{"id":2243,"date":"2018-06-19T00:00:00","date_gmt":"2018-06-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2243"},"modified":"2018-06-19T00:00:00","modified_gmt":"2018-06-19T03:00:00","slug":"enquanto-o-acervo-do-novo-jornal-e-salvo-ex-funcionarios-recebem-calote","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/enquanto-o-acervo-do-novo-jornal-e-salvo-ex-funcionarios-recebem-calote\/","title":{"rendered":"Enquanto o acervo do Novo Jornal \u00e9 salvo, ex-funcion\u00e1rios recebem calote"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Novo Jornal surgiu no final dos anos 2000 e foi desenvolvido por Cassiano Arruda C\u00e2mara ap\u00f3s a sua demiss\u00e3o ao Di\u00e1rio do Natal, quando o impresso passou por reformula\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas e boa parte dos jornalistas sa\u00edram da reda\u00e7\u00e3o. O vespertino era conhecido por mat\u00e9rias r\u00e1pidas e uma diagrama\u00e7\u00e3o mais din\u00e2mica, diferente dos impressos tradicionais. Al\u00e9m disso, apresentou diversos novos jornalistas do mercado, fazendo com que as vagas de est\u00e1gio para l\u00e1 fosse disputada a tapa pelos discentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o jornal passou por diversos problemas financeiros, fazendo com que no ano de 2014, o Arruda C\u00e2mara vendesse parte do seu jornal para o grupo Ritz G5 e a edi\u00e7\u00e3o impressa deixou de circular em outubro de 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, desde o m\u00eas de junho, os funcion\u00e1rios demitidos alegam que o acordo prometido pelos propriet\u00e1rios foi descumprido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com representa\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte (Sindjorn), eles abrir\u00e3o um processo para receber as verbas recis\u00f3rias, como f\u00e9rias e sal\u00e1rios. Inicialmente foi acordado que a primeira parcela da d\u00edvida seria paga a partir de abril, seis meses ap\u00f3s o fechamento do jornal. Por\u00e9m, eles foram comunicados que o dinheiro n\u00e3o seria pago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ap\u00f3s aceitarem abrir m\u00e3o de juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, aceitarem parcelar em at\u00e9 oito vezes os valores a receber e permitirem que a primeira parcela fosse efetuada somente seis meses ap\u00f3s o processo de encerramento do jornal, em outubro de 2017 (alternativa colocada pela empresa como \u00fanica possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o), os jornalistas viram o pagamento das verbas rescis\u00f3rias ser suspenso com menos de 50% da quita\u00e7\u00e3o prevista. O acordo foi feito com media\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho. E o descumprimento, comunicado ao grupo de jornalistas neste m\u00eas&#8221;, disse os jornalistas em carta aberta ao p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acontecimento do Novo Jornal mostra que o jornalismo nunca foi levado a s\u00e9rio e que na vis\u00e3o empresarial, os rep\u00f3rteres s\u00e3o os &#8220;assessores de imprensa dos seus interesses&#8221;. Quando os mesmos n\u00e3o &#8220;tem mais serventia&#8221;, estes s\u00e3o tratados piores que um lixo. Enquanto isso, o Rio Grande do Norte possui um dos piores pisos salariais da categoria e conta-se nos dedos quais reda\u00e7\u00f5es (impresso, m\u00eddia digital, assessoria ou r\u00e1dio) que pagam mais que 1500 reais ou fornece aux\u00edlio-sa\u00fade e vale-transporte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem contar que al\u00e9m dos rep\u00f3rteres tamb\u00e9m devem para motoristas, \u00e1rea comercial e dentre outros trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publicado em um blog, os jornalistas desabafaram sobre o acontecimento. Confira a carta dos ex-funcion\u00e1rios a seguir:<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 com tristeza que denunciamos mais um duro golpe contra a atividade profissional regular de Jornalistas no Rio Grande do Norte. Os mais de 20 profissionais demitidos do NOVO Jornal que aceitaram proposta da empresa para receber de forma parcelada as verbas rescis\u00f3rias, em um acordo claramente desvantajoso para os trabalhadores, foram prejudicados pelos s\u00f3cios do jornal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tomar todas as medidas judiciais cab\u00edveis, o grupo est\u00e1 tornando o caso p\u00fablico e procurando todos os \u00f3rg\u00e3os de investiga\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o para obter aux\u00edlio no processo de busca pela transpar\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es, sobretudo no tocante ao funcionamento do sistema de transfer\u00eancia de recursos vindos do exterior, modelo sistematicamente alegado pela empresa para justificar as in\u00fameras intercorr\u00eancias dos pagamentos desde o final de 2014 (ano em que o grupo empresarial assumiu o jornal).<\/p>\n<p>Os profissionais t\u00eam informa\u00e7\u00f5es acerca da presen\u00e7a das empresas RitzG5, do ramo imobili\u00e1rio, de seus diretores Luiz Matida e Fernando Lessa, gerente comercial da RitzG5, que assinava o expediente do jornal como Fernando Laudares, e do advogado e professor Andr\u00e9 Elali na organiza\u00e7\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o e no comando do arranjo empresarial que resultou na aquisi\u00e7\u00e3o do NOVO Jornal das m\u00e3os do jornalista Cassiano Arruda C\u00e2mara, em 2014. Cassiano Arruda C\u00e2mara criou a Anote, raz\u00e3o social da empresa que publicava o NOVO Jornal, em 2009.