{"id":3326,"date":"2020-10-08T00:00:00","date_gmt":"2020-10-08T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=3326"},"modified":"2020-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2020-10-08T03:00:00","slug":"pedro-rhuas-jornalista-escritor-e-cantor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/pedro-rhuas-jornalista-escritor-e-cantor\/","title":{"rendered":"Pedro Rhuas: jornalista, escritor e cantor"},"content":{"rendered":"<p>Sua criatividade aparece espontaneamente, assim como os discretos fios brancos no cabelo. Primeiramente podemos descrever Pedro Rhuas <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2020\/03\/tedio-na-quarentena-leia-romance-do-potiguar-pedro-rhuas\/\">como meio potiguar<\/a>, meio cearense, meio jornalista, meio escritor, mas juntando todas essas metades formam uma persona inteira. Isso pode ser percept\u00edvel, portanto, nesta entrevista ao <strong>Brechando<\/strong>. No in\u00edcio do ano lan\u00e7ou o livro &#8220;Enquanto eu n\u00e3o te encontro&#8221;, surgindo inicialmente ap\u00f3s uma decep\u00e7\u00e3o amorosa.<\/p>\n<p>O que seria apenas uma forma de desabafar o fim de um relacionamento virou o divisor de \u00e1guas na sua vida, no qual o <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2020\/08\/voce-precisa-saber-do-meu-livro-o-dia-que-nao-chegou-a-semana-que-vem\/\">e-book<\/a> ser\u00e1 publicado na editora <a href=\"http:\/\/companhiadasletras.com.br\">Companhia das Letras<\/a>. Falamos de m\u00fasica, livros, quarentena, LGBT e dentre outros assuntos neste bate-papo para conhecer melhor o artista, uma vez que esses assuntos fazem parte do seu cotidiano.<\/p>\n<p>Confira a entrevista na \u00edntegra a seguir:<\/p>\n<h3><strong>A m\u00fasica veio primeiro ou as letras?<\/strong><\/h3>\n<p>A m\u00fasica n\u00e3o era nada que eu imaginava que fosse viver. Quando adolescente, eu cantarolava melodias da minha cabe\u00e7a, mas nunca pensei que um dia trabalharia com isso. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o bem oposta \u00e0 literatura: eu escrevo desde muito jovem e ser escritor sempre foi meu grande sonho. A escrita foi meu escape e minha maneira de me compreender neste mundo n\u00e3o raro dif\u00edcil em que vivemos conforme crescia. Atrav\u00e9s da escrita onde eu descobri tamb\u00e9m, ainda que meio ao acaso, minha voz; comecei a experimentar com composi\u00e7\u00f5es. Fui tomando gosto pelo neg\u00f3cio. Hoje elas se encontraram!<\/p>\n<h3><strong>O que voc\u00ea lia na inf\u00e2ncia? O que voc\u00ea l\u00ea hoje?<\/strong><\/h3>\n<p>Meus pais se mudavam muito na minha inf\u00e2ncia (ainda se mudam) e minha fonte de magia e apoio era a literatura fant\u00e1stica. Devorava muita aventura: de Harry Potter \u00e0 (As Cr\u00f4nicas de) N\u00e1rnia. \u00c0 medida que fui crescendo, realmente comecei a me interessar mais pela literatura jovem-adulto contempor\u00e2nea. Com personagens jovens e seus dilemas que pareciam mais comigo. Continuo lendo isso tudo, mas estudante de Jornalismo que sou, claro, passei a incorporar outras leituras, como viagem, livro-reportagem, obras sobre exoterismo&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 a vida adulta e suas decep\u00e7\u00f5es me levaram a muitos livros de auto-ajuda tamb\u00e9m, haha.<\/p>\n<h3><strong> Voc\u00ea \u00e9 do Serido que veio para Natal, como foi essa mudan\u00e7a e como isso ajudou no seu desenvolvimento profissional e pessoal?<\/strong><\/h3>\n<p>Minhas ra\u00edzes s\u00e3o ciganas. Nasci em Mossor\u00f3 s\u00f3 porque minha cidade, Icapu\u00ed, no litoral do Cear\u00e1, n\u00e3o tinha maternidade. A fam\u00edlia da minha m\u00e3e \u00e9 de Carna\u00faba dos Dantas, que \u00e9 uma ambienta\u00e7\u00e3o m\u00e1gica em minhas lembran\u00e7as. No Rio Grande do Norte, morei em Apodi, Macau, Natal e em Carna\u00faba. Essa mistura de Cear\u00e1 e RN que marca minha vida \u00e9 o motivo pelo qual hoje eu me assumo como poticearense, um neologismo que representa minhas andan\u00e7as por esses dois estados.