{"id":969,"date":"2016-09-30T00:00:00","date_gmt":"2016-09-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=969"},"modified":"2016-09-30T00:00:00","modified_gmt":"2016-09-30T03:00:00","slug":"lesbicas-ainda-sao-invisiveis-na-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/lesbicas-ainda-sao-invisiveis-na-sociedade\/","title":{"rendered":"L\u00e9sbicas ainda s\u00e3o invis\u00edveis na sociedade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Na din\u00e2mica cada uma das participantes deveria se apresentar \u00e0 boneca Maria e contar um pouco de sua hist\u00f3ria de vida. Todas na roda eram l\u00e9sbicas e bissexuais. Apesar das diferentes classes sociais e cores, todavia, elas tinham algo em comum: sofriam com o machismo, sem contar com a misoginia e lesbofobia. Assumirem que s\u00e3o donas do pr\u00f3prio corpo e escolher como quer namorar n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil e, de cabe\u00e7a erguida, elas conseguiram.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9920\" aria-describedby=\"caption-attachment-9920\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/DSC0019.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9920\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/DSC0019.jpg\" alt=\"Mulheres conversaram com a Maria\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9920\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres conversaram com a Maria<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, F\u00e1tima Aguiar passou por um problema no trabalho por ser l\u00e9sbica. &#8220;Eu desenvolvia um projeto para crian\u00e7as aonde trabalhava e minha chefe era evang\u00e9lica. Um dia eu sofri um ass\u00e9dio moral pela mesma, por conta da forma de andar e do jeito de vestir. Hoje, n\u00f3s conseguimos respeito, mas vejo que nossos direitos estamos passando por um retrocesso&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Organizado pelo Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes (GAMI) e a Liga Brasileira de L\u00e9sbicas (LBL), o Encontro Nacional da LBL aconteceu no Pal\u00e1cio da Cultura, tamb\u00e9m conhecida como a Pinacoteca do Estado. O pr\u00e9dio, que j\u00e1 funcionou como a antiga Governadoria, discutiu sobre direito das l\u00e9sbicas e bissexuais, racismo, machismo, a misoginia e lesbofobia. Apesar de abordar diversos assuntos, todas as participantes falam a mesma frase: ser mulher \u00e9 dif\u00edcil na sociedade, mas ser l\u00e9sbica \u00e9 ainda mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-9922\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/DSC0026.jpg\" alt=\"_dsc0026\" width=\"1200\" height=\"800\" \/>&#8220;O processo da invisibilidade l\u00e9sbica \u00e9 uma extens\u00e3o da invisibilidade contra a mulher. A n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o das l\u00e9sbicas \u00e9 devido \u00e0 falta de aceita\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas sexuais da mulher. As pessoas ainda querem negar que a mulher tenha o direito de ter prazer sexual com quem quiser. Numa sociedade machista, muitos homens n\u00e3o aceitam o fato da mulher poder sentir prazer sexual sem a ajuda do p\u00eanis &#8220;, afirmou Heliana Hemit\u00e9rio, integrante do Conselho Nacional de Sa\u00fade.\u00a0&#8220;Para mim dif\u00edcil foi me tornar negra, aceitar a minha cor da pele. Quando eu me aceitei como negra, foi mais f\u00e1cil de me aceitar como l\u00e9sbica&#8221;, continuou.<\/p>\n<figure id=\"attachment_9937\" aria-describedby=\"caption-attachment-9937\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/DSC0084.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9937 size-full\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/DSC0084.jpg\" alt=\"encontrodelesb\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9937\" class=\"wp-caption-text\">Encontro aconteceu na Pinacoteca do Estado (Fotos: Lara Paiva)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a Altamira Sim\u00f5es, integrante da LBL no estado da Bahia, conta das dificuldades de se assumir ser l\u00e9sbica depois dos 40 anos, principalmente quando se j\u00e1 teve filhos. &#8220;Fui casada com um homem e tive tr\u00eas filhas. Mas, nos \u00faltimos cinco anos, eu me apaixonei por uma mulher e somos\u00a0casadas at\u00e9 hoje. Para mim, fazer o ativismo, na verdade, foi uma forma de sobreviv\u00eancia social e combater \u00e0s viol\u00eancias. Tive que conversar com minha filha de 10 anos, na \u00e9poca, argumentando\u00a0que eu e minha companheira faz\u00edamos bem uma para outra, pois t\u00ednhamos uma rela\u00e7\u00e3o de zelo e cuidado, algo que nunca tive antes.