{"id":4865,"date":"2024-06-06T00:00:00","date_gmt":"2024-06-06T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=4865"},"modified":"2024-06-06T00:00:00","modified_gmt":"2024-06-06T03:00:00","slug":"quando-realidade-falou-das-freiras-da-paroquia-de-sao-goncalo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/quando-realidade-falou-das-freiras-da-paroquia-de-sao-goncalo\/","title":{"rendered":"Quando Realidade falou das freiras Da Par\u00f3quia de S\u00e3o Gon\u00e7alo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Realidade foi uma revista brasileira lan\u00e7ada primeiramente pela Editora Abril em abril de 1966, que circulou at\u00e9 mar\u00e7o de 1976. Al\u00e9m disso, para quem estuda jornalismo, a produ\u00e7\u00e3o, mesmo extinta, \u00e9 estudada para reportagem, uma vez que trazia reportagens inovadoras. Sem contar que essas reportagens passavam por um Brasil na Ditadura Militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apresentava caracter\u00edsticas inovadoras para a \u00e9poca, inclusive com mat\u00e9rias em <a href=\"http:\/\/youtube.com\/c\/brechandoblog\">primeira pessoa<\/a>, fotos que deixavam perceber a exist\u00eancia do fot\u00f3grafo e design gr\u00e1fico pouco tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1967, eles publicaram, portanto, uma reportagem na revista, no qual foram acompanhar freiras potiguares que estavam administrando a par\u00f3quia da cidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante. Al\u00e9m disso, essa ideia veio de Dom Eug\u00eanio Sales. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/image22-3.png\" alt=\"Realidade S\u00e3o Gon\u00e7alo\" class=\"wp-image-61523\" title=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Irm\u00e3 Irany<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h.id2ln39d9q0j\"><strong>A seguir reproduzirmos a mat\u00e9ria que destaca a parte do Rio Grande do Norte<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/image32-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61533\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Capa da revista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>O rep\u00f3rter Luiz Fernando Mercadante e o fot\u00f3grafo Geraldo M\u00f3ri foram ao Rio Grande do Norete, Pernambuco, Sergipe e Bahia, para ver de perto uma experi\u00eancia pioneira da Igreja Cat\u00f3lica em par\u00f3quias. Por onde eles andaram, ouviram sempre uma nova express\u00e3o que promete se espalhar pelo Brasil inteiro: A ben\u00e7\u00e3o, S\u00e1 Vig\u00e1ria?<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h.xi3jq1ewalfv\">Monsenhor Irany Bastos e Realidade falou das freiras Da Par\u00f3quia de S\u00e3o Gon\u00e7alo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma mo\u00e7a morena, alta, elegante &#8211; vestindo um conjunto cor-de-rosa, a cabe\u00e7a descoberta e uma pequena cruz presa a um colar simples &#8211; levantou-se de seu lugar e caminhou com passos seguros para a mesa. Os bispos riram com a inesperada figura daquele monsenhor. E o homem fazia a chamada, pediu desculpas enrubescido (envergonhado):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8212; Perd\u00e3o. Perd\u00e3o. Madre Irany Bastos. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irany Bastos &#8211; \u00fanica mulher presente \u00e0quela reuni\u00e3o de bispos &#8211; \u00e9 uma religiosa brasileira, feira da Congrega\u00e7\u00e3o das Mission\u00e1rias de Jesus Cristo Crucificado. A congrega\u00e7\u00e3o, fundada em Campinas, em 1928, \u00e9 a maior do Brasil, com mais de duas mil religiosas, que usam h\u00e1bito s\u00f3 dentro dos conventos. J\u00e1 surgiram assim, vestidas com o povo, para mais facilmente se aproximar do povo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Convite de Dom Eug\u00eanio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3 