<\/p>\n<p>Me mudar para Natal representou um divisor de \u00e1guas tanto profissional quanto pessoal. Nos cinco anos que passei na cidade, pude me reaproximar de um eu-art\u00edstico que tinha ficado em segundo plano. A efervescente cena art\u00edstica no in\u00edcio da minha gradua\u00e7\u00e3o, entre 2015 e 2017, me afetou muito e moldou bastante o Pedro que sou hoje. Sou grato demais por isso, viv\u00eancias que se refletem em minha m\u00fasica e em minha literatura.<\/p>\n<h3><strong>Recentemente, voc\u00ea lan\u00e7ou um livro e tem trilha sonora, conte mais sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/h3>\n<p>&#8220;Enquanto eu n\u00e3o te encontro&#8221; \u00e9 um livro que venho trabalhando desde 2016, meu segundo ano em Natal. Essa hist\u00f3ria j\u00e1 teve seus v\u00e1rios momentos e decidi dividi-la com o mundo em mar\u00e7o de 2020. Desde que descobri minha voz soube que queria unir literatura e m\u00fasica, e foi assim que me inspirei para compor a can\u00e7\u00e3o que \u00e9 a trilha sonora do livro (era algo que eu sentia falta na literatura, esse campo mais &#8220;transm\u00eddia&#8221;).<\/p>\n<p>Escrevi a m\u00fasica ap\u00f3s um cora\u00e7\u00e3o partido no final de 2018. Morava em Lisboa. Gravei assim que voltei para o Brasil, em setembro de 2019. Hoje os dois produtos voam no seu pr\u00f3prio tempo e com as pr\u00f3prias asas, apesar de caminharem lado a lado e potencializarem essa mensagem que eu queria trazer: de acreditar no amor e n\u00e3o perder a esperan\u00e7a&#8230;<\/p>\n<h3><strong>Existe alguma influ\u00eancia na sua literatura?<\/strong><\/h3>\n<p>Muitaaa! \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o ser influenciado. Eu me decido ao m\u00e1ximo para criar uma voz pr\u00f3pria, original, mas carregamos nossas influ\u00eancias de qualquer modo. David Levithan, um romancista de literatura jovem com protagonismo LGBTQIA+, \u00e9 um nome que me impactou muito. Tamb\u00e9m cito John Boyne e Taylor Jenkins Reid como outras duas grandes inspira\u00e7\u00f5es. Meu balaio referencial \u00e9 grande e misturado. Como leitor \u00e1vido, trago muito comigo.<\/p>\n<h3><strong>Seu livro fala de um romance de dois homens, voc\u00ea teve que ouvir alguma besteira pela escolha dos seus personagens?<\/strong><\/h3>\n<p>Na verdade, n\u00e3o. Sou muito privilegiado pela bolha em que trabalho. Al\u00e9m disso, a literatura jovem com protagonismo LGBTQIA+ tem um apoio gigantesco dos leitores. H\u00e1 uma grande comunidade decidida a apoiar esse tipo de publica\u00e7\u00e3o; milhares de jovens brasileiros que s\u00e3o tocados pela representatividade LGBTQIA+ e outros recortes minorit\u00e1rios, e que demandam ler sobre isso. \u00c9 algo que n\u00e3o aconteceria antes, l\u00e1 no in\u00edcio da d\u00e9cada passada, mas que hoje \u00e9 muito forte e sintom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Editoras t\u00eam investido cada vez mais nessas obras e eu mesmo sou um exemplo, j\u00e1 que meu livro vai sair pela Editora Seguinte, um selo da Companhia das Letras, em 2021.<\/p>\n<h3><strong> Algu\u00e9m j\u00e1 compartilhou hist\u00f3rias para ti ao ler o livro?<\/strong><\/h3>\n<p>Meus leitores compartilharam experi\u00eancias parecidas a dos personagens de &#8220;Enquanto eu n\u00e3o te encontro&#8221;, mas os relatos mais bonitos foram de nordestinos. Muitos nunca haviam lido uma obra LGBTQIA+ e jovem que retratasse uma fra\u00e7\u00e3o do Nordeste que \u00e9 Natal, com sotaque, lugares, refer\u00eancias e express\u00f5es reconhec\u00edveis. Esse se enxergar tocou bastante alguns deles. E isso \u00e9 exatamente o que me levou a escrever esse livro: evidenciar nossas hist\u00f3rias, dizer que importam e s\u00e3o poss\u00edveis. Me deixa muito feliz saber que meus leitores puderam se conectar com isso e se enxergar na literatura.