{"id":2923,"date":"2019-10-25T00:00:00","date_gmt":"2019-10-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2923"},"modified":"2019-10-25T00:00:00","modified_gmt":"2019-10-25T03:00:00","slug":"mc-tha-e-luedji-luna-duas-cantoras-poderosas-no-mada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/mc-tha-e-luedji-luna-duas-cantoras-poderosas-no-mada\/","title":{"rendered":"Mc Tha e Luedji Luna, duas cantoras poderosas no Mada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Mada contou com uma forte presen\u00e7a de mulheres na sua apresenta\u00e7\u00e3o, tanto no primeiro quanto no segundo dia de festival. Dentre as artistas, podemos citar a MC Th\u00e1, nome art\u00edstico de Tha\u00eds Dayane da Silva, que cresceu no munic\u00edpio Cidade Tiradentes, de S\u00e3o Paulo, e aos 15 anos come\u00e7ou a atuar no funk. &#8220;Comecei a cantar com 15 anos, por influ\u00eancia de amigos e fui caminhando dentro do funk, nos bailes de rua. Tava bem no in\u00edcio do movimento em S\u00e3o Paulo, j\u00e1 cantei em cima de caixote e fui bem funkeirona mesmo&#8221;, comentou a cantora em entrevista exclusiva ao <strong>Brechando<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, teve uma pedra no caminho, que foi a reprova\u00e7\u00e3o na escola e resolveu, ent\u00e3o d\u00e1 uma pausa na sua carreira. &#8220;Ent\u00e3o teve um momento que repeti a escola e fiquei muito mal, depois entrei na faculdade de jornalismo e comecei a trabalhar. Conheci um outro universo, mas sentia falta de trabalhar m\u00fasica. Depois descobri a m\u00fasica brasileira, ent\u00e3o resolvi misturar com os elementos do funk.&#8221;.\u00a0 Em 2014 voltou com a can\u00e7\u00e3o &#8220;Olha Quem Chegou&#8221;, em parceria com Jaloo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, &#8220;Funk \u00e9 muito mais que o estere\u00f3tipo e sim uma identidade&#8221;. Ao ser questionada se identifica com MPB ou funk, ela prontamente respondeu: &#8220;Me perguntam se sou funk ou MPB? Mas acho que a gente passou da hora de entender que o funk faz parte da MPB. Temos uma vis\u00e3o ainda muito etilizada.&#8221;.\u00a0 Essa mistura fez bastante sucesso e recentemente ela lan\u00e7ou o seu primeiro EP, que se chamar\u00e1 Rito de Pass\u00e1, nome de uma de suas m\u00fasicas in\u00e9ditas e a plateia do Mada enlouqueceu quando escutou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O pessoal grudou na grade do palco e ficaram at\u00e9 o fim. Para mim foi muito gratificante, eu acabei de lan\u00e7ar um \u00e1lbum e RN foi um dos primeiros estados a apresentar o repert\u00f3rio. A gente nunca acredita do que as pessoas est\u00e3o escutando e esse contato \u00e9 muito bom para ter uma renovada&#8221;, comentou. O EP \u00e9 uma forma de mostrar sua influ\u00eancia de umbanda, no qual ela leva os ensinamentos na pr\u00e1tica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_27519\" aria-describedby=\"caption-attachment-27519\" style=\"width: 1170px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.brechando.com\/mada2019-10\/\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27519 size-large\" src=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Mada2019-10-1200x800.jpg\" alt=\"\" width=\"1170\" height=\"780\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27519\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Funk \u00e9 muito mais que o estere\u00f3tipo e sim uma identidade&#8221; (Foto: Carol Paiva)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Antes de entrar no palco, eu tenho um momento sozinha, fico quieta e come\u00e7o a meditar para me concentrar para ter a energia perfeita para entrar no palco. Quando termina o show, eu demoro um pouco para voltar.\u00a0 Eu fico em transe, quando apresento. Isso n\u00e3o \u00e9 comum de acontecer nas festas, por exemplo (risos). Estou no palco, eu me sinto livre e aproveito para movimentar bastante, algo que n\u00e3o fa\u00e7o normalmente. \u00c9 uma energia que me move. Acredito que a m\u00fasica seja um momento para me aceitar, traz paz e ajuda a entender o outro. A cada can\u00e7\u00e3o que fa\u00e7o, eu me descubro mais&#8221;, relatou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao produzir seu \u00e1lbum, ela contou que evitou escutar outros artistas nacionais para evitar fazer autosabotagem. &#8220;N\u00e3o tenho uma refer\u00eancia musical. Eu fico feliz que o \u00e1lbum est\u00e1 se tornando importante, porque foi um disco que carreguei muita verdade e n\u00e3o pelo fato de ser o mais vendido. S\u00f3 escuto m\u00fasica brasileira. Eu fa\u00e7o a melodia e a letra das can\u00e7\u00f5es.\u00a0 Mas, quando fiz o \u00e1lbum, eu evitei escutar outras pessoas, porque a gente se sabota muito, por mais que tenha seguran\u00e7a do que fa\u00e7o eu sou muito auto-cr\u00edtica.