Irany &#8211; promovida a monsenhor por equ\u00edvoco em Mar del Plata &#8211; foi a primeira freira no mundo, em todos os tempos, a dirigir uma par\u00f3quia. Ela foi encarregada da experi\u00eancia pioneira realizada com \u00eaxito em N\u00edsia Floresta, munic\u00edpio do Rio Grande do Norte, de 10.300 habitantes, onde tudo come\u00e7ou no dia 3 de outubro de 1963. Irm\u00e3 Irany exercia seu apostolado no col\u00e9gio de Campinas, quando recebeu do ent\u00e3o arcebispo de Natal, dom <a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/2023\/05\/20\/catedral-de-natal-episodio-6-do-podbrechar\/\">Eug\u00eanio de Ara\u00fajo Sales<\/a>, o convite para ser vig\u00e1ria da par\u00f3quia de N\u00edsia Floresta. Dom Eug\u00eanio foi idealizador da experi\u00eancia e, hoje, como administrador apost\u00f3lico do Arcebispado de Salvador, levou o sistema para a Bahia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Eu- diz ele &#8211; pensava assim: e as religiosas do Brasil? S\u00e3o 40 mil! Todas dedicadas a obras \u00f3timas. Mas ser\u00e1 que essas obras s\u00e3o as mais urgentes, as mais necess\u00e1rias \u00e0 Igreja de hoje? E as par\u00f3quias sem padre? S\u00e3o tantas! Se uma parte das religiosas se dispusesse a assumi-las, estaria resolvido esse grande problema. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As religiosas estavam dispostas e come\u00e7aram a resolver o problema. Irm\u00e3 Irany, hoje, \u00e9 subsecret\u00e1ria do Secretariado Nacional do Apostolado das Religiosas, da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, cargo que lhe permite acompanhar de perto o crescimento que ela mesma plantou carinhosamente em N\u00edsia Floresta. Irm\u00e3 Irany \u00e9 uma mulher atual. No convento que dirige em Santa Tereza, Rio, o hor\u00e1rio das ora\u00e7\u00f5es a noite foi alterado para permitir que as freiras assistam ao jornal falado da televis\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 N\u00e3o podemos mais ignorar o mundo. Temos que viver dentro dele para santific\u00e1-lo. O Cristo \u00e9 uma mensagem de amor. E para levar essa mensagem \u00e9 preciso amar de perto. <\/p>\n<cite>Irm\u00e3 Irany<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Irm\u00e3 Irany n\u00e3o tem medo da palavra amor. Ela sabe que a voca\u00e7\u00e3o religiosa nasce do amor a Jesus e aos homens. E, se engrandece nesse amor. Tendo entrado para o convento com 21 anos, depois de um curso universit\u00e1rio, Irm\u00e3 Irany tem uma vis\u00e3o sem deforma\u00e7\u00f5es do mundo. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 A senhora, quando jovem, j\u00e1 namorou?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Eu tive pretendentes. Mas desde os 14 anos j\u00e1 tinha feito a minha escolha. Eu escolhi Jesus Cristo. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3 Irany fala com igual entusiasmo de cada par\u00f3quia dirigida por freiras. J\u00e1 visitou quase todas e acompanha-as mediante um relat\u00f3rio e cartas. Diante de um mapa do Brasil, aponta o estado do Rio Grande do Norte:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Aqui \u2013 diz \u2013 j\u00e1 temos tr\u00eas par\u00f3quias exclusivamente com freiras. N\u00edsia, a pioneira, que continua com as Mission\u00e1rias de Jesus Crucificado; Taipu, com as Irm\u00e3s do Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria e S\u00e3o Gon\u00e7alo (do Amarante), a mais recente, com as Filhas do Amor Divino. