{"id":2681,"date":"2019-04-01T00:00:00","date_gmt":"2019-04-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2681"},"modified":"2019-04-01T00:00:00","modified_gmt":"2019-04-01T03:00:00","slug":"dermi-azevedo-a-historia-do-potiguar-que-teve-seu-filho-torturado-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/dermi-azevedo-a-historia-do-potiguar-que-teve-seu-filho-torturado-na-ditadura\/","title":{"rendered":"Dermi Azevedo: a hist\u00f3ria do potiguar que teve seu filho torturado na Ditadura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O Brechando vai falar a hist\u00f3ria do potiguar Dermi Azevedo que foi uma das v\u00edtimas do Governo que durou 21 anos e ainda teve que ver o seu filho torturado ainda beb\u00ea. As sequelas de seus problemas existem at\u00e9 hoje, visto que \u00e9 portador do Mal de Parkinson por conta das fortes agress\u00f5es que sofreu enquanto estava preso. Ele foi um dos criadores do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)&nbsp;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dermi nasceu em 1949 em Jardim do Serid\u00f3, por\u00e9m foi criado na cidade de Currais Novos. Sempre uniu a comunica\u00e7\u00e3o social, a igreja Cat\u00f3lica e a luta em favor dos Direitos Humanos. A sua milit\u00e2ncia surgiu ainda estudante, quando foi do Direit\u00f3rio Acad\u00eamico Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, da Escola de Servi\u00e7o Social, depois transferiu-se para o curso de Jornalismo.&nbsp; Em 1968, com outros l\u00edderes estudantis potiguares, participou do XXX Congresso da UNE, onde viveu sua primeira pris\u00e3o pol\u00edtica; tendo retornado a Natal e diante da impossibilidade de permanecer em seu Estado, regressou ao Sudeste do pa\u00eds exilando-se depois no Chile em 1970 e 1971. Voltou ao Brasil e foi novamente preso em 1974 por duas vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foi no ano de 1974 que passou por um de seus maiores traumas, seu filho mais velho Carlos Alexandre foi preso pelos militares. N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o leu errado. Ele tinha apenas um ano e oito meses quando foi arrancado de sua casa e torturado na sede do Dops paulista. Foi submetido a choques el\u00e9tricos e outros sofrimentos. Seus pais, Dermi e a pedagoga Darcy Andozia Azevedo, eram acusados de dar guarida a militantes de esquerda, principalmente aos integrantes da ala progressista da igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dermi j\u00e1 estava preso na madrugada do dia 14 de janeiro de 1974, quando a equipe do delegado S\u00e9rgio Fleury chegou \u00e0 casa onde Darcy estava abrigada, em S\u00e3o Bernardo do Campo, levando o beb\u00ea, que havia sido retirado da resid\u00eancia da fam\u00edlia. Ela havia sa\u00eddo em busca de ajuda para libertar o marido. Os policiais derrubaram a porta e um deles, irritado com o choro do menino, que ainda n\u00e3o havia sido alimentado, atirou-o ao ch\u00e3o, provocando ferimentos em sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a pris\u00e3o de Darcy, tamb\u00e9m o beb\u00ea foi levado ao Dops, onde chegou a ser torturado com pancadas e choques el\u00e9tricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois de ganhar a liberdade, a fam\u00edlia mudou v\u00e1rias vezes de cidade, em busca de um recome\u00e7o. Dermi e Darcy conseguiram retomar a vida e tiveram outros tr\u00eas filhos, mas Carlos Alexandre nunca se recuperou. Aos 37 anos, teve reconhecida sua condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima da ditadura e recebeu uma indeniza\u00e7\u00e3o, mas nunca p\u00f4de trabalhar regularmente. Aprendeu a lidar com computadores, mas vivia atormentado pelo trauma. Ainda menino, segundo relato da fam\u00edlia, sofria alucina\u00e7\u00f5es nas quais ouvia o som dos trens que trafegavam na linha ferrovi\u00e1ria atr\u00e1s da sede do Dops.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Carlos cometeu suic\u00eddio em 2013, aos 40 anos de idade. Na \u00e9poca, Dermi deixou um recado que foi divulgado nas redes sociais.