{"id":3877,"date":"2021-11-01T00:00:00","date_gmt":"2021-11-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=3877"},"modified":"2021-11-01T00:00:00","modified_gmt":"2021-11-01T03:00:00","slug":"o-uso-dos-espartilhos-em-natal-no-seculo-19-e-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/o-uso-dos-espartilhos-em-natal-no-seculo-19-e-20\/","title":{"rendered":"O uso dos espartilhos em Natal no s\u00e9culo 19 e 20"},"content":{"rendered":"<p>Sempre gostei de espartilhos, apesar de ser dif\u00edcil achar em Natal. Adorava ver os filmes de princesa aquele corpo acinturado e deixava elegante. Via as cantoras de metal g\u00f3tico e ficava mais admirada, tanto que tenho um. Mas, voc\u00ea sabia que na virada do s\u00e9culo 19 para 20 isso virou moda no RN? Pesquisando a Hemeroteca da Biblioteca Nacional, eu vi v\u00e1rios an\u00fancios de armarinhos e alfaiates que fabricavam a vestimenta do estilo mais europeu poss\u00edvel, no qual as mo\u00e7as da elite natalense claramente adquiririam.<\/p>\n<p>Afirmo essa frase com tanta certeza porque os an\u00fancios de jornais foram repelidos v\u00e1rias vezes e era normal ver os pr\u00f3prios natalenses fazerem a sua pr\u00f3pria vestimenta. Veja os an\u00fanicos a seguir:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho2.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35294\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho2.png\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"646\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho3.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35293\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho3.png\" alt=\"\" width=\"404\" height=\"479\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho1.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35295\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho1.png\" alt=\"\" width=\"398\" height=\"611\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em jornais como &#8220;A Rep\u00fablica&#8221;, &#8220;O Brado Conservador&#8221; e a primeira vers\u00e3o do &#8220;Di\u00e1rio de Natal&#8221; s\u00e3o comuns em ver an\u00fancios como esse acima. A venda acontecia tanto na Ribeira quanto no bairro de Cidade Alta. Nas pesquisas do\u00a0<strong>Brechando<\/strong> essas eram as grifes mais comuns que vendiam espartilho na cidade, comprovando, novamente, que os natalenses seguiam \u00e0 risca da moda europeia.<\/p>\n<h2>Como surgiu o espartilho em Natal<\/h2>\n<p>Os espartilhos surgiram na Era Vitoriana, termo que se referencia ao reinado da rainha Vit\u00f3ria, entre 1837 a 1901. A sua segunda metade coincide com o come\u00e7o da <a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/2020\/04\/natal-nos-tempos-da-belle-epoque\/\">Belle \u00c9poque<\/a> na Europa e, neste per\u00edodo, Natal passava por um per\u00edodo de moderniza\u00e7\u00e3o, desde na mudan\u00e7a urbana at\u00e9 em suas vestimentas. Com o espartilho n\u00e3o seria diferente.<\/p>\n<p>A roupa surgiu durante o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o entre o velho e o novo s\u00e9culo, pode-se perceber com mais precis\u00e3o o in\u00edcio da moderniza\u00e7\u00e3o do vestu\u00e1rio, principalmente relacionado ao guarda-roupa feminino. Al\u00e9m disso, os estilos n\u00e3o apenas come\u00e7am a se assemelhar com a moda contempor\u00e2nea, como come\u00e7aram a fazer as mulheres a buscar igualdade.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora potiguar, Ant\u00f4nia Sabrina Bezerra da Silva, da Universidade do Estado do RN (Uern), as vestimentas desse per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o era uma forma de mostrar a status. Ou seja, a natureza do espa\u00e7o social influencia diretamente a forma como as pessoas se vestem.<\/p>\n<p>Para Ant\u00f4nia Sabrina, &#8220;a moda reafirma a liberdade que o sujeito adquiriu para \u201crecriar\u201d a pr\u00f3pria pele e as pr\u00f3prias formas, n\u00e3o as que j\u00e1 foram concebidas biologicamente, mas as que s\u00e3o geradas por sua imagina\u00e7\u00e3o e materializadas atrav\u00e9s das texturas, linhas, adornos, acess\u00f3rios e tecidos&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com o livro &#8220;Cidade Mem\u00f3ria&#8221;, era comum ver mulheres de espartilho em encontros sociais importantes do s\u00e9culo XX. Um exemplo \u00e9 o Cine Polytheama ou no Royal Cinema. Para achar era f\u00e1cil, basta ir na Rua Chile ou na Doutor Barata e comprar nas lojas importadas.\u00a0 J\u00e1 o escritor Anchieta Fernandes aponta que era comum ver nestas ruas as mulheres portando espartilhos em Natal. Al\u00e9m disso, elas andavam de anquinhas e sobretudo de casimira com golas de barbatana se dirigindo a Rua Chile para verem filmes no Polytheama.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho4.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35292\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho4.png\" alt=\"\" width=\"459\" height=\"501\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho5.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35291\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho5.png\" alt=\"\" width=\"335\" height=\"141\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho6.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35290\" src=\"https:\/\/brechando.com\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/espartilho6.png\" alt=\"\" width=\"725\" height=\"674\" \/><\/a><\/p>\n<h3>O fim do espartilho da moda<\/h3>\n<p>Teve uma \u00e9poca que a calcinha era na verdade uma pantalona. Isto foi no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio dos anos 1900. Seu design largo ajudava a manter a abertura discreta e isto era importante para as condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias da \u00e9poca. Os espartilhos estavam saindo de moda na d\u00e9cada de 20 e <a href=\"http:\/\/flamboyant.com.br\/blog\/2018\/02\/calcinhas-do-passado-futuro-e-presente-100-anos-de-historia\/\">dando espa\u00e7o para macaquinhos.<\/a> As mulheres abandonaram a roupa \u00edntima da gera\u00e7\u00e3o de suas m\u00e3es e ficaram mais confort\u00e1veis.<\/p>\n<p>Assim, portanto, surgiram as lingeries que conhecemos hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre gostei de espartilhos, apesar de ser dif\u00edcil achar em Natal. Adorava ver os filmes de princesa aquele corpo acinturado e deixava elegante. Via as cantoras de metal g\u00f3tico e ficava mais admirada, tanto que tenho um. Mas, voc\u00ea sabia que na virada do s\u00e9culo 19 para 20 isso virou moda no RN? 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