{"id":4365,"date":"2022-12-23T00:00:00","date_gmt":"2022-12-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=4365"},"modified":"2022-12-23T00:00:00","modified_gmt":"2022-12-23T03:00:00","slug":"natal-de-newton-navarro-em-uma-cronica-de-jornal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/natal-de-newton-navarro-em-uma-cronica-de-jornal\/","title":{"rendered":"Natal de Newton Navarro em uma cr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c1\">O Brechando est\u00e1 em clima de Natal e <a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/2019\/04\/04\/como-eram-as-festas-de-lambada-em-natal-segundo-uma-alema-na-decada-de-90\/\">pesquisando sobre as festas antigamente <\/a>na capital potiguar encontramos uma <a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/2022\/05\/31\/cronica-presa-no-engarrafamento-do-mequi-na-chuva\/\">cr\u00f4nica<\/a> de Natal de Newton Navarro. A <a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=2ahUKEwi44Y_gofX5AhV3q5UCHaIdCPcQFnoECAUQAQ&amp;url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FNewton_Navarro&amp;usg=AOvVaw0XD8ST4ebuCVUlYoR0wO-T\">hist\u00f3ria <\/a>narra sobre um garoto que mora nas Quintas e tenta conseguir uns trocados no dia 24 de dezembro.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"c1\">Este texto <\/span>teve a sua publica\u00e7\u00e3o<span class=\"c1\"> no jornal \u201cO Poti\u201d em 1971, na edi\u00e7\u00e3o de 25 de dezembro. O texto ser\u00e1 publicado na \u00edntegra.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image1-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-40129\" title=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Confira a cr\u00f4nica de Natal de Newton Navarro a seguir<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jornal O Poti, 24 de dezembro de 1971. Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h.vt9e9i8pewe\"><span class=\"c2\">Est\u00f3ria de Natal<\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">Senti o Natal deveria ser assim como se o carregasse na alma pequena e pobre, como um fardo leve, esp\u00e9cie de presente a se acomodar no cora\u00e7\u00e3o. Lugar especial entre as lembran\u00e7as amargas. Um sopro de ar, mas que fosse luminoso e confortasse sentir no corpo mirrado e sujo. Ou seria o Natal somente aquela festa de que todos falavam com antecipa\u00e7\u00e3o de dias, ruas enfeitadas, vitrines iluminadas, gente feliz e bem vestida carregando pelas cal\u00e7adas presentes volumosos? Mas, fora assim, e a ele n\u00e3o caberia entender o Natal. Pois o lhe cercava agora era a mesma paisagem feia de todos os dias. A mesma condi\u00e7\u00e3o humilhante de sair pela cidade buscando o sustento para a m\u00e3e vi\u00fava e aleijada. <\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">As luzes, a festa e a alegria de todos pairava distante, assim como quando olhava o c\u00e9u esplendente em noites de calmaria, serenidade nas alturas e do terreiro dos fundos do casebre das Quintas, contava e recontava as estreias e sabia-se distante de tudo aquilo somente feito para as dist\u00e2ncias maiores e o faz de conta de posse que h\u00e1 no olhar pedinte e deslumbrado das crian\u00e7as pobres como ele. <\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">Dobrou a esquina e descobriu, quase num pasmo, a esteira de luzes da rua principal. Um desperd\u00edcio de claridades; e viu, assim, de s\u00fabito, como se rolasse do meio de toda aquela fosforesc\u00eancia, quadros que se substitu\u00edam uns aos outros, numa s\u00e9rie maravilhosa: carros abarroados de volumes coloridos, centenas de pessoas que se alegravam com situa\u00e7\u00f5es cantantes, cristais reverberantes de vitrines, os tentando em molduras de metais que gritavam na luz, um mundo m\u00e1gico de brinquedos. Viu mais e muita coisa ou viu, como, por exemplo, os sinos que tocavam sonidos de prata e havia uma m\u00fasica que jamais ele conhecera nas eletrolas dos bares ou entreouvira nos r\u00e1dios da vizinhan\u00e7a onde morava. Aquilo era o Natal!