{"id":2574,"date":"2019-01-23T00:00:00","date_gmt":"2019-01-23T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2574"},"modified":"2019-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2019-01-23T02:00:00","slug":"eleitores-do-presidente-foram-maioria-entre-os-manifestantes-eleitores-que-agrediram-jornalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/eleitores-do-presidente-foram-maioria-entre-os-manifestantes-eleitores-que-agrediram-jornalistas\/","title":{"rendered":"Eleitores do presidente foram maioria entre os manifestantes\/eleitores que agrediram jornalistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com uma elei\u00e7\u00e3o marcada por compartilhamento de not\u00edcias falsas e um amplo gasto de dinheiro para blogs e empresas de marketing digital engatar esta mat\u00e9ria nas principais redes sociais, n\u00e3o seria surpresa que os jornalistas da t\u00e3o considerada imprensa tradicional fossem agredidos do que os anos anteriores. De acordo com a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas, uma esp\u00e9cie de Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) para os profissionais de comunica\u00e7\u00e3o social, esses atos violentos cresceram 36,36%, em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2017 e fez um levantamento das den\u00fancias que recebeu sobre os casos de viol\u00eancia entre os profissionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram 135 ocorr\u00eancias de viol\u00eancia, entre elas um assassinato, que vitimaram 227 profissionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os jornalistas que trabalham em televis\u00e3o foram os profissionais mais agredidos, no ano de 2018. Das v\u00edtimas de algum tipo de viol\u00eancia, 77 jornalistas trabalhavam nessa m\u00eddia, representando\u00a039,29% do total. Os profissionais de jornal \u2013 que em 2016 ocuparam a primeira posi\u00e7\u00e3o \u2013 voltaram \u00e0 segunda coloca\u00e7\u00e3o. Foram 41 casos de viol\u00eancia que vitimaram esses trabalhadores, representando 20,92%\u00a0do total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve, ainda, cerceamento \u00e0 liberdade de imprensa por decis\u00f5es de ju\u00edzes e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso mais emblem\u00e1tico foi a decis\u00e3o final do presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, de proibir jornalistas de entrevistar o ex-presidente Lula, que foi condenado e preso no ano de 2018, e os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de divulgar entrevistas que tivessem sido realizadas.<\/p>\n<blockquote><p>Eleitores\/manifestantes foram os principais agressores, sendo respons\u00e1veis por 30 casos de viol\u00eancia contra os jornalistas, o que representa 22,22% do total. Entre esse grupo, os partid\u00e1rios do presidente eleito Jair Bolsonaro foram os que mais agrediram a categoria, somando 23 casos. J\u00e1 os partid\u00e1rios do ex-presidente Lula, que n\u00e3o chegou a ser candidato, estiveram envolvidos em sete epis\u00f3dios.<\/p>\n<p>Diz o Fenaj<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A greve dos caminhoneiros (movimento com caracter\u00edsticas de locaute, greve promovida por empres\u00e1rios e n\u00e3o trabalhadores) tamb\u00e9m contribuiu para alterar o perfil dos agressores. Com 23 casos (17,04% do total), os caminhoneiros ficaram sem segundo lugar na lista dos que cometeram atos de viol\u00eancia contra os jornalistas a partir de agress\u00f5es f\u00edsicas, agress\u00f5es verbais, amea\u00e7as\/intimida\u00e7\u00f5es e impedimentos ao exerc\u00edcio profissional. Isso \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de que grupos e segmentos n\u00e3o toleram a diverg\u00eancia e a cr\u00edtica e n\u00e3o t\u00eam apre\u00e7o pela democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fenaj ainda apontou que a morda\u00e7a partiu das pr\u00f3prias empresas empregadoras, que proibiram seus profissionais de se manifestarem em redes sociais sobre quest\u00f5es pol\u00eamicas, pol\u00edtica e ideologia. Na Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC), principal ve\u00edculo de Comunica\u00e7\u00e3o do Governo Federal, houve casos de censura na cobertura pol\u00edtica e tamb\u00e9m de outros temas, como o F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do n\u00famero geral de casos de viol\u00eancia ter crescido, em 2018, o jornalista Ueliton Bayer Brizon, foi assassinado, em Rond\u00f4nia, enquanto no ano passado n\u00e3o houve morte de algum rep\u00f3rter.