{"id":2230,"date":"2018-06-09T00:00:00","date_gmt":"2018-06-09T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2230"},"modified":"2018-06-09T00:00:00","modified_gmt":"2018-06-09T03:00:00","slug":"le-cirque-esta-de-volta-e-eles-possuem-uma-ligacao-com-uma-tragedia-na-decada-de-60","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/le-cirque-esta-de-volta-e-eles-possuem-uma-ligacao-com-uma-tragedia-na-decada-de-60\/","title":{"rendered":"Le Cirque est\u00e1 de volta e eles possuem uma liga\u00e7\u00e3o com uma trag\u00e9dia na d\u00e9cada de 60"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Adivinha doutor, quem t\u00e1 de volta na Pra\u00e7a? O Le Cirque, ap\u00f3s um ano a unidade do Le Cirque Amar ter sa\u00eddo de Natal, ap\u00f3s ter virado meme ap\u00f3s in\u00fameras propagandas do &#8220;\u00daltimas Semanas&#8221;. O \u00faltimo dia teve tanta gente, que o <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2017\/04\/le-cirque-amar-vai-fazer-ultima-apresentacao-em-natal-no-dia-1o-de-maio\/\"><strong>Brechando<\/strong><\/a> resolveu assistir um espet\u00e1culo. O picadeiro ser\u00e1 instalado no estacionamento da Arena das Dunas e a previs\u00e3o de estreia \u00e9 dia 15 de junho. Enquanto isso, o Circo Grock dos palha\u00e7os Espaguete e Ferrugem ainda est\u00e3o em atividade.<\/p>\n<p><strong>Leia Tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2017\/05\/despedida-le-cirque-de-natal\/\">A Despedida do Le Cirque em 2017<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rias pessoas j\u00e1 est\u00e3o ansiosas e mostrando os primeiros sinais de sua volta. Como essa foto do jornalista Eug\u00eanio Bezerra a seguir:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34807313_2033453343644072_3537679018851565568_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20880\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34807313_2033453343644072_3537679018851565568_n.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"720\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta semana, por exemplo, eu peguei um dos carros estacionados em uma papelaria no bairro de Capim Macio. O flagra \u00e9 a foto acima do t\u00edtulo. Por\u00e9m, eu descobri\u00a0<strong>uma curiosidade cavernosa sobre o Le Cirque<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouca gente sabe (inclusive minha pessoa, que se baseou na biografia da fanpage do grupo circense), o Le Cirque \u00e9 super brasileiro. Eles v\u00eam de uma tradicional fam\u00edlia chamada Stevanovich (sobrenome de origem da Eslov\u00e1quia), que vieram ao Brasil durante a Primeira Guerra Mundial e eles s\u00e3o conhecidos por serem os donos do\u00a0Gran Circo Norte-Americano (alguns registram como Gran Circo Americano), que na d\u00e9cada de 60 foi palco da maior trag\u00e9dia com inc\u00eandio no Brasil, depois da trag\u00e9dia da Boate Kiss.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi neste epis\u00f3dio que Jo\u00e3o Goulart, presidente \u00e0 \u00e9poca, chorou na frente dos fot\u00f3grafos, ao conversar com uma das v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O inc\u00eandio ocorreu na matin\u00ea de domingo em 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niter\u00f3i, que reunia uma plateia de mais de tr\u00eas mil espectadores. A maioria tentou escapar do fogar\u00e9u pela estreita entrada principal. Alguns conseguiram escapar ao seguir Semba, uma elefanta, que abriu um buraco na lona ao tentar se salvar. N\u00e3o se tem um n\u00famero preciso de mortos na trag\u00e9dia: o prefeito da \u00e9poca contabilizou 503, mas acredita-se que o n\u00famero esteja por volta de 400. O cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico Ivo Pitanguy, que participou do tratamento das v\u00edtimas, afirma num estudo que 70% eram crian\u00e7as. Impressionou o jornalista o fato de ningu\u00e9m ter sido indenizado.