{"id":2058,"date":"2018-03-16T00:00:00","date_gmt":"2018-03-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2058"},"modified":"2018-03-16T00:00:00","modified_gmt":"2018-03-16T03:00:00","slug":"luta-de-marielle-mostra-como-nossa-seguranca-publica-e-de-64","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/luta-de-marielle-mostra-como-nossa-seguranca-publica-e-de-64\/","title":{"rendered":"Luta de Marielle mostra como nossa Seguran\u00e7a P\u00fablica \u00e9 de 64"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Este ano a Lei \u00c1urea completar\u00e1 130 anos que foi promulgada pela Princesa Isabel, no qual em filmes e alguns livros de hist\u00f3ria a tratam como a hero\u00edna por libertar os negros das garras dos malvados fazendeiros. Por\u00e9m, o Imp\u00e9rio Brasileiro passava por uma terr\u00edvel crise de imagem. O que deveria ser um al\u00edvio para a popula\u00e7\u00e3o, onde deveria ter a mesma oportunidades daqueles que tiveram mais sorte apenas por ter uma pele branca (obrigada Portugueses ?), virou um pesadelo e estamos todos presos at\u00e9 hoje. Embora, alguns considerem isto uma frescura ou papo de vitimismo. Chegam at\u00e9 chamar os militantes de vagabundos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que n\u00e3o \u00e9 vitimismo? Estou sendo preconceituosa por associar negros com pessoas pobres? N\u00e3o vamos ser hip\u00f3critas, a maioria da popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica no Brasil \u00e9 preta e parda, como diz o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, IBGE. A hist\u00f3ria est\u00e1 bem clara, principalmente com o surgimento da favela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com dados oficiais do\u00a0IBGE, coletados durante o\u00a0Censo de 2010, cerca de 11,4 milh\u00f5es de pessoas (6% da popula\u00e7\u00e3o) viviam em aglomerados subnormais. O mesmo instituto identificou 6.329 favelas em todo o pa\u00eds, localizadas em 323 dos 5.565\u00a0munic\u00edpios brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como falei anteriormente, assim que os escravos foram libertos, os mesmos n\u00e3o tiveram alguma oportunidade de realizar outros trabalhos al\u00e9m dos dom\u00e9sticos, sem contar que muitos fazendeiros os trocaram por imigrantes europeus devido \u00e0 &#8220;m\u00e3o de obra barata&#8221;. Assim, os negros come\u00e7aram a instalar em corti\u00e7os e depois em morros. No Rio de Janeiro, por exemplo, as primeiras favelas surgiram logo ap\u00f3s a Guerra de Canudos, no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, j\u00e1 em S\u00e3o Paulo, as primeiras favelas surgiram na d\u00e9cada de 50.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Leia Tamb\u00e9m<\/b><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2018\/03\/explicando-intervencao-militar-atraves-de-um-infografico\/\">Explicando a Interven\u00e7\u00e3o Militar atrav\u00e9s de um infogr\u00e1fico<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Primeiramente, tudo come\u00e7a quando a Inglaterra pressiona o Brasil para que d\u00ea fim \u00e0 escravid\u00e3o, visto que a m\u00e3o de obra brasileira assalariada significaria maior exporta\u00e7\u00e3o de produtos ingleses para o Brasil, o que tr\u00e1s lucro \u00e0 Inglaterra. Contudo, o fim da escravid\u00e3o coincide com uma onda imigrat\u00f3ria de principalmente italianos e japoneses para S\u00e3o Paulo e portugueses para o Rio, sem contar tamb\u00e9m que come\u00e7avam a aparecer os primeiros ind\u00edcios de ind\u00fastria. Logo, os latifundi\u00e1rios, aproveitaram a m\u00e3o de obra estrangeira especializada na lavoura, e ao inv\u00e9s de empregarem os ex-escravos, agora libertos, empregaram os italianos e os japoneses.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Este fen\u00f4meno contribuiu ainda mais para a marginaliza\u00e7\u00e3o do negro na sociedade, e com o desenvolvimento da ind\u00fastria no Brasil, S\u00e3o Paulo e Rio tiveram um grande crescimento demogr\u00e1fico acelerado, devido ao \u00eaxodo rural. Ao chegarem nessas capitais, os ex-escravos se depararam com as f\u00e1bricas, e como nunca haviam tido a experi\u00eancias que os italianos e japoneses tiveram anteriormente em seus pa\u00edses j\u00e1 industrializados, foram substitu\u00eddos nas f\u00e1bricas tamb\u00e9m. Ou seja, o negro n\u00e3o teve lugar tanto no campo quanto na cidade, e ent\u00e3o foi no morro onde se instalou.