{"id":2360,"date":"2018-08-31T00:00:00","date_gmt":"2018-08-31T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2360"},"modified":"2018-08-31T00:00:00","modified_gmt":"2018-08-31T03:00:00","slug":"esta-planta-da-caatinga-ajuda-no-combate-contra-a-desertificacao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/esta-planta-da-caatinga-ajuda-no-combate-contra-a-desertificacao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Esta planta da Caatinga ajuda no combate contra a desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O aquecimento global pode matar um dos biomas genuinamente brasileiro: a caatinga. Um dos resultados \u00e9 a maior seca que o Nordeste est\u00e1 sentindo nos \u00faltimos anos e o estado do Rio Grande do Norte se encontra em estado de calamidade p\u00fablica em quase todos os munic\u00edpios. Por\u00e9m, uma planta est\u00e1 resistindo bravamente. O vegetal tem o nome cient\u00edfico Cnidoscolus quercifolius, popularmente conhecido como faveleira, assim batizado por produzir uma semente leguminosa em forma de favo.<\/p>\n<p>Foto: C\u00edcero Oliveira<\/p>\n<p>Antigamente, as suas\u00a0ra\u00edzes eram consumidas pelo gado e as folhas pelas ovelhas, enquanto a madeira da \u00e1rvore era transformada em cocho para os animais. A divers\u00e3o das crian\u00e7as, por sua vez, era coletar as sementes de faveleira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse resultado foi atrav\u00e9s de uma pesquisa do professor de geografia Josimar Medeiros, que decidiu plantar a faveleira na propriedade da fam\u00edlia, na zona\u00a0rural de S\u00e3o Jos\u00e9 do Serid\u00f3, distante cerca de 250 quil\u00f4metros de Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Josimar observou o crescimento das faveleiras e percebeu que, na verdade, a esp\u00e9cie \u00e9 mais importante do que se pensava.<\/p>\n<p>Da pequena planta\u00e7\u00e3o, brotou a ideia do projeto de pesquisa elaborado por Josimar Medeiros para o doutorado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Prodema\/UFRN).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa foi t\u00e3o interessante fazendo com que a equipe da UFRN fosse para l\u00e1 e divulgar a novidade para imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tese, defendida em dezembro de 2017, identificou a faveleira como esp\u00e9cie-chave cultural do bioma Caatinga e destacou seu protagonismo na reabilita\u00e7\u00e3o de \u00e1reas desertificadas (AD) ou em processo de desertifica\u00e7\u00e3o (APD).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para chegar a essas conclus\u00f5es, o pesquisador realizou observa\u00e7\u00f5es in loco, revis\u00e3o da literatura, entrevistas e plantio do vegetal em AD e APD, com aux\u00edlio de agricultores familiares.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea em processo de desertifica\u00e7\u00e3o, constatou-se que em 2014 permaneciam vivas 65 das 82 mudas introduzidas por Josimar em 2009, mediante a t\u00e9cnica de uso de embalagens pl\u00e1sticas. Para a \u00e1rea desertificada, os agricultores sugeriram usar tanto as embalagens quanto a sementeira para o plantio das mudas, realizado em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano depois, das 60 mudas introduzidas com cada t\u00e9cnica, sobreviveram respectivamente 56 e 46. Apesar de os n\u00fameros serem mais favor\u00e1veis para as embalagens pl\u00e1sticas, a praticidade de transporte das sementeiras fez com que esta t\u00e9cnica fosse replicada para plantio pela comunidade de S\u00e3o Jos\u00e9 do Serid\u00f3, onde atualmente existem aproximadamente 10 hectares de faveleira.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o do pesquisador, Josenilson Medeiros, foi um dos agricultores que auxiliaram no cultivo da planta. Criador de gado, alimenta os animais com a vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, conhecida popularmente como \u2018babugem\u2019, que desaparece nas \u00e9pocas de pouca chuva e aos poucos estava sumindo permanentemente pelo processo de desertifica\u00e7\u00e3o \u2013 fen\u00f4meno causado por efeitos clim\u00e1ticos e a\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem alternativa, ele precisava comprar alimento nas \u00e9pocas de seca para manter a cria\u00e7\u00e3o, apesar do dif\u00edcil retorno financeiro por meio da venda de leite. Ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o da faveleira, a realidade apresentou transforma\u00e7\u00f5es vis\u00edveis a olho nu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto mostra que uma simples experi\u00eancia emp\u00edrica pode se transformar em um grande projeto cient\u00edfico, ajudando a impedir n\u00e3o s\u00f3 a desertifica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma forma alternativa de alimentar o gado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, Josimar transformou a propriedade da fam\u00edlia em um grande campo de pesquisa. Al\u00e9m disso, o docente atua na Escola Estadual Raimundo Silvino, onde desenvolve h\u00e1 mais de 20 anos com seus alunos o plantio de mudas das mais variadas esp\u00e9cies \u2013 inclusive a faveleira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A planta \u00e9 classificada como xer\u00f3fita pela adapta\u00e7\u00e3o ao clima semi\u00e1rido e des\u00e9rtico.<\/p>\n<p>Presente na vegeta\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Norte h\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo, a faveleira tem forte rela\u00e7\u00e3o com a sobreviv\u00eancia do povo sertanejo. Essa foi a constata\u00e7\u00e3o de Josimar ap\u00f3s realizar entrevistas com 57 pessoas, com faixa et\u00e1ria de 30 a 100 anos, residentes em diferentes comunidades nas quais a planta \u00e9 bem distribu\u00edda na paisagem. O grupo apresentou utilidades da faveleira tanto para a alimenta\u00e7\u00e3o de animais quanto humana, al\u00e9m de ser explorada na medicina popular e ter a madeira aproveitada para a confec\u00e7\u00e3o de objetos. De alto valor nutritivo, a semente \u00e9 a \u00fanica parte consumida por homens e mulheres, que da mat\u00e9ria-prima produzem a tradicional fuba, biscoitos, bolos e cocadas. Da mesma semente, ainda \u00e9 poss\u00edvel extrair leite e \u00f3leo, potenciais fontes de renda para a popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>Esses e outros fatores levaram \u00e0 in\u00e9dita classifica\u00e7\u00e3o da faveleira como esp\u00e9cie-chave cultural do bioma Caatinga, pelo papel fundamental para a comunidade humana e a manuten\u00e7\u00e3o de sua cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova pretens\u00e3o do pesquisador \u00e9 comprovar que a planta tamb\u00e9m \u00e9 esp\u00e9cie-chave ecol\u00f3gica, dada a import\u00e2ncia da sua contribui\u00e7\u00e3o para manter o ecossistema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aquecimento global pode matar um dos biomas genuinamente brasileiro: a caatinga. 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