{"id":2291,"date":"2018-07-16T00:00:00","date_gmt":"2018-07-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2291"},"modified":"2018-07-16T00:00:00","modified_gmt":"2018-07-16T03:00:00","slug":"o-mundo-azulado-de-lucia-helena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/o-mundo-azulado-de-lucia-helena\/","title":{"rendered":"O mundo azulado de L\u00facia Helena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisando sobre o nome &#8220;L\u00facia&#8221;, descobrimos que vem do latim &#8220;lucius&#8221;, que significa &#8220;luz&#8221;. Por\u00e9m, a luz que vem da personagem que contaremos nesta reportagem n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o iluminada. Enquanto a cidade-luz, Paris, estava em festa por conta do bicampeonato franc\u00eas na Copa do Mundo, a L\u00facia Helena estava deitada em sua barraca de camping instalada embaixo de um cajueiro, pr\u00f3ximo do campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o uniforme da Fran\u00e7a, a barraca dela \u00e9 azul, onde tem um tatame para proteger das gramas, um colch\u00e3o, travesseiro e alguns mantimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de se instalar naquele lugar, L\u00facia Helena carrega contigo mais de 20 anos de situa\u00e7\u00e3o de rua, enfrentou agress\u00f5es, idas aos albergues e documentos perdidos.\u00a0 Hoje, com 57 anos, diz que pensa apenas como ser\u00e1 o dia seguinte, n\u00e3o sente medo dos perigos da rua e sonha em viver um dia de cada vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Meu sonho \u00e9 que algu\u00e9m fa\u00e7a uma pol\u00edtica para que tenha uma casinha com um quarto para mim, um emprego que consiga fazer e tentar viver com minha dignidade. Este \u00e9 o meu sonho, estou ficando velha e preciso pensar nisso&#8221;, relatou L\u00facia em entrevista ao\u00a0<strong>Brechando<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua hist\u00f3ria nos interessou quando v\u00edamos o seu acampamento sendo constru\u00eddo aos poucos. Sempre que passava pela regi\u00e3o e via aquele barrac\u00e3o azul intacto, mas nunca via quem estava ali, questionava: 1) Era uma fam\u00edlia? 2) Estudantes da universidade sem resid\u00eancia universit\u00e1ria? 3) Um casal?<\/p>\n<figure id=\"attachment_21555\" aria-describedby=\"caption-attachment-21555\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/A575D169-AD6A-4C28-B4AA-64A65C6A118A.jpeg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-21555 size-medium\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/A575D169-AD6A-4C28-B4AA-64A65C6A118A-300x182.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"182\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-21555\" class=\"wp-caption-text\">A famosa barraca azul (Fotos: Lara Paiva)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">As perguntas s\u00f3 seriam respondidas quando o site e em parceria com a p\u00e1gina <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/invisivelnatal\/\">Natal Invis\u00edvel<\/a>, resolvemos responder este mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao abord\u00e1-la, vimos uma senhora com cabelos cobertos, poucas linhas de express\u00e3o, pele queimada do sol, vestindo roupas leves por conta do calor e uma senhora sempre cobrindo o rosto envergonhada, como se continuasse a querer ficar invis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ficamos felizes com o sim ap\u00f3s a pergunta &#8220;Podemos te entrevistar?&#8221;, pois o seu semblante era de querer ficar \u00e0 margem, sua zona de conforto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, ela estirou uma lona no ch\u00e3o e sentou com a gente para conversar. Natural de Recife, ela veio para Parnamirim, na Grande Natal, \u00e0 20 quil\u00f4metros da capital potiguar, onde foi morar com a m\u00e3e e os irm\u00e3os (a mais velha de seis filhos) por conta da separa\u00e7\u00e3o dos pais. Ap\u00f3s uma briga familiar resolveu sair de casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ficaram dizendo que eu era filha do meu pai com outra mulher. At\u00e9 hoje n\u00e3o sei se \u00e9 verdade a hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, meus irm\u00e3os come\u00e7aram a brigar comigo. Cansada de confus\u00e3o, eu peguei as minhas coisas e fui embora&#8221;, disse, sem aprofundar muito no assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estou acostumada a viver s\u00f3, prefiro viver assim. N\u00e3o gosto de viver em turma, prefiro viver a minha vida. N\u00e3o nego a falar com as outras pessoas, sempre recebo quem me procura, mas n\u00e3o gosto de fazer amizade ou ter uma turma&#8221;, disse L\u00facia, que j\u00e1 chegou a viver pr\u00f3ximo de outros moradores de ruas, onde alegou que muitos vivem rodeados por drogas e bebidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu n\u00e3o suporto o cheiro de bebida. Convivi por muito tempo por pessoas que consomem drogas, nunca me ofereceram e eu tamb\u00e9m nunca quis, odeio o cheiro de cacha\u00e7a e essas pessoas n\u00e3o combinam