{"id":2987,"date":"2020-01-24T00:00:00","date_gmt":"2020-01-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2987"},"modified":"2020-01-24T00:00:00","modified_gmt":"2020-01-24T03:00:00","slug":"pixiguinha-em-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/pixiguinha-em-natal\/","title":{"rendered":"Dia que o compositor Pixinguinha veio \u00e0 Natal"},"content":{"rendered":"<p>Pixiguinha veio \u00e0 Natal e essa \u00e9 uma lenda que todo bo\u00eamio conta quando pisa no <a href=\"https:\/\/www.brechando.com\/2019\/11\/natal-recebe-o-festival-do-beco-da-lama\/\">Beco da Lama<\/a>, no bairro de Cidade Alta. Mas ser\u00e1 que existiu algum registro? O que ele foi fazer em Natal? S\u00e3o muitas perguntas que est\u00e3o sem respostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pixinguinha era filho do <a href=\"http:\/\/dicionariompb.com.br\/pixinguinha\/biografia\">m\u00fasico<\/a> Alfredo da Rocha Vianna, funcion\u00e1rio dos correios, flautista e que possu\u00eda uma grande cole\u00e7\u00e3o de partituras de choros antigos. Aprendeu m\u00fasica em casa, fazendo parte de uma fam\u00edlia com v\u00e1rios irm\u00e3os m\u00fasicos, entre eles o China, no qual ajudou bastante o m\u00fasico e lhe introduziu na carreira musical. Aos 12 anos come\u00e7ou a trabalhar como flautista titular na orquestra da sala de proje\u00e7\u00e3o do Cine Rio Branco. Nos anos seguintes continuou atuando em salas de cinema, ranchos carnavalescos, casas noturnas e no teatro de revista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sete anos depois formou o grupo Oito batutas, onde divulgou o choro em v\u00e1rios cantos do mundo, como Paris, na Fran\u00e7a. Em 1929, criou com Donga a Orquestra T\u00edpica Pixinguinha-Donga, conjunto composto s\u00f3 de instrumentos de sopro, que lan\u00e7ou logo tr\u00eas discos pela Parlophon com os choros &#8220;Lamento&#8221;, &#8220;Amigo do povo&#8221; e &#8220;Carinhoso&#8221;, de sua autoria desde 1916; o samba &#8220;Os teus beijos&#8221;, de Felisberto Martins e o maxixe &#8220;N\u00e3o diga n\u00e3o&#8221;, de Peri, al\u00e9m de acompanhar grava\u00e7\u00f5es de Ben\u00edcio Barbosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando comp\u00f4s &#8220;Carinhoso&#8221;, entre 1916 e 1917 e &#8220;Lamentos&#8221; em 1928, que s\u00e3o considerados alguns dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composi\u00e7\u00f5es foram consideradas como tendo uma inaceit\u00e1vel influ\u00eancia do jazz, enquanto hoje em dia podem ser vistas como avan\u00e7adas demais para a \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda em 1929, foi inaugurada no Rio de Janeiro a RCA Victor Talking Machine Company of Brazil. A empresa promoveu concurso para orquestrador, no qual ele se inscreveu com uma orquestra\u00e7\u00e3o de &#8220;Carinhoso&#8221;, obtendo o primeiro lugar. Foi assim contratado como m\u00fasico e arranjador exclusivo da Victor. &#8220;Carinhoso&#8221; foi ainda utilizada como fundo musical no filme &#8220;Acabaram-se os ot\u00e1rios&#8221;, de Lu\u00eds de Barros. Tamb\u00e9m no mesmo n\u00e3o, gravou em solo de flauta pela Victor os choros &#8220;Aguenta Seu Fulg\u00eancio&#8221; e &#8220;Segura ele&#8221;, de sua autoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passou a reger a Orquestra Victor Brasileira com a qual gravou ainda em 1929 os choros &#8220;Vem c\u00e1, n\u00e3o vou!&#8221;, &#8220;Urubatan&#8221; e &#8220;Carinhoso&#8221;, de sua autoria. Como regente da orquestra Victor Brasileira acompanhou grava\u00e7\u00f5es de diversos artistas, entre os quais, Jaime Vogeler, Breno Ferreira, Artur Costa; Josu\u00e9 de Barros; S\u00edlvio Salema; Alb\u00eanzio Perrone; S\u00edlvio Caldas; Jesy Barbosa; Carmen Miranda; Elisa Coelho; Gast\u00e3o Formenti e Almirante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s anos trabalhando com a m\u00fasica erudita, ele come\u00e7ou a ser chamado a participar de v\u00e1rios eventos relacionados \u00e0 m\u00fasica. Uma viagem que ele fez na d\u00e9cada de 60 foi para capital do Rio Grande do Norte, no ano de 1969, onde pisou no Bar do Nazi, no Beco da Lama, local onde tem a tradicional meladinha, feita com cacha\u00e7a e mel. Hoje, o Bar do Nazi se chama Bar da Meladinha e tem uma placa registrando o dia e a data em que o m\u00fasico pisou naquele local.