{"id":4128,"date":"2022-05-12T00:00:00","date_gmt":"2022-05-12T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=4128"},"modified":"2022-05-12T00:00:00","modified_gmt":"2022-05-12T03:00:00","slug":"dia-que-tentaram-fornecer-carne-de-jegue-no-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/dia-que-tentaram-fornecer-carne-de-jegue-no-rn\/","title":{"rendered":"Dia que tentaram fornecer carne de jegue no RN"},"content":{"rendered":"<p>O ano era 2014 quando o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Norte (MPRN) primeiramente forneceu um banquete de carne de jegue aos 120 convidados moradores de Apodi e redondezas. Sendo que os participantes n\u00e3o eram empres\u00e1rios e sim boa parte eram os presos da cadeia da cidade, que chamam de Centro de Deten\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria (CDP). Na \u00e9poca, a imprensa repercutiu bastante a pol\u00eamica. Ainda mais, os pratos servidos eram fil\u00e9 ao molho madeira, fil\u00e9 ao molho branco, escondidinho de carne e churrasco.<\/p>\n<h2>Quem teve essa ideia de jegue?<\/h2>\n<p>Os animais do almo\u00e7o apreenderam nas rodovias do RN. A ideia foi do promotor da comarca de Apodi, S\u00edlvio Brito. Ele explicou que destinar a carne de jumento para consumo humano pode ser a forma de tirar esses animais das rodovias.<\/p>\n<p>\u201cO jumento era um objeto de trabalho, mas tornou-se obsoleto com o uso de motos e tratores. \u00c9 incalcul\u00e1vel o n\u00famero de animais abandonados por causa desse desinteresse e esses animais est\u00e3o soltos nas rodovias causando acidentes\u201d, afirmou o promotor de Justi\u00e7a S\u00edlvio Brito, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rn\/rio-grande-do-norte\/noticia\/2014\/03\/mp-promove-degustacao-e-propoe-fornecer-carne-de-jumento-presos.html\">em entrevista ao G1<\/a>.<\/p>\n<p>Na mesma entrevista, ele defendeu a ideia de que os jumentos apreendidos nas estradas do RN fossem ao abate e inclusos no card\u00e1pio da alimenta\u00e7\u00e3o de detentos do sistema penitenci\u00e1rio do estado.\u00a0 Segundo a PRF, de 2012 at\u00e9 o dia 10 de mar\u00e7o daquele ano apreenderam 3.354 animais nas estradas que cortam o RN &#8211; a maioria era jumentos.<\/p>\n<h2>E rolou a degusta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Todos os pratos servidos foram preparados pelo empres\u00e1rio Humberto Gurgel Pinto, dono do restaurante onde serviram o banquete. O chefe, no mesmo portal, disse que o preparo era igual da carne bovina, que tamb\u00e9m contou com a presen\u00e7a do secret\u00e1rio estadual de agricultura. Na \u00e9poca foram preparados 100 quilos de carne abatidos no abatedouro. A seguir, uma foto da galera comendo a iguaria.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-38095\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/1544107_487864957986477_1364041295_n.jpg\" alt=\"\" width=\"950\" height=\"600\" \/><\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o promotor queria apoiar o Eribaldo Nobre, fazendeiro da regi\u00e3o. Na \u00e9poca, ele era membro da Associa\u00e7\u00e3o dos Protetores dos Animais (APA) e resgatava os jegues em Apodi e terras vizinhas. Ent\u00e3o, ele dava comida, \u00e1gua, verm\u00edfugo e ainda mais fornecia alimentos, no qual somavam 27 mil reais por m\u00eas em gastos. As penas pecuni\u00e1rias do Minist\u00e9rio P\u00fablico iriam direto para a APA.<\/p>\n<p>Mas, com a superpopula\u00e7\u00e3o de jumentos, o MP resolveu propor uma a\u00e7\u00e3o: vender a carne. Para ajudar a desempacar a situa\u00e7\u00e3o dos jegues, o promotor Brito sugeriu um almo\u00e7o.\u00a0 Todos os pratos usaram como base a carne do animal, na tentativa de dar um destino aos que vagam sem dono. Quatro diretores de cadeia de Apodi e cidades vizinhas toparam na hora.<\/p>\n<p>Eribaldo, todavia, recusou a ir ao banquete. Por isso, os jegues estavam em uma cidade vizinha e n\u00e3o da fazenda do membro da APA, que tamb\u00e9m resgata gatos e cachorros. O caso ganhou, portanto,repercuss\u00e3o nacional, <a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/coluna\/cidades-sem-fronteiras\/de-quem-e-esse-jegue-8212-como-a-cidade-de-apodi-rn-tem-lidado-com-centenas-de-animais-abandonados-vagando-perigosamente-pelas-estradas\/\">inclusive na Revista Veja<\/a>.<\/p>\n<h2>Tr\u00eas anos depois uma empresa da China mostrou interesse<\/h2>\n<p>Em 2017, a carne de jumento virou not\u00edcia novamente, uma vez que uma empresa potiguar solicitou ao Minist\u00e9rio da Agricultura a comercializar o produto para que possa ser exportar \u00e0 China. Al\u00e9m disso, a venda poderia acontecer em outros estados brasileiros. Entretanto, protetores criticaram a a\u00e7\u00e3o, uma vez que o abate poderia intensificar a extin\u00e7\u00e3o do animal. Dados da ONG Defesa da Natureza e dos Animais em Mossor\u00f3 mostraram a redu\u00e7\u00e3o da quantidade destes equinos nos \u00faltimos 10 anos.<\/p>\n<p>O assunto foi destaque no <a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2017\/04\/25\/empresa-quer-abater-jumentos-no-nordeste-e-vender-carne-e-derivados-a-china.htm\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>UOL<\/strong><\/span><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano era 2014 quando o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Norte (MPRN) primeiramente forneceu um banquete de carne de jegue aos 120 convidados moradores de Apodi e redondezas. 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