<\/p>\n<figure style=\"width: 627px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.jb.com.br\/media\/fotos\/2011\/12\/16\/627w\/cartaz-do-gran-circo-anunciava-sua-chegada-na-cidade-de-niteroi-no-rio.jpg\" alt=\"\" width=\"627\" height=\"450\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cartaz do Gran-Circo Americano e a elefanta em destaque<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para piorar, na \u00e9poca, os m\u00e9dicos estavam de greve, mas a comunidade m\u00e9dica e estudantes rec\u00e9m-formados de medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF) correram para todos os hospitais de Niter\u00f3i para ajudar os pacientes. A demanda era t\u00e3o grande que m\u00e9dicos de outras cidades e pa\u00edses caminharam para a cidade. Na \u00e9poca teve que se construir um outro cemit\u00e9rio para colocar os mortos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico Ivo Pitanguy, que tinha ent\u00e3o 35 anos, recorda que, ap\u00f3s circularem as primeiras not\u00edcias sobre o caso, pegou seu barco e atravessou a Ba\u00eda de Guanabara. Ainda n\u00e3o existia a Ponte Rio-Niter\u00f3i. Na sua autobiografia, ele diz que o tratamento das v\u00edtimas do Gran Circo foi a experi\u00eancia que mais marcou sua vida. Com a trag\u00e9dia, a cirurgia pl\u00e1stica se reafirmou no sentido social e n\u00e3o apenas por algo f\u00fatil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">Existem duas vers\u00f5es pela causa do inc\u00eandio, as chamas teriam sido provocadas por um ex-funcion\u00e1rio (que foi condenado), por vingan\u00e7a contra o dono do circo, o Danilo Stevanovich. Em Niter\u00f3i, a explica\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 aceita. Alguns acreditam que foi um acidente e que o acusado foi feito de bode expiat\u00f3rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 1999, a fam\u00edlia chama o circo de Le Cirque e a estrutura \u00e9 super diferente do Gran Circo Norte-Americano, al\u00e9m de seguir as normas do Corpo de Bombeiros.<\/p>\n<figure id=\"attachment_20884\" aria-describedby=\"caption-attachment-20884\" style=\"width: 230px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Captura-de-Tela-2018-06-08-\u00e0s-12.22.27.png\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20884\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Captura-de-Tela-2018-06-08-\u00e0s-12.22.27.png\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"386\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20884\" class=\"wp-caption-text\">Jo\u00e3o Goulart durante a visita \u00e0s vitimas do Gran Circo Americano<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Danilo\u00a0<span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, Oxygen-Sans, Ubuntu, Cantarell, 'Helvetica Neue', sans-serif;\">Stevanovich\u00a0<\/span>era ga\u00facho de Cacequi, membro de uma fam\u00edlia de sete irm\u00e3os que dominavam uma rede de circos na Am\u00e9rica Latina, como Argentina. Afora uma portuguesa, um japon\u00eas, um chin\u00eas e um casal franc\u00eas, os demais artistas do Gran Circo Norte-Americano eram todos brasileiros do Sul. Faleceu em 2001. Uma curiosidade \u00e9 que a\u00a0trapezista Antonietta Stevanovich, irm\u00e3 de Danilo, foi a primeira a dar o alerta dentro do circo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era o terceiro circo sob a administra\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Stevanovich que pegou fogo. Os outros dois, Bufalo-Bill e Shangri-l\u00e1, foram destru\u00eddos em 1951 e 52, respectivamente, na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. Entre as v\u00edtimas, no entanto, estavam apenas animais do circo. Estes, por sinal, n\u00e3o eram poucos. Com tr\u00eas elefantes, uma girafa, 12 le\u00f5es, dois tigres, quatro ursos pardos, dois polares, um chimpanz\u00e9, um camelo, um ant\u00edlope, um cavalo e alguns c\u00e3es, o Gran Circo se gabava de ser um zool\u00f3gico itinerante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No inc\u00eandio, apenas a elefanta se salvou e algumas feras conseguiram escapar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje,\u00a0a fam\u00edlia est\u00e1 \u00e0 frente do Le Cirque, Bolshoi e Karton.\u00a0No Brasil, a resid\u00eancia fixa da fam\u00edlia Stevanovich \u00e9 em Florian\u00f3polis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os espet\u00e1culos circenses s\u00f3 voltariam ao munic\u00edpio em 1975, com a chegada do circo Hagenback, que inaugurou com lona importada \u00e0 prova de fogo, sa\u00eddas de emerg\u00eancia, extintores de inc\u00eandio e bombeiros de plant\u00e3o. Anos depois, no local onde se deu a trag\u00e9dia de 61, o Ex\u00e9rcito decidiu erguer o hospital Policl\u00ednica Militar de Niter\u00f3i \u2013 que neste s\u00e1bado inaugura, \u00e0s 11h, um memorial para as v\u00edtimas no local. Durante escava\u00e7\u00f5es para refor\u00e7ar a estrutura do terreno, j\u00e1 na d\u00e9cada de 80, funcion\u00e1rios encontraram ossadas humanas, resqu\u00edcios do inc\u00eandio durante o espet\u00e1culo que, em menos de dez minutos, terminou em cinzas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do inc\u00eandio do Gran Circo Norte-Americano foi retratada no programa Linha Direta, da Rede Globo, em 29 de junho de 2006, sob o nome de Linha Direta Justi\u00e7a. O dono do circo, Danilo Stevanovich, foi vivido pelo ator Dalton Vigh.