um dos mais completos acervos iconográficos da cidade, é a memória viva de um período singular da história de Natal.
Foi ele quem fez a primeira foto colorida do Hotel Reis Magos. Fez também a cobertura do lançamento do 1° foguete da Barreira do Inferno. Uma parte disso pode ser vista nos DVDs “Natal de Ontem e “Natal de Hoje”, uma seleção de 200 imagens feitas por ele mesmo, lançados em 2012.
Deixou de fotografar em 2005, quando precisou dar uma pausa, mas sempre expondo seus trabalhos de maiores sucessos.
Faleceu aos 87 anos, em novembro de 2017, após não resistir às sequelas do Acidente Vascular Cerebral (AVC).
