{"id":4095,"date":"2022-01-25T00:00:00","date_gmt":"2022-01-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=4095"},"modified":"2022-01-25T00:00:00","modified_gmt":"2022-01-25T03:00:00","slug":"felipe-nunes-mistura-antropologia-com-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/felipe-nunes-mistura-antropologia-com-poesia\/","title":{"rendered":"Felipe Nunes mistura antropologia com poesia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das vantagens \u00e9 conhecer artistas sem saber que eles s\u00e3o artistas. Al\u00e9m disso, o Felipe apareceu no \u00faltimo carnaval, em 2020, por interm\u00e9dio de <a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/2021\/09\/03\/o-desfile-poetico-de-luma-virginia\/\">Luma Virg\u00ednia<\/a>, amiga da minha fam\u00edlia, e passamos praticamente todos os dias juntos nas festas, cantando \u201cOmbrim\u201d de Rosa Neon em looping e Alcione. Foi no meio do papo informal que ele associou o <\/span><b>Brechando<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> a mim e ficou surpreso que aquela doida toda melada de lama era jornalista. Assim, ficamos amigos e a zoeira continuou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Felipe Nunes \u00e9 sergipano que veio \u00e0 Natal para fazer o curso de Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Mas, a vida do jovem n\u00e3o foi apenas de pesquisa. Enquanto explorava as belezas de Ponta Negra, ele transformou o hobby de fazer poesia em profiss\u00e3o e tamb\u00e9m arriscou em transform\u00e1-las em m\u00fasicas. E deu certo!<\/span><\/p>\n<h2>Primeiro livro<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 lan\u00e7ou disco e agora vai lan\u00e7ar o seu primeiro livro de poemas \u201cO sil\u00eancio de onde acabo de voltar\u201d, atrav\u00e9s da editora Urutau. A obra re\u00fane pequenos textos com v\u00e1rios temas, como natureza, escravid\u00e3o, negritude, religi\u00e3o, inf\u00e2ncia em sergipe, crise pol\u00edtica e outras quest\u00f5es para falar de antropologia sem deixar um texto com cara de artigo cient\u00edfico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, antes de falar do hoje, precisamos voltar alguns anos. Quando tinha 12 anos, idade que ele come\u00e7ou a fazer poesia e desabafar os seus anseios. \u201cComecei na poesia, antes mesmo de saber o que era a poesia propriamente dita\u201d, contou em entrevista exclusiva ao <\/span><b>Brechando<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aos 15 anos ganhou seu primeiro viol\u00e3o e come\u00e7ou a dedilhar as primeiras m\u00fasicas. \u201cAs ci\u00eancias humanas (vieram)\u00a0 s\u00f3 com o ingresso na universidade\u201d, disse. Quando passou no vestibular, ele saiu de Aracaju e mudou-se para Natal, no qual mesmo vivendo em uma outra cidade do Nordeste percebeu algumas diferen\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSinto que Natal possui uma maior tend\u00eancia cosmopolita, algo que a hist\u00f3ria da cidade pode explicar, a precoce rela\u00e7\u00e3o com a ocupa\u00e7\u00e3o americana na Segunda Guerra Mundial. Em Aracaju, existe uma maior tradi\u00e7\u00e3o em destacar as manifesta\u00e7\u00f5es culturais populares que constituem a cidade, com promo\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de eventos neste sentido. Talvez seja essa a minha principal impress\u00e3o\u201d, relatou.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><strong>A vida n\u00e3o foi s\u00f3 de pesquisa<\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como todo estudante de humanas, ele percebeu que o ambiente universit\u00e1rio n\u00e3o precisa ser quadrad\u00e3o e podia mostrar seu olhar a partir de v\u00e1rias viv\u00eancias, do jeito que Boaventura Santos ensinou. \u201cNa universidade comecei a tomar contato com a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, interven\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas e isto tomou outra propor\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E claro que fiz a pergunta que ele mais ouviu na vida: \u201cQual a \u00e1rea que mais gosta?