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trag\u00e9dia foi tamb\u00e9m assunto do livro &#8220;O espet\u00e1culo mais triste da terra &#8211; O inc\u00eandio do Gran Circo Norte-Americano&#8221;, do jornalista Mauro Ventura. Elaborado a partir de extensa pesquisa desenvolvida pelo autor, durante dois anos e meio Ventura entrevistou sobreviventes e pessoas que de alguma forma se envolveram com o acontecimento, como m\u00e9dicos, volunt\u00e1rios, autoridades e escoteiros. Ele tamb\u00e9m ouviu o cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico\u00a0Ivo Pitanguy, que chegou a atender v\u00edtimas da trag\u00e9dia, al\u00e9m de parentes do\u00a0Profeta Gentileza, que morou no terreno ap\u00f3s a trag\u00e9dia. O livro de Ventura, lan\u00e7ado em 2011, quando do cinquenten\u00e1rio da trag\u00e9dia, aponta controv\u00e9rsias como o n\u00famero de mortes e as causas do inc\u00eandio.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Circo Pavilh\u00e3o Fran\u00e7ois tamb\u00e9m teve origem com o Stevanovich<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o Wikipedia, Jean Fran\u00e7ois e Anna Stevanovich fundaram o Circo Fran\u00e7ois no sul da Fran\u00e7a em 1881. Ap\u00f3s girarem por toda a Europa e Oriente m\u00e9dio, Jean Fran\u00e7ois e sua mulher Ana Stevanovich, chegam ao Brasil em 1886 com dois filhos pequenos: Marcos e Estev\u00e3o. Vieram com outros cl\u00e3s de ciganos, que posteriormente s\u00e3o chamados de circenses tradicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1903, a fam\u00edlia instala um luxuoso circo na Capital de S\u00e3o Paulo, no Largo da S\u00e9. Em 1907, viajam para a Argentina e o Uruguai, trazendo uma tropa de 14 cavalos dos pampas, que passam por intenso adestramento. Jean Fran\u00e7ois transforma seus filhos \u2013 eram 14 \u2013 em ex\u00edmios j\u00f3queis. Al\u00e9m disso, importa um gerador de eletricidade Otto, da Alemanha, e um projetor de filmes Path\u00e9, da Fran\u00e7a, isso quando o lampi\u00e3o a g\u00e1s ainda imperava nas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1916, exibe a \u201cPantomima aqu\u00e1tica\u201d num tanque de 80 mil litros de \u00e1gua instalado no picadeiro. \u201cE ali se remava, se nadava, se mergulhava, para maravilhar a plat\u00e9ia.\u201d Para estabilizar sua vida com a chegada dos filhos, decide transformar seu circo em pavilh\u00e3o. A princ\u00edpio monta um palco ao lado do picadeiro, mas, depois, acaba restringindo o espet\u00e1culo \u00e0s encena\u00e7\u00f5es, criando uma estrutura port\u00e1til e desmont\u00e1vel em alum\u00ednio para o pavilh\u00e3o, que apresenta dramas, com\u00e9dias e pantomimas, isso em 1924.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pavilh\u00e3o funciona at\u00e9 1935, quando Jean Fran\u00e7ois falece em Santos, SP. O circo \u00e9 retomado e mantido em atividade at\u00e9 1962, pelas m\u00e3os de Augusto Fran\u00e7ois, terceiro filho de Jean, e Hil\u00e1rio de Almeida, que se casa com Maria Fran\u00e7ois. Ap\u00f3s girarem por toda a Europa e Oriente M\u00e9dio, emigraram para a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o Circo Fran\u00e7ois cresceu muito, tornou-se uma verdadeira escola de circo. Mais tarde trocaram a lona por um pavilh\u00e3o de alum\u00ednio desmont\u00e1vel: nascia o lend\u00e1rio Pavilh\u00e3o Fran\u00e7ois. Seguindo a tend\u00eancia de outros circos brasileiros, a primeira parte do espet\u00e1culo constituia-se de n\u00fameros circenses tradicionais e a segunda, de uma pe\u00e7a de teatro. Os atores da fam\u00edlia Fran\u00e7ois se tornaram c\u00e9lebres, destacando-se o casal Angelo e Mimi Fran\u00e7ois nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s rodar pelo continente por mais de 80 anos, o Pavilh\u00e3o Fran\u00e7ois fechou suas portas definitivamente em 1962, vencido pela concorr\u00eancia do cinema e da televis\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-2\" class=\"arroba publicidade clearfix\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CJLsl42rxNsCFRcMhgodOwIJ2g\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adivinha doutor, quem t\u00e1 de volta na Pra\u00e7a? 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