{"id":4513,"date":"2023-04-26T00:00:00","date_gmt":"2023-04-26T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=4513"},"modified":"2023-04-26T00:00:00","modified_gmt":"2023-04-26T03:00:00","slug":"origem-do-feminismo-em-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/origem-do-feminismo-em-natal\/","title":{"rendered":"Origem do feminismo em Natal"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Quando pensamos em feminismo, logo nos v\u00eam \u00e0 mente as mulheres que lutaram para terem acesso a direitos b\u00e1sicos<\/span>. Por exemplo, <span class=\"c0\">o direito a votar, a usar as roupas que queriam, a sa\u00edrem sem serem questionadas<\/span> e <span class=\"c0\">a trabalhar.<\/span> <span class=\"c0\">No entanto, para que isso acontecesse em Natal e no R<\/span>N<span class=\"c0\"> tivemos mulheres de coragem, como Celina Guimar\u00e3es, Alzira Soriano e J\u00falia Medeiros.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">N\u00f3s vamos falar da hist\u00f3ria do feminismo em Natal e como isso foi importante <\/span>historicamente<span class=\"c0\">. Diferentemente da Europa e dos Estados Unidos, o movimento feminista surgiu no RN, principalmente na capital do estado, de uma forma diferenciada, como veremos neste artigo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h.ibek4ak5yaeb\"><span class=\"c10\">Como surgiu o feminismo no Brasil?<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">No final do s\u00e9culo 19, o Brasil torna-se uma Rep\u00fablica e as brasileiras a pedir uma maior participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, uma vez que as poucas que trabalhavam <\/span>faziam os <span class=\"c0\">servi\u00e7os fabris ou como empregadas dom\u00e9sticas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Caso elas n\u00e3o seguissem esses of\u00edcios, restava, apenas, prestar para as pr\u00f3prias fam\u00edlias o servi\u00e7o dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado. Al\u00e9m disso, suas possibilidades de educa\u00e7\u00e3o eram limitadas, os cursos superiores estavam fora de seu alcance e sua capacidade intelectual era sempre questionada (at\u00e9 hoje). Nesta \u00e9poca, era muito comum escritoras utilizarem pseud\u00f4nimos masculinos para escreverem em jornais.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Auta de Souza, por exemplo, teve que assinar como Ida Sal\u00facio e Hil\u00e1rio das Neves.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Mas muitas mulheres j\u00e1 ultrapassavam essas barreiras antes que eclodisse, verdadeiramente, o movimento feminista.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h.m7c8ar5930f1\"><span class=\"c10\">N\u00edsia Floresta: a primeira feminista do Brasil?<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">N\u00edsia Floresta nasceu em Papari, cidade que hoje recebe seu nome, no dia 12 de outubro de 1810. Alguns estudiosos apontam que a educadora e escritora a<\/span> chamam de <span class=\"c0\">primeira feminista do Brasil<\/span>. O motivo seria <span class=\"c0\">a publica\u00e7\u00e3o dos livros \u201cDireitos das mulheres e injusti\u00e7as dos homens\u201d (1832), \u201cConselhos \u00e0 minha filha\u201d (1842), \u201cOp\u00fasculo humanit\u00e1rio\u201d (1853) e \u201cA mulher\u201d (1856), al\u00e9m de sua ass\u00eddua contribui\u00e7\u00e3o com a imprensa da \u00e9poca.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">O primeiro livro citado \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o de \u201cLa femme n&#8217;est pas inferieure a l&#8217;homme\u201d, publicado em 1750, de uma escritora que assinou como Sophia, que supostamente seria Mary Wortley Montagu, o que n\u00e3o \u00e9 nenhuma surpresa.<\/span> <span class=\"c0\">N\u00edsia admitia publicamente ter sido inspirada pela obra \u201cA Vindication of the Rights of Woman\u201d, de Mary Wollstonecraft.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Al\u00e9m disso, a potiguar tinha ideias progressistas para o Brasil Imp\u00e9rio, nutrindo ideais abolicionistas, republicanos e principalmente feministas, posicionamentos muitos inovadores para a \u00e9poca. N\u00edsia tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel por exercer uma ruptura na tend\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o brasileira de negar \u00e0 mulher sua inser\u00e7\u00e3o nas escolas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Outras mulheres potiguares tamb\u00e9m contribu\u00edram com o movimento feminista, sendo que somente no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h.x5ktv6wuw38r\"><span class=\"c10\">O feminismo em Natal e no Rio Grande do Norte <\/span><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image18.