{"id":3884,"date":"2021-11-19T00:00:00","date_gmt":"2021-11-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=3884"},"modified":"2021-11-19T00:00:00","modified_gmt":"2021-11-19T03:00:00","slug":"como-eram-os-negros-potiguares-no-seculo-xx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/como-eram-os-negros-potiguares-no-seculo-xx\/","title":{"rendered":"Como eram os negros potiguares no s\u00e9culo XX"},"content":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo s\u00e1bado (20) ser\u00e1 o Dia da Consci\u00eancia Negra e \u00e9 primeiramente uma forma de relembrar que o racismo ainda existe. No entanto, a gente vai falar sobre os primeiros retratos de pessoas negras do Rio Grande do Norte fotografadas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Tudo isso somente aconteceu\u00a0 gra\u00e7as ao caicoense Jos\u00e9 Ezelino, no qual muitos os consideram o primeiro fot\u00f3grafo negro do sert\u00e3o nordestino. As fotografias mostram, portanto, como os negros, ap\u00f3s o fim da escravid\u00e3o, eram vistos.<\/p>\n<p>O trabalho de Ezelino \u00e9 considerado \u00fanico, j\u00e1 que a maioria dos registros de negros da \u00e9poca mostram algo totalmente diferente. Ezelino, que paralelamente produziu um vasto material de Caic\u00f3 e demais regi\u00f5es do Serid\u00f3, infelizmente teve muitas fotos perdidas.<\/p>\n<p>Muitas dessas imagens s\u00e3o de familiares e vizinhos do pr\u00f3prio Jos\u00e9 Ezelino. Veja, portanto, algumas imagens a seguir:<\/p>\n\n<h2>Sobre o fot\u00f3grafo Jos\u00e9 Ezelino<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu nome \u00e9 Jos\u00e9 Ezelino e \u00e9 filho de escravos e nascido em Caic\u00f3 no ano de 1889 &#8211; um ano ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Brasil, a Lei A\u00farea, assinada pela ent\u00e3o Princesa Isabel. Pouco se sabe de sua hist\u00f3ria e como descobriu a fotografia, s\u00f3 se sabe que ele adquiriu experi\u00eancia com profissionais da Para\u00edba e do Pernambuco, atrav\u00e9s de um recorte de jornal da \u00e9poca. Mas, ele conseguiu registrar uma das 10 maiores cidades do Rio Grande do Norte, principalmente que esteve em ascen\u00e7\u00e3o economicamente, com a agricultura do algod\u00e3o.\u00a0Era uma profiss\u00e3o na \u00e9poca rara no Sert\u00e3o, na d\u00e9cada de 20, principalmente nos recantos distantes dos grandes centros urbanos do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Rostand Medeiros, na metade da d\u00e9cada de 1920 do s\u00e9culo passado o munic\u00edpio de Caic\u00f3 tinha uma popula\u00e7\u00e3o em torno de 25.000 mil habitantes, mas o n\u00facleo urbano n\u00e3o tinha nem 8000 pessoas. Apesar desta pequenez habitacional, Caic\u00f3 j\u00e1 tinha um banco.<\/p>\n<figure id=\"attachment_23862\" aria-describedby=\"caption-attachment-23862\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Jose-Ezelino-publicidade-da-epoca.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-23862\" src=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Jose-Ezelino-publicidade-da-epoca.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"359\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-23862\" class=\"wp-caption-text\">An\u00fancio de jornal de Jos\u00e9 Ezelino na \u00e9poca<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era nesse per\u00edodo que Ezelino registrou em sua m\u00e1quina a si mesmo e a seus familiares com a mesma linha est\u00e9tica das fam\u00edlias de alta classe da Regi\u00e3o Sudeste e de pa\u00edses europeus. O artista, um grande inovador, criou figurinos dire\u00e7\u00e3o, cen\u00e1rios e capta\u00e7\u00e3o de imagens utilizando seus pr\u00f3prios recursos e sem apelar para refer\u00eancias de outros artistas. Al\u00e9m disso, conseguiu registrar o centro da cidade, como nesta foto a seguir:<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Existe um livro sobre Jos\u00e9 Ezelino sobre negros potiguares<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadora \u00c2ngela Almeida lan\u00e7ou em 2018 o livro &#8220;Quando a pele incendeia a mem\u00f3ria\u201d, de autoria da pesquisadora \u00c2ngela Almeida que resgata o trabalho do fot\u00f3grafo caicoense. Al\u00e9m disso, Ezelino imortalizou imagens de parentes e amigos e o cotidiano da sociedade da sua \u00e9poca. Para a elabora\u00e7\u00e3o do livro, \u00c2ngela Almeida contou com o apoio da sobrinha-neta do retratista, a arquiteta Ana Z\u00e9lia Moreira, que apresentou o \u00e1lbum de fam\u00edlia, heran\u00e7a deixada por sua m\u00e3e. O livro conta com projeto gr\u00e1fico de Rafael Sordi Campos e ilustra\u00e7\u00f5es de Michelle Holanda.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A maioria dos registros \u00e9 da popula\u00e7\u00e3o negra retratada como vendedores de ruas ou como trabalhadores de baixo escal\u00e3o. Al\u00e9m dos registros familiares, Ezelino produziu um vasto material da cidade de Caic\u00f3 e demais regi\u00f5es do Serid\u00f3. Infelizmente, muitas destas fotos foram perdidas ao longo dos anos, o que fortalece ainda mais, portanto, a import\u00e2ncia do trabalho da pesquisadora \u00c2ngela Almeida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo s\u00e1bado (20) ser\u00e1 o Dia da Consci\u00eancia Negra e \u00e9 primeiramente uma forma de relembrar que o racismo ainda existe. 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