{"id":2514,"date":"2018-12-21T00:00:00","date_gmt":"2018-12-21T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2514"},"modified":"2018-12-21T00:00:00","modified_gmt":"2018-12-21T02:00:00","slug":"meus-40-minutos-com-pedro-tostes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/meus-40-minutos-com-pedro-tostes\/","title":{"rendered":"Meus 40 minutos com Pedro Tostes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Brechando trabalha com prosa, mas tenta migrar por todos os movimentos liter\u00e1rios atrav\u00e9s de entrevistas ou permitindo poetas escreverem no site. Quando eu li a sugest\u00e3o de pauta em que o poeta Pedro Tostes (esta foi a \u00fanica foto que consegui tirar, pois n\u00e3o par\u00e1vamos quietos) iria fazer uma tour no Nordeste de \u00f4nibus, saindo de S\u00e3o Paulo, eu j\u00e1 gostei logo de cara e rapidamente queria fazer uma mat\u00e9ria com ele. Fui logo pesquisar e vi que \u00e9 um cara que com as suas pr\u00f3prias m\u00e3os, literalmente, tenta divulgar a sua poesia, tanto que rendeu altas aventuras em sua carreira. Perto do feriado de Nossa Senhora Apresenta\u00e7\u00e3o, o carioca (coloquei paulista inicialmente, mas o mesmo deu um alerta. Achou melhor falar que \u00e9 um Carioca de S\u00e3o Paulo) Tostes para nas terras natalenses para divulgar o seu mais novo livro \u201cA Casamata de Si\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na v\u00e9spera do lan\u00e7amento, eu e Tostes conversamos por 40 minutos. Ap\u00f3s um acidente de percurso, pois esqueci de falar o local exato da Cooperativa Cultural, a lind\u00edssima livraria que fica dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Como duas pessoas de humanas, a gente n\u00e3o parava de falar e ficava de olho no rel\u00f3gio do gravador o tempo todo. S\u00f3 n\u00e3o rolou mais papo, porque ele tinha outra entrevista marcada. Assim como muita gente que trabalha com as palavras, Tostes tamb\u00e9m est\u00e1 em desespero com essa onda conservadora que est\u00e1 cobrindo o territ\u00f3rio brasileiro, tanto que ele tenta d\u00e1 um otimismo para aqueles que querem resistir \u00e0s futuras opress\u00f5es. Ainda falamos como surgiu a ideia de fazer uma tour andando apenas de bus\u00e3o, embora isso n\u00e3o tenha acontecido pela primeira vez. \u201cNa primeira, eu fui de S\u00e3o Paulo a Salvador de avi\u00e3o e o resto peguei um \u00f4nibus\u201d, relatou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora resolveu ser mais ousado. \u201cAssim que acabou o segundo turno e vi que o Bozo ganhou, eu peguei um \u00f4nibus para come\u00e7ar a minha luta viajando mesmo\u201d, comentou. Tostes percorreu por todos os estados nordestinos, onde tamb\u00e9m papeou e conversou com poetas e coletivos espalhados nas terras nordestinas. No nosso bate-papo, tamb\u00e9m discutimos sobre o futuro das publica\u00e7\u00f5es de livros alternativos. Resolvi colocar em forma de ping-pong este texto para mostrar um pouco melhor a fluidez desta entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confira:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea come\u00e7ou sua aventura de viajar pelo Nordeste de \u00f4nibus?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecei a viajar ap\u00f3s o resultado do segundo turno das elei\u00e7\u00f5es, mas por conta das vota\u00e7\u00f5es eu resolvi adiar esta ideia e o planejamento era para o meio de outubro e ainda resolvi algumas coisas em S\u00e3o Paulo.\u00a0 N\u00e3o ia deixar de votar nesse momento importante. Segurei este projeto enquanto pude e assim que liberei, coloquei o p\u00e9 na estrada. Neste per\u00edodo que estou em turn\u00ea, metade do meu tempo \u00e9 dormindo em rodovi\u00e1rias e \u00f4nibus. Comecei no dia 29 de outubro e fui para Vit\u00f3ria (ES), Teixeira de Freitas (BA), Porto Seguro (BA), Salvador (BA), Aracaju (SE), Macei\u00f3 (AL), Recife (PE), Olinda (PE), Jo\u00e3o Pessoa (PB), Campina Grande (PB) e at\u00e9 chegar em Natal. Estamos vivos, na medida do poss\u00edvel, segurando o corpo como pode.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esta foi a sua primeira aventura de \u00f4nibus?