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-42268\" title=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A escritora potiguar N\u00edsia Floresta foi um exemplo de mulher feminista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Foi na primeira metade do s\u00e9culo 20 que o feminismo ganhou for\u00e7a, principalmente no Rio Grande do Norte, onde as mulheres lutaram pelo direito de votar num movimento que eclodiu a n\u00edvel nacional, quando a escritora mineira Mi\u00eatta Santiago notou a contradi\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1891<\/span>. O documento, portanto, <span class=\"c0\">dizia: &#8220;S\u00e3o eleitores os cidad\u00e3os maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei&#8221;. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Este deslize de reda\u00e7\u00e3o deu a brecha que permitiu que todos votasse, independentemente do sexo. Entretanto, um ano antes, a natalense Celina Guimar\u00e3es, diretora de uma escola de Mossor\u00f3, por incentivo d<\/span>os moradores<span class=\"c0\">, foi a primeira eleitora registrada no Brasil. Com o advento da Lei n.\u00ba 660, de 25 de outubro de 1927, o R<\/span>N<span class=\"c0\"> foi o primeiro estado que, ao regular o \u201cServi\u00e7o Eleitoral no Estado\u201d, estabeleceu que n\u00e3o haveria mais \u201cdistin\u00e7\u00e3o de sexo\u201d para v<\/span>otar<span class=\"c0\">. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">No ano seguinte, as mulheres potiguares finalmente puderam votar, e a foto das primeiras eleitoras est\u00e1 no Arquivo Nacional para mostrar que Natal nunca foi uma cidade morta. A a\u00e7\u00e3o delas estimulou que o C\u00f3digo Eleitoral Brasileiro de 1932 permitisse que as mulheres votassem. Em 1929, a potiguar Lu\u00edza Alzira Soriano Teixeira, se tornaria a primeira mulher a ser eleita para um mandato pol\u00edtico no Brasil. Ou seja, Alzira Soriano, em 1929, tomaria posse no cargo de prefeita de Lajes. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-42260\" title=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Alzira Soriano, a primeira prefeita em uma cidade brasileira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Mas foi pouco tempo de administra\u00e7\u00e3o, apenas sete meses. Com a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, Alzira Soriano perdeu o seu mandato por n\u00e3o concordar com o governo de Get\u00falio Vargas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Bertha Lutz<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">A respons\u00e1vel pela indica\u00e7\u00e3o de Alzira foi a pol\u00edtica e cientista feminista Bertha Lutz. Lutz foi uma das figuras pioneiras do feminismo no Brasil, al\u00e9m de ter sido a criadora da Liga pela Emancipa\u00e7\u00e3o Feminina. Nos anos 40, com o fim do Estado Novo, as mulheres potiguares continuavam a crescer na pol\u00edtica nacional.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Maria do C\u00e9u Fernandes, por exemplo, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de deputada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e, por extens\u00e3o, tamb\u00e9m a primeira deputada estadual mulher no Brasil.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">J\u00e1 na d\u00e9cada de 60, existe o \u00e1pice do feminismo no Brasil, quando surgiu uma nova retomada do movimento feminista pelas m\u00e3os de Romy Medeiros da Fonseca, que culminou na forma\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Mulheres do Brasil. Esse movimento torna as reivindica\u00e7\u00f5es mais abrangentes, como: princ\u00edpio da igualdade entre marido e mulher no casamento e a introdu\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio na Legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/span><\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Neste per\u00edodo, as estudantes potiguares deram a cara \u00e0 tapa durante as manifesta\u00e7\u00f5es contra o Governo Militar, nas quais muitas sacrificaram as suas vidas em favor da democracia. Durante a ditadura militar, as mulheres organizaram-se, independentemente de partidos pol\u00edticos, idade e classe social, para formar uma milit\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Ap\u00f3s a repress\u00e3o do governo M\u00e9dici, o feminismo s\u00f3 voltaria a brilhar novamente em meados da d\u00e9cada de 70.