<\/h3>\n<p><strong>Portal Voz da Comunidade<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura da favela que conhecemos hoje apareceu na d\u00e9cada de 70, no auge da Ditadura Militar, enquanto Don e Ravel cantavam &#8220;Eu te amo, meu Brasil&#8221;, os Militares insistiam em salvar o Brasil do Comunismo e exaltavam o Milagre Econ\u00f4mico, onde instalavam obras fara\u00f4nicas e investia pesadamente em ind\u00fastrias nacionais, estimulando o \u00eaxodo rural para popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. Ainda bem que mudou, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nessa d\u00e9cada que Marielle Francisco da Silva nasceu no Rio de Janeiro, na Favela da Mar\u00e9, t\u00e3o citada na famosa m\u00fasica &#8220;Alagados&#8221;, do Paralamas do Sucesso. Assim como muitas mulheres da periferia, a sua vida n\u00e3o foi nada f\u00e1cil e precisou matar um le\u00e3o por dia.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>Todo dia o sol da manh\u00e3<br \/>\nVem e lhes desafia<br \/>\nTraz do sonho pro mundo<br \/>\nQuem j\u00e1 n\u00e3o o queria<br \/>\nPalafitas, trapiches, farrapos<br \/>\nFilhos da mesma agonia<br \/>\nE a cidade que tem bra\u00e7os abertos<br \/>\nNum cart\u00e3o postal<br \/>\nCom os punhos fechados da vida real<br \/>\nLhes nega oportunidades<br \/>\nMostra a face dura do mal<\/h3>\n<p><b>Alagados &#8211; Paralamas do Sucesso<\/b><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marielle Franco, como \u00e9 conhecida, foi m\u00e3e aos 19 anos e teve de abandonar os estudos para criar a filha. N\u00e3o tinha dinheiro para pagar um cursinho com o objetivo de estudar mais e entrar na Universidade Federal. Mesmo assim, m\u00e3e solteira, conseguiu uma bolsa na Pont\u00edficia Universidade Cat\u00f3lica (PUC), onde dividiu suas cadeiras com os playboys da zona Sul carioca.\u00a0 Mais uma m\u00e3e que tinha filho e tentava entrar numa faculdade, algo que j\u00e1 vimos n<a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2018\/03\/professor-expulsa-aluna-por-levar-filha-dentro-da-sala-de-aula\/\">esse m\u00eas<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ali que estimulou que outras pessoas como ela a ter acesso \u00e0 faculdade e a milit\u00e2ncia come\u00e7ou a dar os primeiros passos. Dentro da PUC fez campanha para o ent\u00e3o professor de hist\u00f3ria e atual deputado estadual Marcelo Freixo, de quem foi assessora parlamentar antes de se lan\u00e7ar em candidatura pr\u00f3pria. Formou-se em Ci\u00eancias Sociais e, posteriormente, tornou-se mestre em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Quando eu chego na PUC em 2002, a minha perspectiva era a da mulher favelada, do pertencimento de quem passou pela Mar\u00e9, desse lugar do &#8216;mareense&#8217;, do favelado, de uma pot\u00eancia, de uma disputa daquele corpo que vou ocupar. Sim, porque eu sou a favelada e aquele lugar do ensino de qualidade tamb\u00e9m era meu. Mas eu n\u00e3o tinha autoidentifica\u00e7\u00e3o nem o lugar da mulher negra favelada. Essa \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que vai se formando<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, ela tomou os seus primeiros passos na pol\u00edtica. Em 2016, assumiu o seu primeiro mandato como vereadora. Foi a quinta mais votada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Freixo, lutara por mais integra\u00e7\u00e3o aos Direitos Humanos e o fim da luta de classes. Por\u00e9m, abocanhou lutas muito mais complexas e dif\u00edceis, principalmente para a d\u00e9cada de 2010, no qual vimos pol\u00edticos abrindo a boca pedindo a volta dos Militares igual \u00e0 64 e utilizar o Cristianismo para justificar a LGBTfobia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da C\u00e2mara dos Vereadores defendia que a revolu\u00e7\u00e3o ou seria \u201cfeminista, classista e com o debate da negritude\u201d, ou simplesmente n\u00e3o existiria. Ainda defendia as causas LGBT, uma vez que estava inserida no grupo.\u00a0 Sempre encarou de frente homens poderosos, no qual muitos se tornaram parlamentares por apoiarem pol\u00edticos de car\u00e1ter duvidoso. Ela n\u00e3o tinha medo, mulheres faveladas cresceram com cabe\u00e7a erguida mesmo com a falta de oportunidade.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">&#8220;O lugar de mulher, mulher negra, bissexual, agora estou casada com uma mulher, mas tenho uma filha. Dessas muitas representa\u00e7\u00f5es a gente vai aprendendo, conhecendo e estudando mais.&#8221;<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse Marielle em seu \u00faltimo debate na Casa das Pretas<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora lutasse para que menos mulheres fossem v\u00edtimas da viol\u00eancia urbana, a jovem vereadora na noite desta quarta-feira (14) entrou nas estat\u00edsticas que tanto ela batia na tecla.