<\/p>\n<h3><strong>Em um pa\u00eds onde os nossos governantes s\u00e3o extremamente homof\u00f3bicos, como voc\u00ea lida para mostrar a sua identidade?<\/strong><\/h3>\n<p>Eu lido com isso mostrando minha identidade. Tive o privil\u00e9gio de nascer em uma fam\u00edlia que me deu liberdade o suficiente para que eu pudesse me expressar como sou, pol\u00edtica e identitariamente. Ter esse apoio me permitiu ser quem eu sou e experimentar o meu ser, de uma maneira que o mundo exterior &#8211; esse Brasil de contradi\u00e7\u00f5es, com seus pol\u00edticos conservadores e fascistas &#8211; n\u00e3o me dita.<\/p>\n<p>N\u00e3o temo me expor, no entanto, como LGBTQIA+. \u00c9 com minha comunidade que me ergo para a luta; cantar e escrever sobre as nuances de ser LGBTQIA+ \u00e9 o que me d\u00e1 combust\u00edvel para seguir produzindo. Os homof\u00f3bicos que se explodam.<\/p>\n<h3><strong>E sua quarentena? Como est\u00e1 o seu processo criativo ?<\/strong><\/h3>\n<p>A quarentena tem sido&#8230; intensa. Assim que percebi a evolu\u00e7\u00e3o do quadro, em mar\u00e7o, sa\u00ed de Natal e vim ficar com meus pais em Apodi. A verdade \u00e9 que eu n\u00e3o passava tanto tempo com minha fam\u00edlia desde que sa\u00ed de casa, aos 17 anos e a quarentena tem me proporcionado estar com eles. Muita coisa aconteceu desde ent\u00e3o: lancei o livro e a m\u00fasica que o acompanha; o livro ganhou o concurso da Editora Seguinte e eu recebi um contrato da editora. Meu mais novo single, &#8220;M\u00e1quina do Tempo&#8221;, foi lan\u00e7ado&#8230; Eu criei bastante em casa. O que me manteve &#8211; e mant\u00e9m &#8211; s\u00e3o foi justamente colocar minha mente nesse estado de fluir constante e ouvir o que minha intui\u00e7\u00e3o queria comunicar. Muitas m\u00fasicas e ideias de hist\u00f3rias vieram desse espa\u00e7o de escuta.<\/p>\n<p>Por isso, pude adiantar bastante do meu \u00e1lbum, gravar uns audiovisuais na varanda (haha) e planejar outras das diversas ideias que est\u00e3o por vi. Resumo minha quarentena nisso: tirar ouro do caos.<\/p>\n<h3><strong>E agora, quais s\u00e3o seus pr\u00f3ximos passos para escritor?<\/strong><\/h3>\n<p>Neste exato momento, ap\u00f3s ter recebido a proposta de publica\u00e7\u00e3o do livro de modo tradicional, por uma das maiores editoras do Brasil, eu estou trabalhando na reescrita de &#8220;Enquanto eu n\u00e3o te encontro&#8221;. Pude retornar ao projeto com uma vis\u00e3o completamente rejuvenescida e mold\u00e1-lo para que atinja seu potencial m\u00e1ximo. Tamb\u00e9m conto com o apoio de uma agente e juntos j\u00e1 estamos pensando em ideias para o que vem em seguida.<\/p>\n<p>\u00c9 uma fase muito linda da minha vida, onde minha carreira est\u00e1 caminhando e eu estou sendo capaz de conquistar os meus sonhos! Sou bastante grato ao Universo, aos leitores, familiares e ouvintes, al\u00e9m do <strong>Brechando<\/strong> pela oportunidade de poder falar mais sobre mim nessa entrevista! Vida longa \u00e0 arte potiguar e ao jornalismo independente!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sua criatividade aparece espontaneamente, assim como os discretos fios brancos no cabelo. Primeiramente podemos descrever Pedro Rhuas como meio potiguar, meio cearense, meio jornalista, meio escritor, mas juntando todas essas metades formam uma persona inteira. Isso pode ser percept\u00edvel, portanto, nesta entrevista ao Brechando. 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