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o. H\u00e1 quatro anos tinha feito uma viagem parecida, fui de avi\u00e3o de S\u00e3o Paulo at\u00e9 Salvador. Depois peguei um \u00f4nibus seguindo at\u00e9 Fortaleza, foi um pouco mais curta, para lan\u00e7ar o meu livro anterior, &#8220;Jardim Minado&#8221;. Foi meu primeiro momento de estreitamento com os coletivos de poesia daqui do Nordeste e foi bacana, bastante produtivo. Agora, eu quero fazer uma viagem mais longa, at\u00e9 o S\u00e3o Lu\u00eds (MA).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora passamos por um momento de digress\u00e3o, quando fui falar sobre a foto dele com o Alex de Souza e pensei que ele tinha ido ao show do Odair Jos\u00e9 na Para\u00edba, no qual prontamente disse que n\u00e3o, mas concordamos que ficamos um pouco com inveja do Alex por ter prestigiado o grande cantor da M\u00fasica Brasileira. Ent\u00e3o, eu pergunto como foi a viagem para Para\u00edba e prontamente responde:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi \u00f3timo o lan\u00e7amento do meu livro l\u00e1 e conversei bastante com os autores paraibanos, conheci a Ponta do Seixas, o local mais oriental das am\u00e9ricas, vi o Farol (de Cabo Branco) e mergulhei sob a bunda do Brasil (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por falar em bunda, Natal \u00e9 conhecida por um apelido chamado &#8220;Cu de Elefante&#8221;, pois se olhar ao mapa do estado, ele tem o formato do animal e a cidade fica bem na regi\u00e3o onde fica o rabo.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem embaixo do rabinho mesmo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 a primeira vez aqui ?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segunda, na verdade. Eu tenho uma hist\u00f3ria interessante com o pessoal daqui, pois conhe\u00e7o o pessoal h\u00e1 mais de 10 anos. Em 2005 fui inserido na lista de e-mail de discuss\u00e3o dos Jovens Escribas (selo local) e comecei a conhecer o trabalho dos escritores daqui, como Carlos Fialho, Carito Cavalcanti, Ruy Rocha&#8230;S\u00f3 pisei na cidade mesmo em 2014, onde fui bem recebido e conheci uma menina chamada Regina Azevedo, que na \u00e9poca tinha uns 14 aninhos e sempre trocava ideia sobre poemas na internet, muito boa mesmo, quando vim pela primeira vez fiquei hospedado na casa dela, onde tenho um carinho especial com toda a fam\u00edlia. Praticamente minha fam\u00edlia natalense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Adoro a hist\u00f3ria <em>(nota da entrevistadora ap\u00f3s decupar esta entrevista: Tem forma melhor de conduzir a pergunta ?)<\/em>\u00a0de quase foi preso no Festival Liter\u00e1rio de Paraty, poderiam me contar o ocorrido ?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2009, na Flip, eles tomaram meus livros, pois estava vendendo na rua. Eles estavam reprimindo os poetas de rua e fui o sorteado a ter os livros tomados. Estava vendendo meus livrinhos na pra\u00e7a em uma mesa quando chegou dois seguran\u00e7as da Flip e fiscais da Prefeitura do Paraty em minha dire\u00e7\u00e3o, dizendo que a venda do livro era ilegal. Ent\u00e3o, tomaram meu livro e fui enquadrado. Por\u00e9m, a cena chamou aten\u00e7\u00e3o e viralizou na internet. Parei no blog do Rodrigo Cir\u00edaco, fiquei conhecido na cidade por conta da situa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 Marcelino Freire tirou sarro da situa\u00e7\u00e3o dizendo que: &#8220;Maconha e coca\u00edna est\u00e1 tudo bem, mas livro \u00e9 ilegal na feira liter\u00e1ria&#8221;. A not\u00edcia pegou mal para a organiza\u00e7\u00e3o e me chamaram para conversar com os poetas de rua. O produtor da Flip tentando mostrar que o ocorrido foi um erro e tentando me persuadir que estava errado, alegando que n\u00e3o queria transformar a feira em um &#8220;evento comercial&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s essa afirma\u00e7\u00e3o eu comecei a rir da cara do sujeito e disse: &#8220;Vem c\u00e1, voc\u00ea tem patroc\u00ednio de dois bancos, tem loja de souvenirs e livraria oficial&#8230;A\u00ed voc\u00ea vem me dizer que eu estou transformando o evento em comerical?&#8221;. Ent\u00e3o, responde: &#8220;N\u00e3o quero transformar o Festival em uma feira&#8221;.\u00a0 E novamente respondo: &#8220;Eu sei como funciona uma feira liter\u00e1ria, n\u00e3o montei um estande, estou vendendo o livro apenas de m\u00e3o em m\u00e3o e n\u00e3o est\u00e1 nada errado em fazer isso. Acontece desde o per\u00edodo da poesia marginal. Sem contar que o poeta homenageado \u00e9 Manuel Bandeira tamb\u00e9m vendia os seus livros desta seguinte forma. Mas se n\u00e3o quiser di\u00e1logo, eu vou para tenda da imprensa e vamos discutir sobre a venda de livros&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois disso a organiza\u00e7\u00e3o liberou que vendesse meus livros na pra\u00e7a para mim e os outros poetas.