{"id":2038,"date":"2018-03-14T00:00:00","date_gmt":"2018-03-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2038"},"modified":"2018-03-14T00:00:00","modified_gmt":"2018-03-14T03:00:00","slug":"dia-da-poesia-castro-alves-o-homenageado-que-lutou-contra-escravidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/dia-da-poesia-castro-alves-o-homenageado-que-lutou-contra-escravidao\/","title":{"rendered":"Dia da poesia: Castro Alves, o homenageado que lutou contra escravid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para alguns 14 de mar\u00e7o \u00e9 considerado no Brasil o Dia Nacional da Poesia (oficialmente \u00e9 novembro). Por qu\u00ea? Uma forma de homenagear um dos maiores nomes da literatura brasileira, o Castro Alves, que flertou com o romantismo e realismo; sem contar que foi um dos grandes defensores da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu nome \u00e9 Ant\u00f4nio Frederico de Castro Alves. Nasceu em Curralinho, no dia 14 de mar\u00e7o de 1847. Sua m\u00e3e, Cl\u00e9lia Bras\u00edlia Castro, morreu quando o poeta tinha dois anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No col\u00e9gio, por sua vez, teve acesso aos primeiros g\u00eanios liter\u00e1rios e come\u00e7ou a frequentar aos eventos de artes e saraus, al\u00e9m de escrever os primeiros versos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19375\" aria-describedby=\"caption-attachment-19375\" style=\"width: 242px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/B9684F5B-9A3F-4E0E-88C1-AF4C8AE96F24.jpeg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19375\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/B9684F5B-9A3F-4E0E-88C1-AF4C8AE96F24.jpeg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"325\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19375\" class=\"wp-caption-text\">Castro Alves no in\u00edcio de sua carreira como poeta<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o segundo casamento do pai, Ant\u00f4nio Jos\u00e9, se mudou para Recife, onde frequentara a Faculdade de Direito e recitava os seus primeiros versos no p\u00e1tio da institui\u00e7\u00e3o de ensino. Em 1863, ele lan\u00e7a o seu primeiro poema a favor da aboli\u00e7\u00e3o, \u201cA Can\u00e7\u00e3o do Africano\u201d.<br \/>\nAp\u00f3s o falecimento do pai e irm\u00e3o, Castro Alves come\u00e7a a manifestar os primeiros sinais de turbeculose, mas isso n\u00e3o deixou de continuar com a intensa produ\u00e7\u00e3o de poemas e pe\u00e7as teatrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu primeiro trabalho conhecido foi o drama \u201cGonzaga ou Revolu\u00e7\u00e3o de Minas\u201d, que foi interpretado em v\u00e1rios teatros do Brasil. Neste per\u00edodo, Alves ficou conhecido pelos textos a favor da moral, causa social e, principalmente aboli\u00e7\u00e3o dos escravos, que s\u00f3 aconteceu em 1889, quase 30 anos depois de sua morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1868 viajou para o Rio de Janeiro, onde recebeu visitas de Jos\u00e9 de Alencar e Machado de Assis. Para imprensa, Alencar o comparara com Dante Alighieri.