comigo&#8221;, relatou a senhora, que n\u00e3o tem filhos e nunca quis envolver amorosamente com ningu\u00e9m, mostrando que quer a sua luz sempre esteja apagada ou invis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a nossa conversa, L\u00facia nos contou que j\u00e1 viveu no Albergue de Natal, dormiu nas cal\u00e7adas de lojas e tamb\u00e9m nas principais ruas da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A noite \u00e9 o per\u00edodo que tenho mais medo, pois algu\u00e9m pode fazer alguma maldade para cima de mim. J\u00e1 jogaram uma pedra em mim enquanto estava dormindo, cortando a minha cabe\u00e7a. H\u00e1 cinco anos me chutaram, que eu fiquei sentindo dor na coluna por muito tempo&#8221;, afirmou a moradora, que prontificou que estas foram as \u00fanicas agress\u00f5es que viveu neste per\u00edodo.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ficaram dizendo que eu era filha do meu pai com outra mulher. At\u00e9 hoje n\u00e3o sei se \u00e9 verdade a hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, meus irm\u00e3os come\u00e7aram a brigar comigo. Cansada de confus\u00e3o, eu peguei as minhas coisas e fui embora&#8221;<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, a moradora de rua perdeu todos os seus documentos enquanto dormia na Av. Senador Salgado Filho e por isso resolveu se mudar perto do campus universit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estou aqui h\u00e1 quatro meses, inicialmente eu montei um barraco improvisado embaixo de uma placa. Depois a vizinhan\u00e7a resolveu me ajudar, no qual eu ganhei esta barraca e de vez em quando recebo alguma comida das pessoas. Fiz um fog\u00e3o para cozinhar minha comida. Para tomar banho, eu uso a \u00e1gua da torneira que est\u00e1 no canteiro e no carrinho de supermercado (aponta para o carrinho) coloco as minhas coisas, \u00e9 o meu arm\u00e1rio.&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s os documentos roubados, dona L\u00facia Helena chegou a procurar o Centro Pop, onde eles aconselharam a fazer um Boletim de Ocorr\u00eancia e forneceram uma carteira do SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) tempor\u00e1rio. &#8220;A vizinhan\u00e7a me ajudou bastante para procurar esses documentos, cheguei no Via Direta e fiz o BO, mas o Centro Pop disse que demoraria mais uns meses para conseguir recuperar os documentos&#8221;, lamentou.<\/p>\n<div class=\"msg-imagem\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do Albergue de Natal e centro de acolhimentos, tamb\u00e9m existe o citado Centro Pop , nome para Centro de Refer\u00eancia Especializado para Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua (Centro Pop), no bairro Barro Vermelho. O Centro \u00e9 direcionado aos jovens, adultos, idosos (crian\u00e7as e adolescentes desde que estejam acompanhados de seus pais ou respons\u00e1veis), que utilizam as ruas como espa\u00e7os de moradias e\/ou sobreviv\u00eancia.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acesso ao Centro de Refer\u00eancia Especializado para Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua se d\u00e1 por demanda espont\u00e2nea e encaminhamentos do Servi\u00e7o Especializado em Abordagem Social, de outros servi\u00e7os s\u00f3cio-assistenciais, das demais pol\u00edticas p\u00fablicas setoriais e dos \u00f3rg\u00e3os de defesa de Direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a falta de documentos, L\u00facia Helena tem dificuldades de fazer servi\u00e7os simples ou at\u00e9 mesmo dormir no albergue. Conta que se vira como pode, &#8220;raramente pede comida ou dinheiro&#8221;, visto que muita gente j\u00e1 a ajuda naturalmente, mas tamb\u00e9m tenta utilizar seu carrinho para coletar os restos que foram jogados nas mans\u00f5es e casas do conjunto Cidade Jardim, pr\u00f3ximo de seu mundo azulado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_21554\" aria-describedby=\"caption-attachment-21554\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/8ABECB1D-43B9-4E75-9725-C5C42703308B.jpeg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-21554 size-large\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/8ABECB1D-43B9-4E75-9725-C5C42703308B-1067x800.jpeg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-21554\" class=\"wp-caption-text\">Fog\u00e3o improvisado e o carrinho de supermercado ao fundo<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">&#8220;A noite \u00e9 o per\u00edodo que tenho mais medo, pois algu\u00e9m pode fazer alguma maldade para cima de mim. J\u00e1 jogaram uma pedra em mim enquanto estava dormindo, cortando a minha cabe\u00e7a.&#8221;.<\/h3>\n<\/blockquote>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O que leva as pessoas a morar na rua?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados n\u00e3o s\u00e3o recentes e muito menso renovados. Mas, em 2011, a\u00a0Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (SDH) e pelo Instituto de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Idesp) divulgou dados que tentam explicar o porqu\u00ea existem pessoas que moram nas ruas das pequenas e grandes cidades brasileiras.