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cMeu cora\u00e7\u00e3o sangra de dor. O meu filho mais velho, Carlos Alexandre Azevedo, suicidou-se na madrugada dehoje, com uma overdose de medicamentos. Com apenas um ano e oito meses de vida,ele foi preso e torturado, em 14 de janeiro de 1974, no Deops paulista, pela \u201cequipe\u201d do delegado S\u00e9rgio Fleury, onde se encontrava preso com sua m\u00e3e. Na mesma data, eu j\u00e1 estava preso no mesmo local. Cac\u00e1, como carinhosamente o cham\u00e1vamos, foi levado depois a S\u00e3o Bernardo do Campo, onde, em plena madrugada, os policiais derrubaram a porta e o jogaram no ch\u00e3o, tendo machucado a cabe\u00e7a. Nunca mais se recuperou. Como acontece com os crimes da ditadura de 1964\/1985, o crime ficou impune. O suic\u00eddio \u00e9 o limite de sua ang\u00fastia.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">Como falado anteriormente, Dermi continuou a sua vida, ocupou sucessivamente as fun\u00e7\u00f5es de assessor de Imprensa da Secretaria da Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria; foi Editor Chefe do Di\u00e1rio Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo; Assessor T\u00e9cnico do Secret\u00e1rio da Justi\u00e7a e da Defesa e Cidadania; representante do Governo do Estado no Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana; representante da Secretaria da Justi\u00e7a na Comiss\u00e3o Especial de Acompanhamento do Programa Estadual de Direitos Humanos; representante da Secretaria da Justi\u00e7a na Comiss\u00e3o de Pol\u00edcia Comunit\u00e1ria e na Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo, representante da Secretaria da Justi\u00e7a na Comiss\u00e3o de Assessoria ao Governador M\u00e1rio Covas na quest\u00e3o do Ensino Religioso nas escolas p\u00fablicas estaduais. De 2000 a 2009, foi presidente do Conselho Deliberativo do Programa Estadual de Prote\u00e7\u00e3o a Testemunhas (PROVITA\/SP) e presidiu o Col\u00e9gio Nacional de Presidentes dos Conselhos Deliberativos dos Programas de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0s Testemunhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em S\u00e3o Paulo, fez Especializa\u00e7\u00e3o em Pol\u00edtica Internacional na Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo (FESPSP), com um trabalho sobre a pol\u00edtica externa no Vaticano. Mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade de S\u00e3o Paulo, com uma tese sobre \u201cRela\u00e7\u00f5es Igreja\/Estado no Brasil durante o regime autorit\u00e1rio-buracr\u00e1tico (1964-1985)\u201d. Doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica na USP, sobre o tema \u201cIgreja e Democracia. Democracia na Igreja\u201d. Tendo como orientador o Prof. Dr. Paulo S\u00e9rgio Pinheiro. Fundador e diretor do CEPE (Centro Ecum\u00eanico de Estudos e Publica\u00e7\u00f5es Frei Tito de Alencar Lima). De 2010 a 2011, foi gerente de forma\u00e7\u00e3o do Instituto de Terras do Estado de S\u00e3o de Paulo\/ITESP, onde coordenou cursos de forma\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos. Nesse mesmo per\u00edodo, coordenou o Projeto Mem\u00f3ria dedicado a recuperar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica brasileira durante o regime ditatorial. \u00c9 membro da Igreja Episcopal de Comunh\u00e3o Anglicana, onde integra as Comiss\u00f5es Nacional e Regional da Amaz\u00f4nia de Direitos Humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um ano ap\u00f3s a morte do filho, o jornalista enviou uma carta aberta, publicada no site Carta Maior, que pode ser lida neste <a href=\"https:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Politica\/Jornalista-lembra-em-carta-aberta-a-morte-de-seu-filho\/4\/30295\">link<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Recentemente, ele lan\u00e7ou o livro &#8220;Nenhum Direito A Menos\u201d, que tem como subt\u00edtulo \u201cDireitos Humanos \u2013 Teoria e Pr\u00e1tica\u201d, pela Giramundo Editora. Ainda tem uma outra publica\u00e7\u00e3o chamada &#8220;Travessias Torturadas&#8221;, que relata a sua hist\u00f3ria durante os anos de chumbo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brechando vai falar a hist\u00f3ria do potiguar Dermi Azevedo que foi uma das v\u00edtimas do Governo que durou 21 anos e ainda teve que ver o seu filho torturado ainda beb\u00ea. 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