{"id":799,"date":"2016-06-22T00:00:00","date_gmt":"2016-06-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=799"},"modified":"2016-06-22T00:00:00","modified_gmt":"2016-06-22T03:00:00","slug":"sera-que-finalmente-estao-abracando-o-rock-potiguar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/sera-que-finalmente-estao-abracando-o-rock-potiguar\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que finalmente est\u00e3o abra\u00e7ando o rock potiguar?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Natal, 2008. \u00a0A jornalista que vos escreve tinha 15 anos, mudado de escola e conhecendo os amigos que est\u00e3o no meu ciclo de conviv\u00eancia at\u00e9 hoje. Naquela \u00e9poca n\u00f3s quer\u00edamos mudar o mundo, escutar o que era diferente, descobrir coisas legais e espalhar aqueles que estavam fazendo coisas similares na cena potiguar. Era, ao mesmo tempo, o per\u00edodo em que descobrira a Ribeira, o Dosol, baladinhas, os festivais alternativos e o rock natalense. N\u00f3s t\u00ednhamos bandas incr\u00edveis, ralando incansavelmente para conseguir sair da rota Nordeste. Alguns chegaram a conseguir e outros n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para conseguir as m\u00fasicas ou baixava a vers\u00e3o mp3 na comunidade do Orkut (alguns tinham aqueles sites feitos pelo Geocities) ou comprava o CD na porta de onde os shows aconteciam. Rapidamente, comecei a fazer amizade com os m\u00fasicos da cena local e tamb\u00e9m queria tentar conhecer aquele mundo. Naquela \u00e9poca j\u00e1 queria ser jornalista, mas para trabalhar numa Rolling Stone, Bizz ou Rock Brigade. \u00a0Tamb\u00e9m n\u00e3o acharia ruim ir para S\u00e3o Paulo ser VJ da MTV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca, o rock era esquisito para alguns natalenses. Quem escutasse rock, era esquisito. O lance mesmo era escutar ax\u00e9 e ir ao Circo da Folia. Estava na lista daqueles que queriam fugir dessa modinha, n\u00e3o me misturava mesmo. \u00a0O pessoal do meu col\u00e9gio escutava Avi\u00f5es do Forr\u00f3. &#8220;Que tontos que loucos somos n\u00f3s dois&#8221;. Odiava essa m\u00fasica. Enquanto isso estava escutando Paranoid do Black Sabbath e lendo &#8220;O Sol Tamb\u00e9m se Levanta&#8221;, de Ernest Hemingway.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antigamente, os m\u00fasicos tinham que procurar aquele produtor cultural bacanudo para que segurasse a sua m\u00e3o e lhe conduzisse para v\u00e1rios lugares com o objetivo de tentar fazer sucesso. O mais longe que era alcan\u00e7ado era Para\u00edba, Pernambuco e Cear\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m era lei divulgar as suas m\u00fasicas no Myspace e dentre outras coisas. Se tivesse algum integrante de classe m\u00e9dia alta, era um benef\u00edcio, mas n\u00e3o sin\u00f4nimo de sucesso (Poderia citar enormes exemplos, mas seria perda de tempo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natal, 2016. Essas redes sociais est\u00e3o em desuso, a Ribeira ainda persiste apesar do abre e fecha dos bares e restaurantes. Bandas legais terminaram e bandas mais legais apareceram. A forma das divulga\u00e7\u00f5es das bandas mudou bastante. \u00a0As novatas utilizaram ferramentas novas como o Facebook, Bandcamp, Spotify e Soundcloud para divulgar o som. N\u00e3o precisa gastar a mesada para alugar um est\u00fadio para gravar o som, tudo pode ser feito apenas com gravadores, editores de som e postar, bem\u00a0<em>do it yourself<\/em> mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, os produtores culturais est\u00e3o ouvindo o som dos caras e de v\u00e1rias ao mesmo tempo. Eles n\u00e3o precisam ir atr\u00e1s deles, pois apenas por um toque pode conhecer um mundo de bandas incr\u00edveis vindas da terrinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A facilidade da internet ajudou a divulgar uma porrada de bandas vindas dos corredores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), como Mahmed, Talude, Far From Alaska e tamb\u00e9m Plut\u00e3o J\u00e1 Foi Planeta. Essas duas \u00faltimas citadas s\u00e3o as que mais est\u00e3o conquistando o mercado fora do Rio Grande do Norte e Nordeste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Far From Alaska, com