\u00a0 Conforme os dados, a maioria v\u00e3o para as ruas por conta das brigas verbais com pais e irm\u00e3os (32,2%), a viol\u00eancia dom\u00e9stica (30,6%) e o uso de \u00e1lcool e drogas (30,4%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), essa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 composta predominantemente por homens (82%), negros (67%) e que exercem alguma atividade remunerada (70%). Entre os principais motivos que os levaram \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de rua est\u00e3o o alcoolismo\/drogas (35,5%), o desemprego (29,8%) e os conflitos familiares (29,1%). Um grupo relativamente menor (22,1%) costuma dormir em albergues ou outras institui\u00e7\u00f5es. Apenas 8,3% costumam alternar, ora dormindo na rua, ora dormindo em albergues.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Quantidade de moradores de rua no Brasil e no Rio Grande do Norte<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os moradores de rua s\u00e3o t\u00e3o invis\u00edveis, que n\u00e3o existem dados concretos sobre eles nem em Natal e no restante do Brasil. Apenas possibilidades, pressupostos, estimativas&#8230; De acordo com o\u00a0Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), no ano de 2017, estima-se que 101.854 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, 40,1% estavam em munic\u00edpios com mais de 900 mil habitantes (onde Natal, que tem em torno de 800 mil habitantes, encaixaria neste padr\u00e3o) e 77,02% habitavam munic\u00edpios com mais de 100 mil pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social, em 2011, apontou que h\u00e1 50 mil pessoas vivendo na rua no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 nos munic\u00edpios menores, com at\u00e9 10 mil habitantes, a porcentagem era bem menor: apenas 6,63%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor desta pesquisa do <a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/images\/stories\/PDFs\/TDs\/26102016td_2246.pdf\">Ipea<\/a> foi feita pelo especialista em pol\u00edticas p\u00fablicas e gest\u00e3o governamental, Marco Antonio Carvalho Natalino, ressaltou a import\u00e2ncia de dados atualizados sobre o tema, pois eles s\u00e3o essenciais \u00e0 formula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para essa parcela de brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No documento, Natalinos coletou dados baseados no\u00a01924 munic\u00edpios via Censo do Sistema \u00danico de Assist\u00eancia Social (Censo Suas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esta aus\u00eancia, entretanto, justificada pela complexidade operacional de uma pesquisa de campo com pessoas sem endere\u00e7o fixo, prejudica a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para este contingente e reproduz a invisibilidade social da popula\u00e7\u00e3o de rua no \u00e2mbito das pol\u00edticas sociais. Tal invisibilidade [com os moradores de rua] se revela, por exemplo, na falta de documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para acessar servi\u00e7os e benef\u00edcios sociais que o Estado garante&#8221;, disse o Marco Antonio Natalino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 2007 e 2008, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Agr\u00e1rio (MDS) realizou a Pesquisa Nacional Sobre a Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua (Brasil, 2008). O p\u00fablico-alvo da pesquisa foi composto por pessoas com 18 anos completos ou mais vivendo em situa\u00e7\u00e3o de rua em 48 munic\u00edpios com mais de 300 mil habitantes e em 23 capitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou um total de 31.922 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Note-se, entretanto, que foram exclu\u00eddos os munic\u00edpios de S\u00e3o Paulo, Recife, Belo Horizonte e Bras\u00edlia por estes contarem com pesquisas semelhantes recentemente conclu\u00eddas ou em andamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vasculhando o site da Secretaria Municipal de Assist\u00eancia Social (Semtas) n\u00e3o existe alguma estat\u00edstica publicada para dom\u00ednio p\u00fablico. Muito menos no \u00e2mbito estadual.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Estimativa-sobre-os-moradores-de-rua-no-Nordeste.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-21577\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Estimativa-sobre-os-moradores-de-rua-no-Nordeste-320x800.png\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"800\" \/><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<div class=\"imagem-texto\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisando sobre o nome &#8220;L\u00facia&#8221;, descobrimos que vem do latim &#8220;lucius&#8221;, que significa &#8220;luz&#8221;. Por\u00e9m, a luz que vem da personagem que contaremos nesta reportagem n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o iluminada. 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