<\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">E a medida que caminhava os deslumbramentos se sucediam, trope\u00e7ava e pessoas diversas das que costumeiramente encontrava pela avenida entrevia s\u00fabitos clar\u00f5es de lantejoulas, bolas, riscos de luz, cord\u00f5es de estrela, pequenos sinos, manchas nebulosas com lenta neblina prateada, fest\u00f5es, guirlandas, guizos, cavalos de crinas enfeitadas de p\u00e1ssaros e flores, velas, c\u00edrios nascendo de flora\u00e7\u00f5es enormes, cornetas a jogar no espa\u00e7o frutos coloridos, faixas a se desdobrarem como num len\u00e7ol acariciante que anjos sustentavam coisas que jamais vira ou sonhara, coisas mais belas que as noites estreladas e pobres do seu terreirinho da casa das Quintas. <\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">Tanto andou e t\u00e3o pasmado estava que n\u00e3o se lembrou da obriga\u00e7\u00e3o das esmolas. Aquele mundo da rua deslumbrante, nas v\u00e9speras do Natal, fizera o esquecer os deveres e logo naquela noite, em que seria talvez f\u00e1cil conseguir esmolas generosas e ajuda polpudas c\u00e9dulas valiosas. Mas, o fato \u00e9 que j\u00e1 andara rua acima, rua abaixo, n\u00e3o sabia vezes quantas, vadiara esquinas, se aprofundara em transversais e somente os olhos cheios de luzes e os ouvidos misturados com tantas vozes e ritmos atestavam o seu perdul\u00e1rio passeio pelas cal\u00e7adas. <\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">Agora, no entanto, se sentia cansado. Os p\u00e9s descal\u00e7os ardiam e tinha um pouco de fome e roer a barriga funda. Um n\u00edquel no bolso n\u00e3o trazia para o coletivo e j\u00e1 era tarde. O movimento diminu\u00eda. Embora os cord\u00f5es de luzes parecessem mais vivos e encadeassem tanto quanto pereciam, enleantes cada vez mais baixos, cru\u00e9is, tentando enla\u00e7\u00e1-lo amea\u00e7adores. Ent\u00e3o correu pelo primeiro beco que encontrou a esquerda e nas sombras que a medida que caminhava, mais se adensavam. Respirou com for\u00e7a, sacudiu a cabe\u00e7a para afastar as vis\u00f5es luminosas que ainda o perseguiam e desapareceu sob o renque de f\u00edcus, na dire\u00e7\u00e3o da ladeira, nos rumos das Quintas. <\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">Havia luz na salinha de frente. Decerto, a m\u00e3e ainda n\u00e3o dormia. Bateu de leve para n\u00e3o assust\u00e1-la e for\u00e7ou a meia porta. Junto \u00e0 mesa, aclarada pela lamparina, viu o rosto materno, mais cheio de alegria do que claridade. Mais seu, do que revelado pela falsa luminosidade da chama. Sentiu vontade de falar qualquer coisa. Dizer: &#8220;M\u00e3e&#8221; e calar-se; mas, logo, foi recebido pela mulher com uma not\u00edcia que, para ela, parecia a coisa mais extraordin\u00e1ria daquela noite. Simplesmente a m\u00e3e lhe anunciava que a vizinha, uma pobre lavadeira, sua amiga, descansara em paz, uma crian\u00e7a. Que fosse v\u00ea-la ent\u00e3o, indagar se carecia de cuidados, de algum pequeno favor, da sua presen\u00e7a, o que fosse, mas que sa\u00edsse logo, de vez para ela n\u00e3o era poss\u00edvel o caminhar. <\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">Apressado, ganhou a rua sem sequer fechar a meia porta. <\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">Na casa da vizinha, na sala, numa cama suja, a amiga de sua m\u00e3e serenava num nosso delicado, em descanso. Tinha ao lado, o homem que tamb\u00e9m cabaceava na vig\u00edlia e, junto, uma luz de vela. Entre os dois, envolto de panos, muito alvos que a luz dourava, um menino agitava os bra\u00e7os e tinha nos olhos como estrelas mi\u00fadas a chama da vela repetida. Com vagar chegou mais perto. Achou por bem n\u00e3o tocar na crian\u00e7a e nem t\u00e3o pouco acordar a mulher.<\/span><span class=\"c1\"><\/span><\/p><\/blockquote>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><span class=\"c1\">O marido este dedespertara e pedia sil\u00eancio. Agora o que ele, o menbino, n\u00e3o sabia explicar era o tumulto que voltava a sua alma pequenina. N\u00e3o mais a paisagem luminosa, centante alvoro\u00e7ada das ruas que deixara havia pouco. Mas, uma outra festa desta feita, em sua alma pequena e pobre e mais do que isso, uma press\u00e3o sobre os ombros descarnados, for\u00e7ando a dobrar os joelhos a se curvar, a se ajoelhar e por fim diante daquele outro menino pobre, mas que estranho! Cheio de festa das luzes e de toda a alegria da cidade grande, que ainda, t\u00e3o pouco deixara como se para sempre. <\/span><\/p><\/blockquote>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gostaram do texto? Deixe aqui, portanto, o seu coment\u00e1rio. Al\u00e9m disso, queremos desejar um feliz natal para todos e que a sua comemora\u00e7\u00e3o seja incr\u00edvel. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brechando est\u00e1 em clima de Natal e pesquisando sobre as festas antigamente na capital potiguar encontramos uma cr\u00f4nica de Natal de Newton Navarro. A hist\u00f3ria narra sobre um garoto que mora nas Quintas e tenta conseguir uns trocados no dia 24 de dezembro. 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