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h.rc11lgcr1q28\"><span class=\"c10\">A segunda onda feminista em Natal<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">A Segunda Onda do feminismo surgiu<\/span> n<span class=\"c0\">a Ditadura Militar, visto que muitas mulheres <\/span>sofreram repress\u00e3o <span class=\"c0\">por conta do Ato Inconstitucional n\u00ba5 e, por isso, resolveram criar a pr\u00f3pria luta contra a repress\u00e3o daqueles que estavam no poder. A historiadora Jana\u00edna Sobreira realizou um estudo sobre os movimentos da Segunda Onda em Natal, do qual reproduzimos algumas informa\u00e7\u00f5es relevantes a seguir. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Organiza\u00e7\u00f5es do movimento negro, hippie e do operariado uniram for\u00e7as para derrubar o regime. Entretanto, os livros de hist\u00f3ria destacam a for\u00e7a das mulheres, pois elas \u00e9 que ficavam na linha de frente nas manifesta\u00e7\u00f5es. As primeiras reivindica\u00e7\u00f5es eram por mais creches, al\u00e9m de exigirem anistia pol\u00edtica, participa\u00e7\u00e3o efetiva nos sindicatos e representa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas diversas. Levavam as quest\u00f5es para as rodas de conversa em restaurantes, bares, pra\u00e7as e cinemas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O ano era 1968<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">No ano de 1978, as universit\u00e1rias Rossana Sud\u00e1rio, hoje integrante do Minist\u00e9rio P\u00fablico, e Viveca Damasceno criaram o Centro da Mulher Natalense (CMN), cujo objetivo era esclarecer as mulheres de baixa renda sobre seus direitos sociais e trabalhistas, al\u00e9m de auxili\u00e1-las na obten\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre o controle de natalidade e outros assuntos que eram considerados tabu, como uso de contraceptivos e o aborto.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Nesta \u00e9poca, o acesso ao mercado de trabalho era tema muito recorrente n\u00e3o s\u00f3 nas not\u00edcias que circulavam naqueles anos, mas amplamente discutido em v\u00e1rios grupos de mulheres e feministas.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image16.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-42266\" title=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Vale lembrar que na \u00e9poca, uma das s\u00e9ries da Rede Globo, \u201cMalu Mulher\u201d, discutia a hist\u00f3ria de uma mulher divorciada que lutava por direitos iguais.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Descri\u00e7\u00e3o do grupo<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">A ideia era bastante similar ao Centro da Mulher Brasileira, considerado o primeiro grupo feminista institucionalizado no Brasil.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">A Viveca Damasceno \u00e9 sobrinha de Maria do C\u00e9u Fernandes, eleita a primeira deputada estadual no Brasil pelo Rio Grande do Norte. Al\u00e9m disso, elas chamaram aten\u00e7\u00e3o por promover in\u00fameros debates na capital potiguar e distribuir material para conscientizar a popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">O movimento chamou tanto aten\u00e7\u00e3o que<\/span> <span class=\"c0\">\u00f3rg\u00e3os ligados \u00e0 Ditadura Militar as investigaram. A Comiss\u00e3o da Verdade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) conseguiu registrar esses dados e publicar em um relat\u00f3rio.<\/span><\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Em 1981, foi realizado o Semin\u00e1rio da Mulher em Debate, na Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Augusto (FJA), onde ocorreram discuss\u00f5es divididas em pastas com temas que variam desde a legisla\u00e7\u00e3o sobre a mulher at\u00e9 a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e trabalho no Brasil e no mundo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">O encontro reuniu diversas mulheres que desenvolviam algum trabalho em Natal e em cidades interioranas e, ao t\u00e9rmino, ficou firmado o compromisso de uma nova entidade representativa das mulheres na cidade, o Movimento Mulheres em Luta.