{"id":662,"date":"2016-04-18T00:00:00","date_gmt":"2016-04-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=662"},"modified":"2016-04-18T00:00:00","modified_gmt":"2016-04-18T03:00:00","slug":"historia-da-plantacao-de-algodao-no-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/historia-da-plantacao-de-algodao-no-rn\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da planta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o no RN"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A novela das 9, &#8220;Velho Chico&#8221;, mostra o desenvolvimento do Nordeste com a planta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o. No Rio Grande do Norte, a planta\u00e7\u00e3o das bolinhas brancas, que transforma em roupas, fios e tecidos, ajudou a desenvolver o Rio Grande do Norte, que foi destru\u00eddo por conta da praga do bicudo. N\u00f3s do <b>Brechando<\/b> contaremos a hist\u00f3ria do cultivo da cotonicultura nos principais munic\u00edpios do interior do estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O algod\u00e3o era conhecido como o ouro branco e a produ\u00e7\u00e3o durante os anos de produ\u00e7\u00e3o ajudou a criar rodovias, prosperar pequenas comunidade e munic\u00edpios. Chegaram a ocupar 500 mil hectares em todo o estado.\u00a0Somente com a grande seca de 1845, que os produtores rurais come\u00e7aram a plantar algod\u00e3o, principalmente na Regi\u00e3o do Serid\u00f3. Nos anos de 1900, com a queda da produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar, foi que a planta\u00e7\u00e3o alavancou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, na \u00e9poca do descobrimento, os ind\u00edgenas j\u00e1 cultivavam o algod\u00e3o e usavam os fios na confec\u00e7\u00e3o de redes e cobertores. Usavam tamb\u00e9m o caro\u00e7o esmagado e cozido para fazer mingau e com o sumo das folhas curavam feridas. Os primeiros colonos chegados ao Brasil, logo passaram a cultivar e utilizar o algod\u00e3o nativo. Os jesu\u00edtas do padre Anchieta introduziram e desenvolveram a cultura do algod\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente o algod\u00e3o &#8220;moc\u00f3&#8221;, de fibra longa, poderia ocupar esse lugar de excel\u00eancia no mercado exportador internacional, posto que se destinava \u00e0 confec\u00e7\u00e3o de tecidos finos. Sim, eram dois tipos de algod\u00f5es que eram plantados no RN: o arb\u00f3reo (&#8220;moc\u00f3&#8221; ou &#8220;Serid\u00f3&#8221;) e o herb\u00e1ceo. O algod\u00e3o &#8220;moc\u00f3&#8221; foi a variedade que melhor se adaptou aos sert\u00f5es: por suas ra\u00edzes profundas, era mais resistente \u00e0s secas; por seu vigor, era uma variedade mais infensa \u00e0s pragas e ,por outro lado, produzia at\u00e9 por 8 anos. Em suma, era muito mais vantajoso que o herb\u00e1ceo, que tinha um ciclo vegetativo muito curto &#8211; geralmente um ano e, al\u00e9m disso, mais suscet\u00edvel a pragas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Rio Grande do Norte, identificam-se tr\u00eas fases distintas para a evolu\u00e7\u00e3o da cotonicultura. A primeira fase seria aquela iniciada pelo coloniza-dor branco, do cultivo e processamento do algod\u00e3o nativo j\u00e1 feito pelo ind\u00edgena e que inclui o primeiro surto de explora\u00e7\u00e3o em fins do s\u00e9culo XVIII, motivado pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial Inglesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda fase tem in\u00edcio com o grande surto exportador da d\u00e9cada de 1860, quando verifica-se nova transforma\u00e7\u00e3o na cotonicultura no RN. Com a Guerra da Secess\u00e3o americana, o produto sofre uma alta demanda frente a uma baixa oferta, gerando uma r\u00e1pida subida nos pre\u00e7os. A terceira fase seria iniciada ap\u00f3s a grande seca, 1877\/79 que, pelos preju\u00edzos que acarretou \u00e0 pecu\u00e1ria, permitiu nova expans\u00e3o espacial do algod\u00e3o, cuja sustenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica se deve \u00e0 variedade arb\u00f3rea denominada moc\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A planta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o era ben\u00e9fica tanto para os produtores agr\u00edcolas quanto aos trabalhadores. Embora prioritariamente voltado para o mercado interno, em favor das ind\u00fastrias t\u00eaxteis nacionais, o algod\u00e3o norte-rio-grandense tamb\u00e9m encontrava coloca\u00e7\u00e3o no mercado estrangeiro, principalmente o algod\u00e3o &#8220;moc\u00f3&#8221;, de fibra longa, posto que se destinava \u00e0 confec\u00e7\u00e3o de tecidos finos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fazendas produziam algod\u00e3o em quantidades razo\u00e1veis, tinham sua m\u00e1quina de descaro\u00e7ar, ent\u00e3o denominada de bolandeira. Essa m\u00e1quina era movida por tra\u00e7\u00e3o animal e produzia pelo chamado sistema de rolo. N\u00e3o era dado nenhum tratamento ao caro\u00e7o depois de retirada a pluma. O fazendeiro jogava o caro\u00e7o no ch\u00e3o, o gado comia-o enquanto podia, porque depois que fermentava, n\u00e3o dava mais para com\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O algod\u00e3o, ao lado de culturas alimentares como milho, feij\u00e3o, mandioca, etc, tornou-se nossa principal cultura comercial. Essa realidade passou a mudar no final da d\u00e9cada de 50, quando uma s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a ocorrer no pa\u00eds, onde se percebe uma nova divis\u00e3o territorial do trabalho, que traz transforma\u00e7\u00f5es profundas e desvantajosas para a economia nordestina e norte-riograndense em particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muito tempo o algod\u00e3o do Serid\u00f3 deteve a reputa\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o de primeira qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As crises de oferta da fibra nordestina estariam ligadas, por um lado, \u00e0s devastadoras secas que atingiam impiedosamente as lavouras sertanejas. Por outro lado, com a chegada do bicudo, praga de dif\u00edcil controle e depois com a abertura do mercado nacional \u00e0s importa\u00e7\u00f5es subsidiadas de pa\u00edses da \u00c1sia nos anos 90, a cultura, que nos anos 80 chegou a ser plantada em mais de 2 milh\u00f5es de hectares no Nordeste, entrou em decl\u00ednio e hoje a \u00e1rea cultivada est\u00e1 em torno de 1.300 hectares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A novela das 9, &#8220;Velho Chico&#8221;, mostra o desenvolvimento do Nordeste com a planta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o. No Rio Grande do Norte, a planta\u00e7\u00e3o das bolinhas brancas, que transforma em roupas, fios e tecidos, ajudou a desenvolver o Rio Grande do Norte, que foi destru\u00eddo por conta da praga do bicudo. 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