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resolveu continuar os seus estudos de Direito em S\u00e3o Paulo, mas continuava a publicar poemas nos jornais de v\u00e1rios lugares do Brasil. No mesmo ano, ele lan\u00e7ou o \u201cNavio Negreiro\u201d, a mais importante obra do autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos tr\u00eas anos de vida, a tuberculose piorou bastante, chegando a amputar uma de suas pernas. Sua \u00faltima apari\u00e7\u00e3o foi em fevereiro de 1871, em Salvador, falecendo quatro meses depois, na mesma cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos seguintes foram lan\u00e7ados postumamente algumas de suas obras, como \u201cOs Escravos\u201d. Hoje, a cidade de Curralinho, terra Natal do poeta, virou Castro Alves em sua homenagem.<\/p>\n<blockquote>\n<h3>A Duas Flores<\/h3>\n<p>S\u00e3o duas flores unidas<br \/>\nS\u00e3o duas rosas nascidas<br \/>\nTalvez do mesmo arrebol,<br \/>\nVivendo,no mesmo galho,<br \/>\nDa mesma gota de orvalho,<br \/>\nDo mesmo raio de sol.<\/p>\n<p>Unidas, bem como as penas<br \/>\ndas duas asas pequenas<br \/>\nDe um passarinho do c\u00e9u&#8230;<br \/>\nComo um casal de rolinhas,<br \/>\nComo a tribo de andorinhas<br \/>\nDa tarde no frouxo v\u00e9u.<\/p>\n<p>Unidas, bem como os prantos,<br \/>\nQue em parelha descem tantos<br \/>\nDas profundezas do olhar&#8230;<br \/>\nComo o suspiro e o desgosto,<br \/>\nComo as covinhas do rosto,<br \/>\nComo as estrelas do mar.<\/p>\n<p>Unidas&#8230; Ai quem pudera<br \/>\nNuma eterna primavera<br \/>\nViver, qual vive esta flor.<br \/>\nJuntar as rosas da vida<br \/>\nNa rama verde e florida,<br \/>\nNa verde rama do amor!<\/p>\n<h3>A can\u00e7\u00e3o do africano<\/h3>\n<p>L\u00e1 na \u00famida senzala,<br \/>\nSentado na estreita sala,<br \/>\nJunto ao braseiro, no ch\u00e3o,<br \/>\nEntoa o escravo o seu canto,<br \/>\nE ao cantar correm-lhe em pranto<br \/>\nSaudades do seu torr\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>De um lado, uma negra escrava<br \/>\nOs olhos no filho crava,<br \/>\nQue tem no colo a embalar&#8230;<br \/>\nE \u00e0 meia voz l\u00e1 responde<br \/>\nAo canto, e o filhinho esconde,<br \/>\nTalvez pra n\u00e3o o escutar!<\/p>\n<p>&#8220;Minha terra \u00e9 l\u00e1 bem longe,<br \/>\nDas bandas de onde o sol vem;<br \/>\nEsta terra \u00e9 mais bonita,<br \/>\nMas \u00e0 outra eu quero bem!<\/p>\n<p>&#8220;0 sol faz l\u00e1 tudo em fogo,<br \/>\nFaz em brasa toda a areia;<br \/>\nNingu\u00e9m sabe como \u00e9 belo<br \/>\nVer de tarde a papa-ceia!<\/p>\n<p>&#8220;Aquelas terras t\u00e3o grandes,<br \/>\nT\u00e3o compridas como o mar,<br \/>\nCom suas poucas palmeiras<br \/>\nD\u00e3o vontade de pensar &#8230;<\/p>\n<p>&#8220;L\u00e1 todos vivem felizes,<br \/>\nTodos dan\u00e7am no terreiro;<br \/>\nA gente l\u00e1 n\u00e3o se vende<br \/>\nComo aqui, s\u00f3 por dinheiro&#8221;.<\/p>\n<p>O escravo calou a fala,<br \/>\nPorque na \u00famida sala<br \/>\nO fogo estava a apagar;<br \/>\nE a escrava acabou seu canto,<br \/>\nPra n\u00e3o acordar com o pranto<br \/>\nO seu filhinho a sonhar!<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p>O escravo ent\u00e3o foi deitar-se,<br \/>\nPois tinha de levantar-se<br \/>\nBem antes do sol nascer,<br \/>\nE se tardasse, coitado,<br \/>\nTeria de ser surrado,<br \/>\nPois bastava escravo ser.<\/p>\n<p>E a cativa desgra\u00e7ada<br \/>\nDeita seu filho, calada,<br \/>\nE p\u00f5e-se triste a beij\u00e1-lo,<br \/>\nTalvez temendo que o dono<br \/>\nN\u00e3o viesse, em meio do sono,<br \/>\nDe seus bra\u00e7os arranc\u00e1-lo!<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para alguns 14 de mar\u00e7o \u00e9 considerado no Brasil o Dia Nacional da Poesia (oficialmente \u00e9 novembro). 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