<\/p>\n<blockquote><p>Tamb\u00e9m houve aumento no n\u00famero de assassinatos de outros profissionais da comunica\u00e7\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, quando um blogueiro foi assassinado. Em 2018, quatro radialistas perderam a vida em raz\u00e3o de suas atividades de comunica\u00e7\u00e3o: Jairo Souza (Par\u00e1), Jeferson Pureza Lopes (Goi\u00e1s), Marlon Carvalho de Ara\u00fajo (Bahia) e Severino Faustino, conhecido como S\u00edlvio Neto (Para\u00edba). <strong>Os assassinatos dos radialistas constam neste Relat\u00f3rio para efeito de registro, mas n\u00e3o foram somados aos n\u00fameros totais de ocorr\u00eancias de viol\u00eancia contra jornalistas, visto que as v\u00edtimas pertenciam \u00e0 categoria dos radialistas.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<h2>E os autores da agress\u00e3o ?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os eleitores do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) foram maioria entre os manifestantes\/eleitores que agrediram jornalistas. Em 23 casos, durante a pr\u00e9-campanha e a campanha eleitoral, nos dias\u00a0<\/strong><strong>de vota\u00e7\u00e3o e nas comemora\u00e7\u00f5es da vit\u00f3ria, alguns deles foram os respons\u00e1veis pelas agress\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em epis\u00f3dios relacionados \u00e0 elei\u00e7\u00e3o presidencial, tamb\u00e9m agrediram jornalistas alguns defensores do ex-presidente Lula, em manifesta\u00e7\u00f5es contra sua condena\u00e7\u00e3o pela justi\u00e7a e contra a sua pris\u00e3o\u00a0em 7 de abril. Foram sete casos, ocorridos no Rio Grande do Sul, Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo.\u00a0 Em outros dois casos, os profissionais foram v\u00edtimas de policiais durante manifesta\u00e7\u00f5es e houve ainda um caso de censura, com o Supremo Tribunal Federal impedindo jornalistas de entrevistarem Lula e ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de divulgarem entrevistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fato ocorrido em 2018 tamb\u00e9m contribuiu para alterar o perfil dos agressores: a greve dos caminhoneiros. Eles ficaram em segundo lugar na lista de agressores, com o registro de 23 casos.\u00a0(17,04% do total).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os policiais militares\/guardas, que figuraram no topo da lista de agressores nos \u00faltimos anos, ficaram em terceiro lugar, em 2018, empatados com os empres\u00e1rios, inclusive os da comunica\u00e7\u00e3o. Cada grupo foi respons\u00e1vel por 13 agress\u00f5es (9,63% do total). Os empres\u00e1rios da comunica\u00e7\u00e3o foram os principais respons\u00e1veis pelos casos de censura e de ataque \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o sindical dos jornalistas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m cometeram viol\u00eancia contra jornalistas dirigentes\/t\u00e9cnico\/torcedores de clubes esportivos (8 casos), seguran\u00e7as (8 casos), populares (5 casos), um ator e um jornalista, que agrediu\u00a0verbalmente uma colega de profiss\u00e3o. Em sete casos, incluindo o assassinato e os tr\u00eas atentados, os agressores n\u00e3o foram identificados.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/agressores.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24239\" src=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/agressores.png\" alt=\"\" width=\"714\" height=\"707\" \/><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Quais foram os casos de viol\u00eancia mais comum ?<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/violenciaportipodemidia.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24241\" src=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/violenciaportipodemidia.png\" alt=\"\" width=\"754\" height=\"687\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As agress\u00f5es f\u00edsicas foram a viol\u00eancia mais comum tamb\u00e9m em 2018, repetindo a tend\u00eancia dos anos anteriores. Foram 33 casos, que vitimaram 58 profissionais, contra 29 ocorr\u00eancias em<br \/>\n2017 (13,79% a mais). Mas houve grande crescimento no n\u00famero de casos de agress\u00f5es verbais, amea\u00e7as\/intimida\u00e7\u00f5es e impedimentos ao exerc\u00edcio profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2018, as agress\u00f5es verbais e os impedimentos ao exerc\u00edcio profissional aumentaram mais de 100%, em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior. Os casos de amea\u00e7as\/intimida\u00e7\u00f5es cresceram cerca\u00a0de 87%. Foram registradas 27 ocorr\u00eancias de agress\u00f5es verbais, 28 de amea\u00e7as\/intimida\u00e7\u00f5es e 19 de impedimentos ao exerc\u00edcio profissional (aumento de mais de 137%). Em 2017, foram,<br \/>\nrespectivamente, 13, 15 e 8 casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse significativo crescimento est\u00e1 relacionado diretamente \u00e0 elei\u00e7\u00e3o presidencial e aos fatos associados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro epis\u00f3dio bastante significativo foi a greve dos caminhoneiros. Dezenas de profissionais foram agredidos verbal e\/ou fisicamente e impedidos de realizarem seu trabalho, durante a cobertura da<br \/>\ngreve. Foram 23 ocorr\u00eancias, registradas em diversos estados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve, ainda, <strong>tr\u00eas atentados<\/strong>, <strong>dez casos de censura<\/strong>, <strong>dez ocorr\u00eancias de cerceamento \u00e0 liberdade de imprensa por meio de a\u00e7\u00f5es judiciais<\/strong>, <strong>uma pris\u00e3o<\/strong> e <strong>tr\u00eas casos de viol\u00eancia contra a organiza\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><strong>sindical dos jornalistas<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dois casos de censura chamam a aten\u00e7\u00e3o pela abrang\u00eancia<\/strong>, o que os torna ainda mais graves. O Grupo Globo imp\u00f4s censura pr\u00e9via aos seus jornalistas e colaboradores, determinando que n\u00e3o\u00a0expressassem opini\u00f5es pol\u00edticas ou ideol\u00f3gicas em suas redes sociais. Na Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC), houve v\u00e1rios casos de censura, muitas tamb\u00e9m relacionadas \u00e0s elei\u00e7\u00f5es ou ao governo federal e seus aliados. Um diretor chegou a ser demitido, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de uma reportagem que desagradou a dire\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e da Secretaria de Recursos H\u00eddricos do governo de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Qual a regi\u00e3o que teve mais agress\u00e3o ?<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/violenciaporestado.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24240\" src=\"https:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/violenciaporestado.png\" alt=\"\" width=\"752\" height=\"585\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Nordeste do pa\u00eds foram registrados 21 casos de agress\u00f5es contra jornalistas (15,55%). Entre os estados da regi\u00e3o, o Cear\u00e1 continua sendo o mais violento para a categoria, com 11 ocorr\u00eancias.\u00a0Em Pernambuco, houve quatro casos de viol\u00eancia, na Bahia e na Para\u00edba, 2 casos em cada, e em Alagoas, e no Piau\u00ed, um caso em cada.\u00a0A Regi\u00e3o Sudeste \u00e9 a mais violenta para os jornalistas brasileiros. Repetindo tend\u00eancia registrada nos \u00faltimos cinco anos, o maior n\u00famero de agress\u00f5es contra os profissionais ocorreu na regi\u00e3o, onde foram registradas 53 ocorr\u00eancias, representando 39,26% do total de 135 casos.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Homens ou mulheres jornalistas ? Quais foram os mais agredidos ?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A categoria \u00e9 formada majoritariamente por mulheres (67% do total), mas os homens s\u00e3o o maior contingente de v\u00edtimas da viol\u00eancia em raz\u00e3o do exerc\u00edcio profissional. Esta tend\u00eancia, registrada\u00a0desde a d\u00e9cada de 1990, foi mantida novamente em 2018, quando 105 jornalistas do sexo masculino foram agredidos (46,26%). Entre as mulheres, 30 (23,08%) foram v\u00edtimas de algum tipo de agress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algumas ocorr\u00eancias, os profissionais n\u00e3o foram identificados ou a viol\u00eancia foi contra equipes de profissionais, em que os nomes dos jornalistas n\u00e3o foram divulgados, o que n\u00e3o permitiu\u00a0a classifica\u00e7\u00e3o por g\u00eanero de 62 v\u00edtimas (27,31%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve tamb\u00e9m cinco ocorr\u00eancias de censuras por parte de empresas e outras cinco por decis\u00f5es judiciais, nas quais n\u00e3o coube a identifica\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Nos dois casos, ficou caracterizada\u00a0a viol\u00eancia generalizada, atingindo v\u00e1rios profissionais, homens e mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma elei\u00e7\u00e3o marcada por compartilhamento de not\u00edcias falsas e um amplo gasto de dinheiro para blogs e empresas de marketing digital engatar esta mat\u00e9ria nas principais redes sociais, n\u00e3o seria surpresa que os jornalistas da t\u00e3o considerada imprensa tradicional fossem agredidos do que os anos anteriores. 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