<\/p>\n<p>Infelizmente, n\u00e3o h\u00e1 muitos registros de sua vinda para Natal e muito menos os objetivos, mas s\u00f3 se sabe que ele aproveitou bem a bo\u00eamia potiguar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Detalhe que cinco anos antes, em 1964, sofreu um forte edema pulmonar. Na ocasi\u00e3o, assim reportou o jornal O Globo, em sua edi\u00e7\u00e3o de 26 de junho daquele ano: &#8220;Edema pulmonar agudo levou o m\u00fasico e compositor Pixinguinha a internar-se ontem \u00e0 tarde no Hospital Get\u00falio Vargas, onde, ap\u00f3s ser submetido a sangria, foi posto em tenda de oxig\u00eanio. Embora seja grave o seu estado, j\u00e1 apresentava melhorias \u00e0 noite, sempre assistido pelo filho, Alfredinho. Pixinguinha tem 66 anos, 42 dos quais dedicou \u00e0 m\u00fasica&#8221;. Depois de submetido a uma sangria e ser colocado por cerca de cinco horas no bal\u00e3o de oxig\u00eanio, foi transferido, no dia seguinte para o Instituto de Cardiologia Alo\u00edsio de Castro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo per\u00edodo de dois anos, afastou-se das atividades art\u00edsticas. Um m\u00eas depois, o mesmo jornal publicou a seguinte nota &#8220;Um check-up a que ser\u00e1 submetido hoje pelo seu m\u00e9dico assistente, Dr. Ern\u00e2ni Trota, dar\u00e1 a Pixinguinha o direito de deixar o Instituto de Cardiologia, onde est\u00e1 internado h\u00e1 mais de um m\u00eas, e marcar\u00e1 sua volta ao saxofone e ao Bar Gouveia, onde, h\u00e1 muitos anos, re\u00fane-se diariamente com Donga e outros companheiros da velha guarda&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1966, foi um dos primeiros a registrar depoimento para a posteridade no Museu da Imagem e do Som. Em 1967, recebeu a Ordem de Comendador do Clube de Jazz e Bossa, dirigido por Ricardo Cravo Albin e Jorge Guinle, al\u00e9m do Diploma da Ordem do M\u00e9rito do Trabalho, conferido pelo Presidente da Rep\u00fablica e o 5\u00ba lugar no II Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o, onde concorreu com o choro &#8220;Fala baixinho&#8221;, feito em parceria com Herm\u00ednio B. de Carvalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em comemora\u00e7\u00e3o a seus 70 anos, o Conselho de M\u00fasica Popular fez realizar uma exposi\u00e7\u00e3o retrospectiva no Museu da Imagem e do Som, institui\u00e7\u00e3o que promoveu concerto realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no qual tomaram parte Jacob do Bandolim, Radam\u00e9s Gnattali e o conjunto \u00c9poca de Ouro, e do qual resultaria um LP editado pelo MIS. Em 1972, sua esposa faleceu, fato que lhe abalou profundamente. Nesse mesmo ano, passou a receber aposentadoria pelo INPS, que lhe atenuou os problemas financeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pixinguinha passou os \u00faltimos anos de sua vida em Ramos, bairro que adorava, e morreu na igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, quando passou mal em uma cerim\u00f4nia de batismo. Foi enterrado no Cemit\u00e9rio de Inha\u00fama.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pixiguinha veio \u00e0 Natal e essa \u00e9 uma lenda que todo bo\u00eamio conta quando pisa no Beco da Lama, no bairro de Cidade Alta. Mas ser\u00e1 que existiu algum registro? O que ele foi fazer em Natal? S\u00e3o muitas perguntas que est\u00e3o sem respostas. 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