{"id":3515,"date":"2021-03-31T00:00:00","date_gmt":"2021-03-31T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=3515"},"modified":"2021-03-31T00:00:00","modified_gmt":"2021-03-31T03:00:00","slug":"emmanuel-bezerra-potiguar-morto-pela-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/emmanuel-bezerra-potiguar-morto-pela-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"Emmanuel Bezerra, potiguar morto pela Ditadura Militar"},"content":{"rendered":"<p>O dia 31 de mar\u00e7o e o 1\u00ba de abril \u00e9 um momento que as pessoas deveriam primeiramente relembrar das vidas que foram mortas durante a Ditadura Militar. Primeiramente, n\u00f3s falamos da morte de Lu\u00eds Maranh\u00e3o e tamb\u00e9m de v\u00e1rios assuntos sobre este tema. Recentemente, visitamos a ocupa\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2020\/11\/um-encontro-de-dois-abandonos-publicos\/\">Emmanuel Bezerra<\/a>, no qual pessoas ocuparam a antiga Faculdade de Direito da UFRN. Mas, afinal, quem foi este estudante da institui\u00e7\u00e3o de ensino?<\/p>\n<h2>Filho de pescadores, ele entrou na milit\u00e2ncia ainda jovem<\/h2>\n<p>Emmanuel nasceu S\u00e3o Bento do Norte, no dia 17 de junho de 1947. Portanto, n\u00e3o veio da elite, como muitos estudantes da UFRN, visto que o acesso ao ensino superior era dif\u00edcil. Na \u00e9poca, ele morava em Cai\u00e7ara do Norte,\u00a0 distrito de S\u00e3o Bento. Em 1961, para ter uma vida melhor, mudou-se para a Casa do Estudante. Inicialmente, ele estudou no Atheneu e l\u00e1 come\u00e7ou a sua milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Ele fundou com outros colegas, funda o jornal &#8220;O Realista&#8221;. As den\u00fancias sociais eram o principal morte do jornal. Sua carreira como jornalista n\u00e3o terminou, visto que ap\u00f3s o t\u00e9rmino da escola, j\u00e1 na \u00e9poca da ditadura militar, no entanto, fundou &#8220;O Jornal do Povo&#8221;, cujas publica\u00e7\u00f5es tinha representantes de diversos munic\u00edpios.<\/p>\n<h2>Vida na UFRN<\/h2>\n<p>No ano de 1967, ingressou na Faculdade de Sociologia da Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Augusto, onde atuou no Diret\u00f3rio Acad\u00eamico \u201cJosu\u00e9 de Castro\u201d. Foi eleito presidente da Casa do Estudante, onde moravam os estudantes pobres do interior e que mais tarde serviria de trincheira de luta do movimento estudantil (secundaristas e universit\u00e1rios) de Natal. Foi delegado junto ao 29\u00ba Congresso da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE) em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em 1968, tornou-se diretor do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tendo papel de lideran\u00e7a no movimento estudantil universit\u00e1rio. Tamb\u00e9m organizou a bancada dos estudantes potiguares para o 30\u00ba Congresso da UNE, em Ibi\u00fana (SP), onde foi preso e logo depois expulso da universidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_32170\" aria-describedby=\"caption-attachment-32170\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/unnamed-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-32170\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/unnamed-3.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"370\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-32170\" class=\"wp-caption-text\">Emmanuel Bezerra<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1966, entrou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e se tornou um dos principais articuladores nacionais. Em 1967, deixou o PCB para entrar no rec\u00e9m fundado Partido Comunista Revolucion\u00e1rio (PCR).<\/p>\n<p>Emmanuel \u00e9 preso (dezembro de 1968), ap\u00f3s instaura\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/cpdoc.fgv.br\/producao\/dossies\/FatosImagens\/AI5\">do AI-5<\/a>. Al\u00e9m disso, o militante cumpriu pena at\u00e9 outubro de 1969 em quart\u00e9is do Ex\u00e9rcito, Distrito Policial e finalmente na Base Naval de Natal. Libertado, o estudante imerge na clandestinidade, indo atuar politicamente (j\u00e1 como dirigente nacional do seu partido) nos Estados de Pernambuco e Alagoas.