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Nesse encontro foi acordado que alguns meses depois aconteceria o I Encontro da Mulher Natalense, a ser realizado no Col\u00e9gio Nossa Senhora das Neves. Posteriormente, ele aconteceu em dezembro, reunindo mais de 800 mulheres.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"c0\">No mesmo ano aconteceu o I Encontro da Mulher Potiguar<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">A chance de reunir mulheres do estado todo fez com que as integrantes do MML se organizassem para garantir um m\u00ednimo de infraestrutura e divulga\u00e7\u00e3o com anteced\u00eancia. A busca por alimentos para as participantes, inclusive para as crian\u00e7as que ficariam nas creches provis\u00f3rias, foi intensa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Al\u00e9m de faixas, equipamentos de som, divulga\u00e7\u00e3o, etc. O encontro teve o Col\u00e9gio Marista como local escolhido, pois algumas militantes tinham o contato com irm\u00e3s respons\u00e1veis pela dire\u00e7\u00e3o da escola. Depois, o MML ficou conhecido pelas passeatas em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, al\u00e9m das exibi\u00e7\u00f5es de filmes e outros movimentos de conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Sem contar que elas foram bastante importantes na luta pelo Diretas J\u00e1 em Natal, que aconteceu no bairro do Alecrim.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Novo grupo representando o feminismo em Natal<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Em 1984 surgiu a Uni\u00e3o de Mulheres em Natal, tamb\u00e9m conhecido como UMNa, outro movimento feminista que tamb\u00e9m criara grupos de discuss\u00e3o e sempre fazia eventos com o MML. As mulheres do UMNa valorizavam as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, direitos reprodutivos, combate \u00e0 viol\u00eancia, se colocavam contra a estrutura militar que ainda perdura no Brasil.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">As a\u00e7\u00f5es do UMNa em 1985 se constitu\u00edram, basicamente, na continua\u00e7\u00e3o dos encontros nos <\/span>b<span class=\"c0\">airros da cidade, na realiza\u00e7\u00e3o de atos p\u00fablicos na luta contra a carestia, custo de vida, palestras com convidados que pudessem dar algum panorama.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">No ano seguinte foi criado o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), onde <\/span>houve debate <span class=\"c0\">com o Poder P\u00fablico.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o no Brasil, outro grupo de feministas na cidade surgiu, o Grupo Aut\u00f4nomo de Mulheres (GAM), no ano de 1989. Al\u00e9m de lutar pelos direitos das mulheres, elas montaram uma biblioteca com estudos e dados sobre a emancipa\u00e7\u00e3o feminina na totalidade. Nos anos seguintes, concomitantemente, UMNa e GAM se encontravam em alguns atos e dialogavam sobre a produ\u00e7\u00e3o de atividades pertinentes na cidade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">Organizaram passeatas sobre a viol\u00eancia contra a mulher e assinaram carta de rep\u00fadio \u00e0 forma como alguns jornalistas tratavam estat\u00edsticas sobre a viol\u00eancia sofrida por mulheres, com excessos de indiferen\u00e7a e frieza. At\u00e9 onde se sabe, o GAM permaneceu ativo em Natal at\u00e9 os anos 90.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\"><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c0\">*mat\u00e9ria publicada originalmente na Revista Brechando 2<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando pensamos em feminismo, logo nos v\u00eam \u00e0 mente as mulheres que lutaram para terem acesso a direitos b\u00e1sicos. Por exemplo, o direito a votar, a usar as roupas que queriam, a sa\u00edrem sem serem questionadas e a trabalhar. No entanto, para que isso acontecesse em Natal e no RN tivemos mulheres de coragem, como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2873],"tags":[3937],"class_list":["post-4513","post","type-post","status-publish","format-standard","category-brechadas","tag-feminismohistorianatal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4513"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4513\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}