{"id":2253,"date":"2018-09-14T00:00:00","date_gmt":"2018-09-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2253"},"modified":"2018-09-14T00:00:00","modified_gmt":"2018-09-14T03:00:00","slug":"e-possivel-estimular-os-moradores-de-rua-a-lutar-pelos-seus-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/e-possivel-estimular-os-moradores-de-rua-a-lutar-pelos-seus-direitos\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel estimular os moradores de rua a lutar pelos seus direitos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pelo menos um grupo dentro da Universidade Federal do RN (UFRN) quer para aqueles que vivem sem uma casa atrav\u00e9s do projeto &#8220;Descart\u00e1veis urbanos ou cidad\u00e3os de direitos?&#8221;, para alguns isso deveria ser uma ideia ut\u00f3pica de estudantes de Ci\u00eancias Sociais. Mas a ideia, que existe desde 2015, \u00e9 coordenada por Maria Teresa Lisboa e Ana Karenina de Melo, professoras do Departamento de Psicologia. \u00c9 resultado de trabalhos que vinham sendo desenvolvidos pelas professoras e por outros profissionais, vinculados ao Centro de Refer\u00eancia em Direitos Humanos (CDRH), no atendimento \u00e0s demandas dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados foram retirados no boletim da Agecom, ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o da UFRN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse trabalho come\u00e7ou com o CDRH, em 2012, que era um programa financiado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Ele perdeu o financiamento em 2016 e continuamos como esse projeto de extens\u00e3o da Universidade vinculado apenas aos professores. Recentemente, o CDRH voltou ao campus universit\u00e1rio, pr\u00f3ximo do setor de aulas II, sob o nome de Marcos Dion\u00edsio, homenagem ao grande militante da \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancia,\u00a0<span class=\"il\">Marcos\u00a0<\/span><span class=\"il\">Dion\u00edsio<\/span>\u00a0foi presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania do RN. A unidade funcionar\u00e1 no Centro de Ci\u00eancias Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da UFRN, com psic\u00f3logo, assistente social e advogado, prestando assist\u00eancia com o apoio de nove estagi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Autora da emenda parlamentar destinada ao funcionamento do CRDH, a senadora da Rep\u00fablica F\u00e1tima Bezerra, destacou que a atua\u00e7\u00e3o do centro \u00e9 uma forma tamb\u00e9m de desmistificar uma interpreta\u00e7\u00e3o incorreta que muitas pessoas t\u00eam a respeito dos direitos humanos. Sobre a homenagem, ela afirmou que tem um significado adicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto est\u00e1 na sua quarta edi\u00e7\u00e3o e tem articulado estudantes de cursos como psicologia, administra\u00e7\u00e3o, servi\u00e7o social e direito. As a\u00e7\u00f5es acontecem em conjunto com membros do Movimento da Popula\u00e7\u00e3o de Rua do Rio Grande do Norte, conhecido como Pop Rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre as atividades promovidas est\u00e3o: Assessoria nas reuni\u00f5es semanais do movimento; Oficinas de educa\u00e7\u00e3o, arte e cidadania; Semin\u00e1rios tem\u00e1ticos sobre perfis espec\u00edficos dessa popula\u00e7\u00e3o, como mulheres e LGBTs; Forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as dentro do movimento e Assessoria \u00e0s equipes que atuam no Consult\u00f3rio na Rua da Rede de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Al\u00e9m disso, o projeto fornece alimento e banho para aqueles que est\u00e3o dias sem tomar banho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a professora Maria Teresa, \u201cS\u00e3o a\u00e7\u00f5es que acontecem na medida em que surgem demandas do pr\u00f3prio movimento e n\u00f3s vemos no que podemos mais colaborar. Sempre nas reuni\u00f5es discutimos os problemas e como pressionar o estado na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. O que eu vejo de positivo nesse processo \u00e9 o seu fortalecimento, a forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e, tamb\u00e9m, a forma\u00e7\u00e3o dos estudantes para trabalhar com popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto Descart\u00e1veis Urbanos possui v\u00e1rias frentes de trabalho e toda elas acontecem na inten\u00e7\u00e3o de aliar atividades de pesquisa com a\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o, ou seja, na medida em que se estuda o perfil da popula\u00e7\u00e3o de rua e as suas demandas, ela recebe orienta\u00e7\u00e3o sobre as formas mais apropriadas de atend\u00ea-las e se mobilizar a respeito.<br \/>\nUm exemplo de interven\u00e7\u00e3o do projeto foi na solu\u00e7\u00e3o de um problema relacionado a uma pauta nacional do movimento: o afastamento compuls\u00f3rio de m\u00e3es em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social de seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma quest\u00e3o recorrente nas pesquisas relacionadas a pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua \u00e9 explicar o problema apresentando as seguintes causas: rompimento do v\u00ednculo familiar, o uso de \u00e1lcool e outras drogas e o desemprego. Por\u00e9m, ao se deparar com a hist\u00f3ria de vida dessas pessoas \u00e9 percept\u00edvel que apontar uma causa espec\u00edfica para justificar a situa\u00e7\u00e3o de rua, \u00e9 uma forma de negar a complexidade de cada hist\u00f3ria, negligenciando aspectos como o contexto social e a singularidade das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Anna Carolina, uma das colaboradoras do projeto, a experi\u00eancia de colaborar com o projeto e lidar com pessoas com hist\u00f3rias diferentes tem sido motivadora \u201cAcho que uma das coisas mais emocionantes de trabalhar com eles \u00e9 que, mesmo com todas as dificuldades que existem, cada um tem a sua singularidade e, ainda sim, eles conseguem se unir e produzir algo para o coletivo. Eles me inspiram todo dia\u201d, revela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro do projeto, surgiu alguns coletivos de rua, como o Movimento da Popula\u00e7\u00e3o de Rua do Rio Grande do Norte (Pop Rua RN) come\u00e7ou a ser articulado em 2012, mediante a\u00e7\u00f5es do Centro de Refer\u00eancia em Direitos Humanos (CDRH) voltadas para a conscientiza\u00e7\u00e3o dos problemas que envolvem a popula\u00e7\u00e3o e dando suporte para mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Vanilson Torres, coordenador local do movimento, a pauta central atualmente \u00e9 moradia digna, pois a partir dessa conquista, outras pol\u00edticas p\u00fablicas se tornam mais acess\u00edveis. \u201cExiste uma diferen\u00e7a entre moradia e moradia digna. Quando falamos em moradia digna nos referimos a toda uma estrutura que uma fam\u00edlia precisa como uma escola, posto de sa\u00fade, transporte p\u00fablico e saneamento. A moradia comum \u00e9 um lugar distante sem acesso a essas coisas\u201d, ressalta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos um grupo dentro da Universidade Federal do RN (UFRN) quer para aqueles que vivem sem uma casa atrav\u00e9s do projeto &#8220;Descart\u00e1veis urbanos ou cidad\u00e3os de direitos?&#8221;, para alguns isso deveria ser uma ideia ut\u00f3pica de estudantes de Ci\u00eancias Sociais. 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