\u00a0 Depois disso nunca mais fizeram algo parecido com Flip ou outro festival liter\u00e1rio que participei direta ou indiretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui sorteado na roleta da vida para ser o cara com os livros tomados naquele ano. Isso \u00e9 um pensamento totalmente burgu\u00eas, poesia incomoda. Muito rico fica incomodado quando um poeta aparece e tenta convencer as pessoas de ler versos e estrofes. Me lembro que um jornalista do O Globo, em um caderno especial do Flip, at\u00e9 me mencionou, criticando minha abordagem, e disse assim: &#8220;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=10151030176502376&amp;set=a.489637107375&amp;type=3&amp;theaterhttps:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=10151030176502376&amp;set=a.489637107375&amp;type=3&amp;theater\">Minha poesia n\u00e3o morde: Poetas de Rua Mais Truculentos que Guardadores de Autom\u00f3veis<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nossa! Que homem perigoso!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sou muito violento e ostensivo, n\u00e3o \u00e9 mesmo ? Fico for\u00e7ando as pessoas dizendo: &#8220;Compre o livro! Compre o livro! Vai mo\u00e7a! Sen\u00e3o eu vou furar o seu pneu&#8221;. Esse coment\u00e1rio do colunista foi descabido, mostra um discurso bastante eleitista, que menospreza o guardador e poeta ao mesmo tempo, mostrando que ele \u00e9 duplamente preconceituoso. Engra\u00e7ado que na mesma coluna tinha uma mesma nota dizendo assim: &#8220;Simbolistas diziam que a poesia est\u00e1 na cacha\u00e7a e os concretistas na garrafa&#8221;. Quer dizer, o poeta discutindo na mesa de bar est\u00e1 beleza, mas poeta pobre na rua est\u00e1 incomodando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esses grupinhos sempre v\u00e3o existir. O legal \u00e9 aquele que recebeu ajuda e tem grande apoio da elite e o chato \u00e9 aquele que consegue as coisas na guerrilha mesmo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 vai\u00a0ter sempre essa galera, que est\u00e1 em uma grande editora, tem um bom emprego al\u00e9m de ser escritor ou s\u00e3o ricos de nascen\u00e7a e vive na maior tranquilidade e colocar isso como normal. Mas \u00e9 uma forma de elitizar a literatura. Sou um cara que incomoda com isso, vou sempre no caminho oposto. Quero desetilizar e tirar o poeta de ser iluminado na torre de marfim e ser de barro, que mostra o seu trabalho na m\u00e3o do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Engra\u00e7ado que esses grandes escritores, como Machado de Assis, no s\u00e9culo 18, n\u00e3o eram ricos e s\u00e3o os mesmos que hoje a literatura dos festivais e feiras veneram.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 frequente que um autor que tenha sido maldito em vida, tenha passado fome e todas as dificuldades, e ap\u00f3s a sua morte \u00e9 considerado um \u00edcone da elite. Eles ignoram este passado e vivem as luzes brilhantes deste mercado liter\u00e1rio que est\u00e1 se desfazendo, morrendo, assim como o mercado musical.\u00a0 Estou dando gra\u00e7as a Deus que isso est\u00e1 acontecendo, pois quero que esse sistema liter\u00e1rio se rompa, pois estamos vivendo em tempos de horizontalidade. Para essas pessoas \u00e9 desesperador que a concorr\u00eancia esteja em p\u00e9 de igualdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas essa tentativa de empres\u00e1rios de eleger conservadores no poder, sob o argumento de salvar essas empresas que est\u00e3o falindo, podem atrasar essa horizontalidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles podem usar todas as armas poss\u00edveis, mas n\u00e3o podem mudar os comportamentos sociais. A horizontalidade \u00e9 um caminho sem volta, principalmente com o advento da internet. Todos os pensamentos e distribui\u00e7\u00e3o de ideias eram definidas por um grupo espec\u00edfico e agora cada vez mais os novos autores e livros s\u00e3o descobertos a partir de um conte\u00fado divulgado por um youtuber, poetas de Instagram e pessoas que sabem utilizar as redes sociais e as ferramentas da internet para