<\/p>\n<p>At\u00e9 bem pouco tempo a Ritz era associada \u00e0 construtora G5, do empres\u00e1rio Sami Elali. Intitulava-se RitzG5. O advogado Jos\u00e9 Henrique Azeredo tamb\u00e9m foi apontado pelo comando como respons\u00e1vel pela empresa durante a transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todas estas informa\u00e7\u00f5es embasar\u00e3o a s\u00e9rie de medidas que os jornalistas come\u00e7aram a tomar.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s aceitarem abrir m\u00e3o de juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, aceitarem parcelar em at\u00e9 oito vezes os valores a receber e permitirem que a primeira parcela fosse efetuada somente seis meses ap\u00f3s o processo de encerramento do jornal, em outubro de 2017 (alternativa colocada pela empresa como \u00fanica possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o), os jornalistas viram o pagamento das verbas rescis\u00f3rias ser suspenso com menos de 50% da quita\u00e7\u00e3o prevista. O acordo foi feito com media\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho. E o descumprimento, comunicado ao grupo de jornalistas neste m\u00eas.<\/p>\n<p>Os profissionais v\u00edtimas do descumprimento do acordo est\u00e3o recebendo apoio de colegas e entidades, como o Sindicato dos Jornalistas do RN, que est\u00e1 dando todo o suporte ao grupo na a\u00e7\u00e3o trabalhista.<\/p>\n<p>\u00c9 de se lamentar que, al\u00e9m da crise que afeta o setor, profissionais ainda sejam v\u00edtimas de um golpe s\u00f3 compar\u00e1vel \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n<p>O Jornalismo passa por uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o concordamos que em nome delas seja justificado o desrespeito ao profissional. Ao contr\u00e1rio, mais do que nunca a sociedade precisa da media\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica para dar vez e voz \u00e0s diversas conflagra\u00e7\u00f5es, sobretudo as potencializadas pelas redes sociais.<\/p>\n<p>Dentro desse contexto, pedimos apoio \u00e0 luta dos trabalhadores demitidos do NOVO Jornal como algo que importa n\u00e3o s\u00f3 a eles, mas a toda uma classe, fundamental para a democracia e para a sociedade manter-se informada com profissionalismo e honestidade.<\/p>\n<p><b>Jornalistas demitidos do NOVO Jornal.<\/b><\/p><\/blockquote>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, o acervo impresso do Novo Jornal \u00e9 administrado pela UFRN<\/h3>\n<figure id=\"attachment_20968\" aria-describedby=\"caption-attachment-20968\" style=\"width: 1160px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Acervo-Novo-Jornal_18Jun18_Cicero-Oliveira-BR23.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20968 size-large\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Acervo-Novo-Jornal_18Jun18_Cicero-Oliveira-BR23-1200x675.jpg\" alt=\"\" width=\"1160\" height=\"653\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20968\" class=\"wp-caption-text\">Reitora \u00c2ngela Paiva e Cassiano Arruda C\u00e2mara assinando o documento que garante que o acervo do Novo Jornal ficar dentro da UFRN (Foto: Agecom)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acervo jornal\u00edstico do Novo Jornal foi doado oficialmente \u00e0 Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) na manh\u00e3 desta segunda-feira, 18, em sess\u00e3o solene de assinatura, na Sala dos Colegiados Superiores. A cess\u00e3o do material visa o armazenamento adequado do imprenso e a melhoria de acesso do conte\u00fado digitalizado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reitoria \u00c2ngela Maria Paiva Cruz agradeceu ao propriet\u00e1rio do Novo Jornal e professor aposentado do curso de Jornalismo, Cassiano Arruda C\u00e2mara, por ter escolhido a UFRN para doar o acervo, especialmente no momento em que a institui\u00e7\u00e3o de ensino comemora 60 anos. A gestora lembrou que o trabalho de arquivamento dos exemplares do peri\u00f3dico foi viabilizado devido ao trabalho da Universidade junto aos senadores F\u00e1tima Bezerra, Garibaldi Alves e Agripino Maia e aos deputados federais Rafael Motta, Rog\u00e9rio Marinho e Zenaide Maia, por meio de emendas parlamentares.<\/p>\n<p>Com a cess\u00e3o do acervo, o material online ficar\u00e1 no reposit\u00f3rio do Laborat\u00f3rio de Imagens (Labim) da UFRN, plataforma aberta para consulta, e o acervo f\u00edsico, em suporte de papel, j\u00e1 est\u00e1 sob a guarda do Laborat\u00f3rio de Restaura\u00e7\u00e3o e Conserva\u00e7\u00e3o de Livros e Documentos Hist\u00f3ricos (Labre).<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Novo Jornal, que come\u00e7ou a circular em 17 de novembro de 2009 e teve a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o impressa em 27 de outubro de 2017, a UFRN tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelo processo de documenta\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio de Natal, que foi veiculado no per\u00edodo de 18 de setembro de 1939 at\u00e9 2 de outubro de 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Novo Jornal surgiu no final dos anos 2000 e foi desenvolvido por Cassiano Arruda C\u00e2mara ap\u00f3s a sua demiss\u00e3o ao Di\u00e1rio do Natal, quando o impresso passou por reformula\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas e boa parte dos jornalistas sa\u00edram da reda\u00e7\u00e3o. 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