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, realiza viagens ao Chile e Argentina em miss\u00e3o do partido, ainda mais buscando aglutinar exilados brasileiros \u00e0 luta em desenvolvimento no pa\u00eds.<\/p>\n<h2>Sua morte<\/h2>\n<p>Emmanuel Bezerra dos Santos morreu em 4 de setembro de 1973, junto a Manuel Lisboa de Moura, na cidade de S\u00e3o Paulo. De acordo com a vers\u00e3o oficial, tanto Emmanuel quanto Manoel foram mortos em um tiroteio com agentes policiais. Emmanuel retornou ao Chile h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, os policiais montaram, por conseguinte, uma emboscada aguardaram a chegada de Emmanuel. Ainda de acordo com esta vers\u00e3o, logo ap\u00f3s o avistarem, deram-lhe voz de pris\u00e3o e, neste instante, ele teria atirado nos agentes. Como resultado, os militares reagiram, desferindo tiros na dire\u00e7\u00e3o dos dois. Emmanuel e Manuel estavam mortos quando estavam sendo levados para o Hospital de Cl\u00ednicas.<\/p>\n<h3>Uma segunda vers\u00e3o de sua morte<\/h3>\n<p>Emmanuel e Manoel foram presos em Recife, no dia 16 de agosto de 1973. Posteriormente, os militares conduziram os presos ao DOPS de Pernambuco, sendo torturado por v\u00e1rios dias. Depois, foi transferido para S\u00e3o Paulo, pelo policial Luiz Miranda e entregue ao delegado S\u00e9rgio Fleury. Na capital paulistana, torturaram Emmanuel at\u00e9 a morte no Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI\/CODI-SP), quando o mutilaram, arrancando-lhe os dedos, umbigo, test\u00edculos e p\u00eanis.<\/p>\n<h3>Seus corpos foram enterrados inicialmente como indigentes<\/h3>\n<p>A sua necropsia foi realizada pelo m\u00e9dico Harry Shibata, que assinou o laudo sem examinar o corpo e ainda mais omitiu todas as marcas de tortura presentes em seu corpo. Fotografia recuperada pela Comiss\u00e3o da Verdade mostra Emmanuel j\u00e1 morto e muito machucado.<\/p>\n<p>Ficou evidente a viol\u00eancia sofrida no DOI-CODI. Seu olho esquerdo estava inchado, seus l\u00e1bios tamb\u00e9m machucados, havia ferimentos em seu rosto, seu nariz aparecia quebrado e em volta do seu pesco\u00e7o estava feito um colar de morte, marcado com ferro em brasa. Emmanuel Bezerra dos Santos e Manoel Lisboa de Moura foram enterrados como indigentes no Cemit\u00e9rio de Campo Grande, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h2>S\u00f3 acharam os restos mortais nos anos 90<\/h2>\n<p>Em 13 de mar\u00e7o de 1992 <a href=\"http:\/\/memoriasdaditadura.org.br\/memorial\/emanuel-bezerra-dos-santos\/\">seus restos mortais foram exumados, periciados e identificados pela equipe de legistas da Universidade de Campinas (UNICAMP)<\/a>. Trasladados para Natal em julho de 1992, a ossada seguiu em cortejo para S\u00e3o Bento do Norte, com uma grande como\u00e7\u00e3o da comunidade local. Seu corpo encontra-se no Cemit\u00e9rio P\u00fablico da cidade.<\/p>\n<p>Emmanuel recebeu diversas homenagens, uma delas \u00e9 que seu nome agora \u00e9 rua no bairro de Pitimbu, em Natal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Emmanuel ganhou um livro com seu nome &#8220;Emmanuel vida e morte&#8221;. A obra, feita por diversos de seus amigos de inf\u00e2ncia, familiares e colegas, \u00e9 um di\u00e1rio vivo de como era ter vivido com o estudante e o que ele representava para cada um.<\/p>\n<h2>Atividades art\u00edsticas<\/h2>\n<p>Al\u00e9m de militante pol\u00edtico, Emmanuel era uma pessoa voltada para a arte e cultura, uma vez que participou dos movimentos art\u00edsticos desenrolados na capital Natal. Rabiscou seus primeiros poemas adolescentes ainda na sua long\u00ednqua Cai\u00e7ara do Norte. Apesar das atribula\u00e7\u00f5es da vida clandestina, foi poss\u00edvel, portanto, salvar alguns dos poemas de sua autoria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 31 de mar\u00e7o e o 1\u00ba de abril \u00e9 um momento que as pessoas deveriam primeiramente relembrar das vidas que foram mortas durante a Ditadura Militar. Primeiramente, n\u00f3s falamos da morte de Lu\u00eds Maranh\u00e3o e tamb\u00e9m de v\u00e1rios assuntos sobre este tema. 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