&#8221;, no qual confessa que est\u00e1 escutando bastante Luiza Lian e Potyguara Bardo, outras artistas que estiveram presente no Mada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A artista tamb\u00e9m comentou as dificuldades de fazer m\u00fasica em um ano que est\u00e1 avan\u00e7ando o conservadorismo no Brasil, a mesma comentou que o importante \u00e9 continuar fazendo m\u00fasica. &#8220;A arte sobrevive enquanto tem esperan\u00e7a. Est\u00e1 acontecendo muita coisa negativa, por\u00e9m n\u00e3o perdemos o foco. O importante n\u00e3o \u00e9 apenas lutar, mas tamb\u00e9m compartilhar coisas boas e simples. Como por exemplo um amigo que ganhou um empregou ou entrou na faculdade. S\u00e3o as pequenas for\u00e7as que faz com que a gente consiga a continuar lutando e produzindo arte. A gente precisa se fortalecer para que podemos ajudar os nossos amigos&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Luedji Luna e a sua resist\u00eancia<\/h2>\n<figure id=\"attachment_27546\" aria-describedby=\"caption-attachment-27546\" style=\"width: 1170px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.brechando.com\/mada2019-36\/\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27546 size-large\" src=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Mada2019-36-1200x800.jpg\" alt=\"\" width=\"1170\" height=\"780\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27546\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lara Paiva<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luedji Luna nasceu em Salvador e foi criada em um torno de militantes do movimento negro de Salvador. Cresceu sabendo sobre luta, pol\u00edtica e revolu\u00e7\u00e3o, mas foi na m\u00fasica que utilizou a melhor forma de lutar pelos seus direitos.\u00a0 Luedji come\u00e7ou a compor suas can\u00e7\u00f5es aos 17 anos, onde j\u00e1 cantava informalmente em bares da sua cidade natal. No ano de\u00a02007\u00a0foi aprovada no\u00a0vestibular\u00a0e ingressou no curso de\u00a0Direito, da\u00a0Universidade do Estado da Bahia. Apesar disto, optou por n\u00e3o exercer a profiss\u00e3o para dedicar-se exclusivamente a m\u00fasica ecome\u00e7ou a estudar\u00a0canto\u00a0popular na Escola Baiana de Canto Popular.<span style=\"font-size: 13.3333px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas m\u00fasicas retratam o\u00a0preconceito racial,\u00a0feminismo,\u00a0empoderamento feminino, especialmente da mulher negra, retratando a cultura afro-brasileira em suas vestimentas, demonstrando em suas letras a africanidade do brasileiro, cantando sobre religi\u00f5es de matriz africana, ervas e costumes brasileiros oriundo da cultura africana. Suas m\u00fasicas mesclam ritmos afro-brasileiros, R&amp;B,\u00a0jazz\u00a0e\u00a0blues, al\u00e9m da\u00a0MPB.<span style=\"font-size: 13.3333px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com produ\u00e7\u00e3o de\u00a0Sebastian Notini, em 2017, lan\u00e7ou o seu primeiro \u00e1lbum\u00a0&#8220;Um Corpo no Mundo&#8221;\u00a0trabalho predominantemente autoral, pela gravadora\u00a0YBmusic, tamb\u00e9m em 2019 lan\u00e7ado na Europa, pelo selo Sterns Music, concomitante ao lan\u00e7amento Europeu, realizou sua primeira turn\u00ea internacional. Para Luedji, foi uma grata surpresa o lan\u00e7amento do \u00e1lbum e a repercuss\u00e3o do disco. &#8220;O que planejei para esse ano foi esperado, mas quando lancei o \u00e1lbum em 2017 foi uma grata surpresa. As coisas foram acontecendo como planejado, o lan\u00e7amento do disco foi surpreendente&#8221;, relatou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luna comentou a import\u00e2ncia da for\u00e7a da mulher e a coragem de fazer os seus trabalhos. &#8220;Eu acho que o mundo sempre foi nosso, a gente \u00e9 a funda\u00e7\u00e3o deste mundo. O que acontece \u00e9 uma deturpa\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de que o mundo \u00e9 masculino, competitivo e violento, que n\u00e3o nos contempla. O mundo j\u00e1 \u00e9 nosso, sempre me coloquei com essa tranquilidade e tudo que a gente faz \u00e9 potente, porque est\u00e1 ligado a natureza. Os caminhos que temos tra\u00e7ados s\u00e3o paulatinos e lentos, por\u00e9m s\u00e3o importantes&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, questionamos o per\u00edodo que o Brasil vivemos, no qual ela prontamente respondeu que isso faz parte da crise identid\u00e1ria que sempre existiu. &#8220;Brasil \u00e9 um pa\u00eds extremamente complexo, vivemos numa crise identit\u00e1ria, somos uma maioria de pretos e mesti\u00e7os, mas se declaram brancos. \u00c9 um pa\u00eds de classe m\u00e9dia baixa e pobre, por\u00e9m se pretende dizer que \u00e9 rica. A gente n\u00e3o se aceita as ra\u00edzes, suas ancestralidades e suas tradi\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica e hist\u00f3rica. Quem votou no Bolsonaro, n\u00e3o foi apenas uma elite minoria, mas uma boa parte da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se reconhecem. N\u00e3o \u00e9 apenas uma divis\u00e3o do pa\u00eds, a gente sempre teve uma vis\u00e3o eurocentrista. Para come\u00e7ar a gente tem que derrubar essa vis\u00e3o, mas sempre vivemos numa falsa democracia e infelizmente vamos ter que esperar esses quatro anos. Eu n\u00e3o estou resistindo, estou existindo. Entre a esquerda e direita, ainda sou uma mulher preta e sou uma pessoa envolvida em quest\u00e3o vulner\u00e1vel a viol\u00eancia. O importante \u00e9 que preciso viver e estou plena&#8221;, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Mada contou com uma forte presen\u00e7a de mulheres na sua apresenta\u00e7\u00e3o, tanto no primeiro quanto no segundo dia de festival. 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