&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-9919\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/DSC0011.jpg\" alt=\"encontrodelesb\" width=\"416\" height=\"278\" \/>Foi gra\u00e7as ao ativismo que Altamira conseguiu desconstruir v\u00e1rias quest\u00f5es sobre o LGBT. &#8220;Eu era muito preconceituosa. Tanto que minha filha mais velha dizia: &#8216;Como assim voc\u00ea namorando uma mulher se voc\u00ea tinha preconceito com l\u00e9sbicas?&#8217;. Hoje eu reconhe\u00e7o que tinha uma vers\u00e3o machista, achando que o homem podia fazer tudo e a mulher n\u00e3o podia aderir a certos comportamentos.&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, Altamira \u00e9 av\u00f3 e diz que a neta reconhece ela e sua esposa como av\u00f3s. &#8220;Ela vai crescer num mundo onde toda forma de amor aceita e teve a oportunidade de ter v\u00e1rias av\u00f3s. Inclusive, ela chegou a conhecer a minha m\u00e3e, a bisav\u00f3 dela, que morreu h\u00e1 poucos meses. Fico feliz que minha m\u00e3e morreu aceitando a minha companheira como filha. Vejo a minha hist\u00f3ria como um avan\u00e7o pessoal e hist\u00f3rico no mundo LGBT&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante tr\u00eas dias participaram 60 mulheres de v\u00e1rios estados brasileiros, como S\u00e3o Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, e, claro, o Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Altamira, Shimene Scheid \u00e9 m\u00e3e, mas apenas aos 25 anos se assumiu como l\u00e9sbica. &#8220;Eu n\u00e3o reconhecia a minha atra\u00e7\u00e3o por mulheres. Achava que era apenas uma admira\u00e7\u00e3o e n\u00e3o um desejo. Somos socializadas para ter rela\u00e7\u00f5es com homens, pouco importa os nossos desejos. Somos impulsionadas para a romantiza\u00e7\u00e3o da heterossexualidade, vivemos uma press\u00e3o social imensa e cruel. E por conta das viol\u00eancias sofridas, do patriarcado, da lesbofobia, \u00e9 muito dif\u00edcil nossa pr\u00f3pria aceita\u00e7\u00e3o. A heterossexualidade \u00e9 compuls\u00f3ria. E por mais que eu tenha vivido isso por tantos anos, eu n\u00e3o deixo ningu\u00e9m deslegitimar a minha sexualidade, minhas viv\u00eancias, meu sujeito politico, minhas lutas. Eu sou m\u00e3e e l\u00e9sbica&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo citado por Shimene foi criado pela feminista Adrinne Rich em 1980.\u00a0Para Rich, as mulheres s\u00e3o convencidas que casamento e a orienta\u00e7\u00e3o sexual voltadas para os homens s\u00e3o inevit\u00e1veis. As mulheres ser\u00e3o doutrinadas pela ideologia do romance heterossexual atrav\u00e9s de contos de fadas, da televis\u00e3o, do cinema, etc, isto \u00e9, todos esses mecanismos fazem propagandas coercitivas da heterossexualidade e do casamento como padr\u00e3o. Atrav\u00e9s desses mecanismos as mulheres seriam aprisionadas psicologicamente \u00e0 heterossexualidade e tentariam ajustar a mente e o esp\u00edrito a um modo prescrito de sexualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/DSC0032.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-9925\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/DSC0032-1120x800.jpg\" alt=\"encontrodelesb\" width=\"740\" height=\"529\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora Rich fa\u00e7a uma an\u00e1lise da experi\u00eancia l\u00e9sbica, essa doutrina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre com os homens, mesmo que de modo diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Marcelaine Cristina, diferente das duas citadas acima, se assumiu aos 14 anos, quando come\u00e7ou namorar uma garota em Caic\u00f3, no qual &#8220;ajudou diversas li\u00e7\u00f5es e ensinou a enfrentar os tipos de preconceitos&#8221;. \u00a0&#8220;J\u00e1 sentia que era l\u00e9sbica desde crian\u00e7a. Um dia fui falar com minha m\u00e3e, n\u00f3s mor\u00e1vamos juntas na zona Norte, sobre o que sentia e ela foi maravilhosa comigo, dizendo apenas: &#8216;Desejava a minha felicidade e lutar para conquistar o seu espa\u00e7o&#8217;. Hoje, ela faz piada comigo e aceita minha companheira&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relacionamento de Marcelaine durou dois anos, quando ela morreu ap\u00f3s um acidente automobil\u00edstico. &#8220;Em Caic\u00f3, apesar de ser interior, eles aceitam melhor as l\u00e9sbicas e eu era bem tratada pelos moradores&#8221;. Hoje, ela est\u00e1 lutando para arrumar um emprego, voltar aos estudos e est\u00e1 formando uma nova fam\u00edlia com uma mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de palestras, o encontro contou com diversas atividades culturais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na din\u00e2mica cada uma das participantes deveria se apresentar \u00e0 boneca Maria e contar um pouco de sua hist\u00f3ria de vida. Todas na roda eram l\u00e9sbicas e bissexuais. Apesar das diferentes classes sociais e cores, todavia, elas tinham algo em comum: sofriam com o machismo, sem contar com a misoginia e lesbofobia. 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