o seu som em ingl\u00eas e indie mais o esfor\u00e7o da banda, disponibilizando conte\u00fado na internet fez com que eles chamassem aten\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos nacionais e participassem de grandes festivais, como Lollapalooza, atrair a grande imprensa musical e fazer com que a imprensa local finalmente se tocasse que a gente tem som do n\u00edvel de Foster The People e uma porrada de banda gringa. <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2016\/06\/duas-bandas-potiguares-se-deram-muito-bem-neste-fds\/\">Recentemente, eles conseguiram tocar na Fran\u00e7a e ganharam um pr\u00eamio como artista revela\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, o Plut\u00e3o J\u00e1 Foi Planeta est\u00e1 na final do programa Superstar, uma esp\u00e9cie de The Voice de bandas e est\u00e1 come\u00e7ando a ser vista pelos natalenses, atingindo o p\u00fablico al\u00e9m de quem vai ao Dosol. De 10 mil ouvintes por m\u00eas no Spotify, eles aumentaram para 50 mil. A m\u00fasica mais escutada deles da rede social tem 200 mil ouvintes. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/plutaojafoiplaneta\/?fref=ts\">A fanpage do Facebook j\u00e1 tem mais de 100 mil seguidores<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vocalista Nat\u00e1lia Noronha, que era uma t\u00edmida estudante de jornalismo da UFRN e conhecida apenas por compartilhar m\u00fasicas gravadas na internet, agora \u00e9 considerada a musa do programa e elogiada pelo carisma e presen\u00e7a de palco. \u00a0Muito massa, eu ver uma caloura alcan\u00e7ando voos mais altos que a profiss\u00e3o poderia fornecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o ano passado, eles estavam lutando para tocar nos editais de shows locais, tocando no Natal em Natal \u00e0s 14 horas e agora s\u00e3o convidados para abrir shows das bandas nacionais no Arena das Dunas, Mada, Dosol e todos os festivais alternativos poss\u00edveis do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o site do Carnatal (maior Micareta do Brasil feita em Natal) at\u00e9 o Senac est\u00e3o fazendo campanha para eles ganharem no pr\u00f3ximo domingo (26), no qual fizeram sucesso apenas cantando as m\u00fasicas de seus primeiros discos (o segundo est\u00e1 quase pronto e sendo produzido por Gustavo Ruiz, irm\u00e3o da cantora Tulipa Ruiz). S\u00f3 fizeram apenas um cover em todas as performances do programa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Ricardo, ex-vocalista do RPM e jurado do programa, diz que eles s\u00e3o &#8220;a banda mais completa da edi\u00e7\u00e3o&#8221;. O Samuel Rosa, quando participou do programa, criticou a falta de interesse das r\u00e1dios em tocar m\u00fasicas como a deles. Olha a\u00ed, s\u00f3 falta as r\u00e1dios que tocam m\u00fasicas mais para o pov\u00e3o da cidade colocar o som deles dispon\u00edveis, pois eles possuem p\u00fablico de sobra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles finalmente ajudaram a abrir os olhos dos potiguares que o rock nordestino bom e de qualidade tamb\u00e9m est\u00e1 aqui. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/516125341931924\/\">Tanto que\u00a0j\u00e1 existe a campanha para que eles ganhem<\/a>. Isso mostra que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de forr\u00f3 e ax\u00e9 que vive a m\u00fasica do Rio Grande do Norte. \u00a0Eles provaram que \u00e9 poss\u00edvel viver de m\u00fasica autoral e n\u00e3o precisa largar o rock para o forr\u00f3 para viver de m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espero que essa espl\u00eandida experi\u00eancia do Plut\u00e3o estimule e facilite a outras bandas a seguirem esse mesmo caminho, os produtores valorizem os artistas de verdade (n\u00e3o fornecendo cach\u00eas de 900 reais), as pessoas olhem\u00a0o rock potiguar com olhos melhores, o p\u00fablico topa em pagar um ingresso acima de 10 reais e que eles toquem al\u00e9m Ribeira e da r\u00e1dio Universit\u00e1ria FM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Natal, 2008. \u00a0A jornalista que vos escreve tinha 15 anos, mudado de escola e conhecendo os amigos que est\u00e3o no meu ciclo de conviv\u00eancia at\u00e9 hoje. 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