\u00a0O Mapa da Viol\u00eancia 2015 mostra que o n\u00famero de homic\u00eddios de brancas caiu, j\u00e1 o assassinato de negras aumentou: Em 2003, morreram assassinadas 23% mais negras do que brancas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00edndice foi crescendo lentamente ao longo dos anos, para, em 2013, chegar a 67%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, as mulheres negras com idade entre 15 e 29 anos t\u00eam 2,19 vezes mais chances de serem assassinadas no do que as brancas na mesma faixa et\u00e1ria, de acordo com o \u00cdndice de Vulnerabilidade Juvenil \u00e0 Viol\u00eancia 2017 (IVJ 2017), segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O levantamento conclui que os \u00edndices \u201cevidenciam a\u00a0brutal desigualdade que atinge negros e negras\u00a0at\u00e9 na hora da morte. [\u2026] Essa desigualdade se manifesta ao longo de toda a vida e em diversos indicadores socioecon\u00f4micos, em uma combina\u00e7\u00e3o perversa de vulnerabilidade social e racismo que os acompanha durante toda a vida. N\u00e3o \u00e0 toa, negros e negras ainda sofrem com enormes disparidades salariais no mercado de trabalho: dados recentes divulgados pelo IBGE mostram que negros ganham 59% dos rendimentos de brancos (2016)\u201d, diz o documento.<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi executada com tr\u00eas tiros na cabe\u00e7a, no dia 14 de mar\u00e7o de 2018, quando tamb\u00e9m foi assassinado com 4 tiros Anderson Pedro Mathias Gomes, de 39 anos, motorista do ve\u00edculo em que a vereadora se encontrava. De acordo com a Human Rights Watch, o assassinato de Franco relacionou-se \u00e0 &#8220;impunidade existente no Rio de Janeiro&#8221; e ao &#8220;sistema de seguran\u00e7a falido&#8221; no estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marielle criticava ferozmente a interven\u00e7\u00e3o federal no Rio de Janeiro e da Pol\u00edcia Militar, denunciava constantemente policiais por abusos de autoridade contra os moradores. Recentemente, ela havia denunciado atrocidades feitas na Favela do Acari, uma das mais antigas do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela mostrava que muitos militares ainda tinham pensamentos do Governo Militar, no qual investigavam crimes atrav\u00e9s de torturas e diversas a\u00e7\u00f5es truculentas. Se pesquisarmos na internet p\u00e1ginas a favor das pol\u00edcias, vimos muitos discursos anti-comunistas, cr\u00edticos aos grupos de Direitos Humanos e diversas vezes proliferam frases, como &#8220;matar antes de perguntar&#8221; e &#8220;bandido bom \u00e9 bandido morto&#8221;, sem contar as fotografias de pessoas mortas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto mostra que como inclus\u00e3o social e uma Seguran\u00e7a P\u00fablica com atendimento mais humanizado precisa ser discutido, ainda temos aquele pensamento de que estamos em uma eterna Guerra Fria, onde o mundo ainda \u00e9 dividido entre Comunistas e Capitalistas; 1\u00ba, 2\u00ba e 3\u00ba mundo; e dentre outras dicotomias.\u00a0 Como acabar com o tr\u00e1fico sem matar inocentes? Vale a pena imitar todo tipo de programa dos Estados Unidos? Tudo isso precisa ser discutido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente, queriam tratar o crime contra a vereadora como uma poss\u00edvel tentativa de assalto, mas sabemos que n\u00e3o foi assim.\u00a0 Seu assassinato motivou a organiza\u00e7\u00e3o de protestos em pelo menos dez capitais brasileiras, inclusive na capital potiguar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"POR QUE ESTAMOS PREOCUPADOS?\" width=\"1170\" height=\"658\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tk5IitUj2Bk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso choro pela a morte de Marielle Franco \u00e9 o mesmo que m\u00e3es e pais de fam\u00edlias em comunidades perif\u00e9ricas no Brasil, no qual diariamente n\u00e3o sabem se v\u00e3o conseguir gerar descendentes para o futuro no Brasil, ser v\u00edtima de bala perdida ou serem mortos a partir de a\u00e7\u00f5es truculentas de militares por serem negros. Marielle ensinou que esta luta pelos direitos iguais tem que come\u00e7ar da periferia ao centro e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marielle, presente!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ano a Lei \u00c1urea completar\u00e1 130 anos que foi promulgada pela Princesa Isabel, no qual em filmes e alguns livros de hist\u00f3ria a tratam como a hero\u00edna por libertar os negros das garras dos malvados fazendeiros. Por\u00e9m, o Imp\u00e9rio Brasileiro passava por uma terr\u00edvel crise de imagem. 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