\u201d. Educadamente, ele respondeu:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Cada \u00e1rea tem suas dores e del\u00edcias. Tento estender uma ponte de rela\u00e7\u00f5es entre todas elas, seja a literatura, m\u00fasica, hist\u00f3ria, antropologia. Trabalho a partir da interdisciplinaridade, relacionando de alguma forma todos esses campos de atua\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<h2>Antropologia com poesia<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sua carreira de poeta oficial veio em Natal, quando come\u00e7ou a participar do Sarau Insurg\u00eancias Po\u00e9ticas. Enquanto isso, Felipe Nunes estudava antropologia na sua p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA antropologia foi um ponto de virada na minha vida, sem d\u00favida, modificou minha maneira de ver e estar no mundo e isso refletiu necessariamente na minha rela\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. O dever do antrop\u00f3logo \u00e9 multiplicar mundos, apresentar distintas maneiras de conceber a vida social. A arte, aprofunda a rela\u00e7\u00e3o do ser com o mundo em sua volta, estimula o sentir, transforma. Ent\u00e3o, diria que a antropologia tem me ajudado a produzir artisticamente por distintos e diversos campos de vis\u00e3o, como por exemplo, encontrar poesia a partir da explica\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea os urubus voam t\u00e3o alto, ou do porqu\u00ea das formigas carregam seus mortos de volta ao formigueiro.\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Felipe foi uma oportunidade de exercitar e conhecer outros colegas de v\u00e1rias idades e das mais diferentes gera\u00e7\u00f5es. Mas, somente em 2020 que criou coragem de lan\u00e7ar o livro e considera que foi o momento de amadurecimento na sua escrita.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cComecei a reunir alguns poemas escritos ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos e de repente me dei conta que existia um livro ali. Depois, comecei a construir um eu-l\u00edrico que vai caminhando ao longo do livro e forjando uma linguagem po\u00e9tica\u00a0 a partir da experi\u00eancia com natureza, hist\u00f3ria e sentimentos. Por fim, tive a felicidade de ser selecionado pela <\/span><a href=\"https:\/\/editoraurutau.com\/titulo\/o-silencio-de-onde-acabo-de-voltar?utm_source=IGShopping&amp;utm_medium=Social\"><span style=\"font-weight: 400;\">Editora Urutau<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> a partir de uma chamada com mais de 200 originais, e assim o livro nasceu\u201d, celebrou.<\/span><\/p>\n<h2><strong>E o lan\u00e7amento?<\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora o livro esteja \u00e0 venda no site da editora e algumas edi\u00e7\u00f5es com o pr\u00f3prio Felipe, o lan\u00e7amento oficial teve que ser adiado por conta do aumento de casos da Covid-19. \u201cCertamente teremos interven\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas, m\u00fasica, pretendo realizar uma grande celebra\u00e7\u00e3o, dar bons motivos para encontrar os amigos, amantes da poesia, fazer a palavra circular, beber algumas cervejas. Lan\u00e7ar um livro \u00e9 uma boa desculpa para tudo isso\u201d, brincou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, ser\u00e1 que ter\u00e1 esperan\u00e7a para consumir poesia, diante desse caos?\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSou terrivelmente otimista o que me faz acreditar que \u00e9 poss\u00edvel fazer com que a poesia seja cada vez mais consumista. Todavia, com os p\u00e9s no ch\u00e3o, sei das dificuldades de encontrar leitores em um pa\u00eds onde h\u00e1 est\u00edmulos para literatura, em especial para poesia. Ademais, existe uma tradi\u00e7\u00e3o conservadora na literatura brasileira de maior aprecia\u00e7\u00e3o a produ\u00e7\u00f5es marcadas pelo realismo liter\u00e1rio, e por consequ\u00eancia, a poesia, esse espa\u00e7o de imagina\u00e7\u00e3o mais libert\u00e1ria e fant\u00e1stica, encontra\u00a0 dificuldades maiores para conseguir leitores. Mas sigo acreditando, inclusive, acho que o deve de todo poeta \u00e9 sensibilizar o mundo e colocar a poesia na rua, os saraus s\u00e3o essenciais neste sentido\u201d, afirmou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das vantagens \u00e9 conhecer artistas sem saber que eles s\u00e3o artistas. Al\u00e9m disso, o Felipe apareceu no \u00faltimo carnaval, em 2020, por interm\u00e9dio de Luma Virg\u00ednia, amiga da minha fam\u00edlia, e passamos praticamente todos os dias juntos nas festas, cantando \u201cOmbrim\u201d de Rosa Neon em looping e Alcione. 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