divulgar a literatura nos dias de hoje, criando uma nova forma de fazer mercado. Ou voc\u00ea entende e se adapta a este mundo ou voc\u00ea vai ser atropelado. O (Jair) Bolsonaro (toma posse no dia 1\u00ba de janeiro de 2019) pode cortar as pol\u00edticas de incentivo, bolsas de cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, diminuir verba para educa\u00e7\u00e3o e outras formas de produ\u00e7\u00e3o cultural, mas as pessoas v\u00e3o continuar consumindo literatura e novos escritores v\u00e3o ser criativos e divulgar bons materiais a partir dos materiais que tem por perto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--nextpage--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 rodando o Nordeste e divulgando &#8220;Na Casamata de Si&#8221; e queria saber como foi o seu processo liter\u00e1rio ?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ano passado eu participei de um edital e queria voltar a produzir algo. Ent\u00e3o, eu criei um conceito e uma ideia e enviei 20 p\u00e1ginas para a organiza\u00e7\u00e3o, defendi minhas ideias e estudos para que o livro fosse aprovado. Deu certo. Ent\u00e3o, eu resolvi fazer mais 60 p\u00e1ginas e colocamos coisas editoriais para chegar 100 p\u00e1ginas.\u00a0 Dessas 60 p\u00e1ginas, 40 foram criadas neste ano, mais precisamente no primeiro semestre, fazendo com que a obra tivesse uma coes\u00e3o. \u00c9 um livro que tem uma coes\u00e3o tem\u00e1tica, de margens e conceitos e os poemas conseguem ser pr\u00f3ximos entre si, desenvolvendo um di\u00e1logo. Fala sobre o mundo de hoje em dia, que apresenta um poema neste mundo totalmente fragmentado, despersonalizador e massacra a gente diariamente na luta entre sobreviver e fazer arte. Al\u00e9m disso, mostra sua cr\u00edtica desse mundo, fala do golpe de 2016 (Impeachment de Dilma Rousseff), momentos de terror, amar nos tempos de Guerra e todas essas tretas que observamos na internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como mudar essa onda de pessimismo causado para as elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas est\u00e3o muito pessimistas, mas gosto de lembrar que depois da guerra sempre vem a bonan\u00e7a. Por isso procuro fornecer um otimismo nas poesias, porque precisamos nos manter firmes. Embora apresente este ser humano mastigado, fatiado e comprimido, eu ainda tento apresentar uma esperan\u00e7a no final. \u00c9 uma forma minha de dizer: &#8220;N\u00e3o se joguem no edif\u00edcio, pois estamos aqui juntos e vamos resistir&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E aqui nessa tour no Nordeste, voc\u00ea analisou se o pessoal est\u00e1 mais pessimista ou otimista ?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo mundo que tem esse pensamento progressista e liberal est\u00e1 com medo, pois n\u00e3o sabemos o dia de amanh\u00e3, onde vai lapidar os nossos direitos e ficar de olho nas perdas das camadas de democracia. Nos \u00faltimos 15 anos, as camadas populares receberam muitas dessas camadas de democracia a partir de pol\u00edticas de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, emprego e moradia e elas podem perder a qualquer momento. Ent\u00e3o, n\u00f3s precisamos \u00e9 ficar atentos. N\u00e3o deixar o lobby armamentista vencer, evitar as mudan\u00e7as policiais que est\u00e3o planejando, oficializar a b\u00e1rbarie e n\u00e3o perder os direitos fundamentais a Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de come\u00e7ar a entrevista,\u00a0 estavamos discutindo sobre se armar para luta. Afinal, o livro \u00e9 uma forma de se armar para a resist\u00eancia ?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que sem querer o livro se transformou em uma armadura, embora tivesse procurando algo para me proteger. Na hora de escolher o t\u00edtulo, vi que havia muitos poemas b\u00e9licos e j\u00e1 estava se formando dentro da minha poesia. Escrevi com um pensamento muito ligado ao antifacismo e estava com consci\u00eancia das tens\u00f5es que rolam. A minha hist\u00f3ria de literatura \u00e9 de guerrilha, j\u00e1 sou classificado como poeta guerrilheiro h\u00e1 muito tempo. Sempre penso em como ocupar os espa\u00e7os utilizando a poesia e manter contatos com pessoas, independente se \u00e9 ligado pela poesia ou n\u00e3o. Cresci ouvindo falando que poesia n\u00e3o vende, mas foi desta forma que consegui vender sete mil livros. O problema que ningu\u00e9m se disp\u00f5e a vender. Nas livrarias, por exemplo, os livros de poemas s\u00e3o colcoados escondidos na estante e se tiver cl\u00e1ssicos brasileiros, \u00f3timo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos ver aqui na livraria aonde est\u00e3o os livros de poesia. Na nossa frente, por exemplo, est\u00e1 Jos\u00e9 Saramargo.