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tr\u00eas Filhas do Amor Divino<\/strong>, <strong>as Freiras Da Par\u00f3quia de S\u00e3o Gon\u00e7alo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Romildo, um garoto de 10 anos, vem montado no seu jegue carregando uma carga de \u00e1gua em pequenos barris, entre os quais ele senta sobre suas pr\u00f3prias pernas e assume o ar das pessoas que est\u00e3o fazendo coisas muito s\u00e9rias. Em S\u00e3o Gon\u00e7alo, Rio Grande do Norte, Romildo \u00e9 importante &#8211; \u00e9 o garoto da \u00e1gua. Conhece todo mundo e sabe de tudo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Onde \u00e9 a casa das freiras, Romildo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Oxente, mas quem \u00e9 que n\u00e3o sabe? A casa das freiras \u00e9 cor-de-rosa, bem ali no caminho da igreja. V\u00e3o andando comigo que agorinha vou l\u00e1. Eu \u00e9 que levo \u00e1gua de beber para elas. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h.n8efa37kymrw\">N\u00f3s tamb\u00e9m somos povo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E l\u00e1 foi, Romildo, ao encontro das freiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3 Am\u00e1lia, a superiora, uma cearense de meia-idade, estava no quintal, cercada de pedreiros, uma vez que orientara a constru\u00e7\u00e3o de uma garagem:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013Vamos ganhar um transporte. Uma par\u00f3quia holandesa vai nos mandar um jipe. S\u00e3o 20 quil\u00f4metros at\u00e9 Natal e, nos oito meses que estamos aqui, temos sentindo muita falta de uma condu\u00e7\u00e3o. Depois, o jipe n\u00e3o vai ser das freiras, mas da par\u00f3quia. E ser\u00e1 muito \u00fatil aos habitantes desta cidade sem ve\u00edculos. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Balan\u00e7ando um martelo em uma das m\u00e3os, irm\u00e3 Estanislava, rio-grandense do norte, vem chegando. Ademais, acabou de fazer um remendo em uma janela da velha igreja cheia de morcego. Expulsaram-nos. E abriram para o povo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3 Corina, a mais jovem das tr\u00eas, est\u00e1 no escrit\u00f3rio paroquial, que funciona na pr\u00f3pria casa das irm\u00e3s, ao lado de uma pequena capela onde s\u00f3 cabem as tr\u00eas feiras. Irm\u00e3 Corina, paraibana, est\u00e1 preparando os pap\u00e9is para um batizado que o padre vir\u00e1 fazer no domingo. Mais que os papeis, ela est\u00e1 preparando os pais da crian\u00e7a que vai receber o sacramento. Pois hoje, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, o batismo deixou de ser um ato convencional; as freiras deram-lhe o significado que ele deve conter: o engajamento crist\u00e3o dos pais, dos padrinhos e da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem deixar as suas vestes tradicionais, a pequena comunidade religiosa de S\u00e3o Gon\u00e7alo, sem padre h\u00e1 20 anos, demoliu as barreiras e integrou-se no povo. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 N\u00e3o somos n\u00f3s e o povo. N\u00f3s tamb\u00e9m somos o povo \u2013 afirma a irm\u00e3 Am\u00e1lia. Este m\u00eas S\u00e3o Gon\u00e7alo vai ganhar m\u00e9dico e dentista. Nunca teve. As irm\u00e3s conseguiram montar os consult\u00f3rios e t\u00eam o povo ao seu lado para trazer um e outro. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Romildo, o menino da \u00e1gua, que ri com seus dentes pretos, vai ter assist\u00eancia. Agora, ainda mais, ele ergue a m\u00e3o direita, num gesto t\u00edpico da regi\u00e3o, e pede a ben\u00e7\u00e3o \u00e0s freiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Deus o aben\u00e7oe &#8211; diz irm\u00e3 Am\u00e1lia. Um dia haver\u00e1 \u00e1gua boa para todos e voc\u00ea encostar o seu burrico. Estude bastante e cres\u00e7a, que este pa\u00eds precisa de homens fortes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E l\u00e1 vai, Romildo, levando, portanto, a sua \u00e1gua e sorrindo, feliz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realidade foi uma revista brasileira lan\u00e7ada primeiramente pela Editora Abril em abril de 1966, que circulou at\u00e9 mar\u00e7o de 1976. 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