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente quase n\u00e3o olha um escritor brasileiro contempor\u00e2neo, daqui da mesa consegui ver apenas Cristov\u00e3o Tezza. O mercado brasileiro n\u00e3o pensa em formar p\u00fablico, apenas para a produ\u00e7\u00e3o best-seller. As pessoas querem jogar apenas no modo\u00a0<em>easy<\/em>. Agora que a estrutura est\u00e1 rompendo, o sistema quer que a literatura alternativa salve as livrarias e editoras, mas sempre cagaram, falando no bom portugu\u00eas mesmo, nas nossas cabe\u00e7as e j\u00e1 cansei de contar quantas vezes os mesmos disseram n\u00e3o para n\u00f3s dizendo que &#8220;a gente n\u00e3o rende&#8221;.\u00a0 Um maior exemplo de que o jogo est\u00e1 virando \u00e9 o Pr\u00eamio Jabuti fornecer o t\u00edtulo de livro do ano para produ\u00e7\u00e3o independente. \u00c9 importante ficar de olho nessas mudan\u00e7as, tanto que os maiores autores brasileiros est\u00e3o migrando para as editoras menores, principalmente por ter mais liberade e respeito ao trabalho. Hoje n\u00e3o \u00e9 mais vontade em trabalhar com empresa grande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem algum poeta potiguar que voc\u00ea gosta?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gosto muito do trabalho de Regina Azevedo, Gonzaga Neto, Ruy Rocha, Carito Cavalcanti e adoro o trabalho de Carlos Gurgel. O que mais gosto de viajar \u00e9 conhecer o movimento dos poetas de cada estado e construir essa rede de relacionamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assunto nada a ver, tudo bem. Mas voc\u00ea que tem tatuagem em Black Work, voc\u00ea deveria era tatuar com Lucas Gurgel, o filho de Carlos, que tem um trampo massa nessa \u00e1rea e trabalha em SP. Depois passo o contato.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa, eu n\u00e3o sabia que ele tinha um filho tatuador, interessante demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para terminar, o que esperar nesses quatros anos de alegria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espero que os poetas que continuemos com o papel de cr\u00edtica e continuemos na nossa fun\u00e7\u00e3o de mobilizar pela preserva\u00e7\u00e3o da democracia brasileira. Os poetas tem que tomar a coisa que \u00e9 p\u00fablica, ocupando todo o espa\u00e7o poss\u00edvel e ir para as ruas, maior espa\u00e7o de confrontamento. A gente criou uma rep\u00fablica virtual, mas precisamos estender mais espa\u00e7os. A bolha virtual precisa ser furada \u00e9 colocando lambe na parede, estampar poema nas vestimentas, vender um zine e quando est\u00e1 na rua voc\u00ea abre os olhos para aquilo que comunente n\u00e3o vemos, conversamos com aqueles que est\u00e3o na nossa bolha ou n\u00e3o. A rua sempre me deu essa perspectiva, de estabelecer v\u00ednculo com pessoas. Precisamos ir se aventurar mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem algum momento divulgando poesia na rua que te marcou mais ? (Nota: Esta foi a \u00faltima pergunta, eu juro)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram v\u00e1rios momentos marcantes, foi na rua que tive contato com pessoas e fiz amizades, como o Rodrigo C\u00edriaco, que divulgou o acontecido no Flip em seu blog, at\u00e9 hoje frquento os seus projetos. Teve uma senhora que veio at\u00e9 mim chorando enquanto lia meu poema na faculdade ou gente elogiando e dizendo que fez sarau com meus poemas. As pessoas te d\u00e3o um feedback vivo na rua e isso \u00e9 muito legal, a gente n\u00e3o ver isso entre os cr\u00edticos liter\u00e1rios. A literatura e a poesia \u00e9 um direito e quero divulgar a poesia para aqueles que n\u00e3o tiveram acesso ao Charles Baudelarie e outros estudiosos. N\u00e3o posso negar poesia \u00e0 essas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brechando trabalha com prosa, mas tenta migrar por todos os movimentos liter\u00e1rios atrav\u00e9s de entrevistas ou permitindo poetas escreverem no site. 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