{"id":2006,"date":"2018-02-26T00:00:00","date_gmt":"2018-02-26T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2006"},"modified":"2018-02-26T00:00:00","modified_gmt":"2018-02-26T03:00:00","slug":"quem-foi-o-blackout","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/quem-foi-o-blackout\/","title":{"rendered":"Quem foi o Blackout?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A gente conhece N\u00edsia Floresta, Auta de Souza, Ferreira Itajub\u00e1 e dentre outros. Mas, existem muitos poetas no Rio Grande do Norte, principalmente na d\u00e9cada de 70, 80 e 90. Um deles foi o Edgar Borges, vindo do bairro de M\u00e3e Luiza, na \u00e9poca que ainda era tomado por barrac\u00f5es, e al\u00e9m de trabalhar como pintor e eletricista, o mesmo usava seu pseud\u00f4nimo de Blackout, quando divulgava seus poemas por dinheiro ou refei\u00e7\u00f5es no <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2015\/09\/uma-visita-ao-cafe-sao-luiz\/\">Caf\u00e9 S\u00e3o Luiz<\/a>, na Rua Princesa Isabel. Ele vai ser homenageado por jovens poetas potiguares neste s\u00e1bado (3), no Bardallos, mas vamos contar a hist\u00f3ria deste homem massa a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua biografia \u00e9 bastante dif\u00edcil de contar, mas fica na mem\u00f3ria dos grandes nomes da literatura potiguar. O pouco que sabemos \u00e9 sobre o fato dele ter nascido no dia 16 de outubro de 1961, estudou em um Col\u00e9gio Interno do Governo do Estado e encaminhado para o Gin\u00e1sio Agr\u00edcola de Currais Novos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua vida era cheia de problemas, muitas vezes divididas, entre as ruas e as noites passadas no Hospital Psiqui\u00e1trico Dr. Jo\u00e3o Machado, na capital potiguar. Durante o tempo que ficou internado, o psiquiatra Franklin Capistrano, que tamb\u00e9m se dedica \u00e0 literatura, o diagnosticou com hebefrenia, uma perturba\u00e7\u00e3o ps\u00edquica que se desenvolve ao t\u00e9rmino da puberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu primeiro livro foi publicado aos 20 anos, com ajuda da Cooperativa dos Jornalistas de Natal (COOJORNAT) e amigos chamado &#8220;Duas Cabe\u00e7as&#8221;, numa edi\u00e7\u00e3o bem simples. Al\u00e9m disso, participou da antologia &#8220;Gera\u00e7\u00e3o Alternativa&#8221;, organizada por J. Medeiros e, tamb\u00e9m, publicou alguns poemas dispersos em jornais locais, todos completamente in\u00e9ditos em livros. N\u00e3o tem outras edi\u00e7\u00f5es do livro e s\u00f3 achei o registro da capa, veja:<\/p>\n<figure style=\"width: 501px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full\" src=\"https:\/\/2.bp.blogspot.com\/-AtbqB44Lmzc\/WRAAtY-1ydI\/AAAAAAAAAJo\/Dyp8Fou4f14IXIKeJ-29UyalMByEZdDXgCEw\/s640\/img26.jpg\" width=\"501\" height=\"640\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Capa de Duas Cabe\u00e7as<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confira um dos poemas do livro a seguir:<\/p>\n<blockquote><p><strong>ALEGRIA<\/strong><\/p>\n<p>Na mesma pra\u00e7a<br \/>\neu conto<br \/>\neu canto<br \/>\nfa\u00e7o melodias<\/p>\n<p>Na mesma estrada<br \/>\neu ando<br \/>\neu tra\u00e7o<br \/>\neu acho<br \/>\neu passo a rir&#8230;<\/p>\n<p>Na mesma hora<br \/>\neu marco<br \/>\neu cato<br \/>\neu subo a te,<br \/>\nfa\u00e7o descer;<br \/>\nmas estou aqui.<\/p>\n<p>No mesmo instante<br \/>\neu perco<br \/>\neu planto<br \/>\neu sambo e fa\u00e7o nascer.<\/p>\n<p><strong>CERTAS PALAVRAS<\/strong><\/p>\n<p>Minha poesia<br \/>\n\u00e9 raiz<br \/>\n\u00e9 o ritmo percute<br \/>\nde uma rima<br \/>\n\u00e0 lan\u00e7ar<br \/>\nsou amplid\u00e3o em versos.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ficou conhecido por ser um poeta da contracultura e por participar de diversos saraus e eventos relacionados \u00e0 poesia na d\u00e9cada de 70 e 80. Participava de eventos ligados ao Dia da Poesia, junto com outros poetas que vieram de origem mais nobre, como Augusto Lula, Carlos Gurgel, Dorian Lima, Jo\u00e3o da Rua (que tem um estilo parecido), Miranda S\u00e1, Novenil Barros e dentre outros.<\/p>\n<p>Confira a declama\u00e7\u00e3o dele no poema &#8220;Outro Dia&#8221; em um evento na Capitania das Artes, no ano de 1997:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Outro Dia - A Poesia Blackout II. Natal, 1997\" width=\"1170\" height=\"878\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ESja_4ispIo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo conhecido nos eventos de poesia na cidade, o Blackout faleceu no anonimato, no dia 14 de dezembro de 1999, quando morreu eletrocutado quando fazia servi\u00e7o numa casa no Centro de Natal. O jornalista Fl\u00e1vio Rezende moveu c\u00e9us e terras para fazer um enterro digno do poeta que ficou preso na geladeira do Itep (equivalente ao Instituto M\u00e9dico Legal no Rio Grande do Norte) por v\u00e1rios dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Antologia Blackout<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica em Natal ganha mais uma nova compila\u00e7\u00e3o: a antologia Blackout. O lan\u00e7amento ocorrer\u00e1 na pr\u00f3xima sexta-feira (3), no Bardallos comida &amp; arte (Rua Gon\u00e7alves L\u00eado, 678, Cidade Alta), a partir das 19:00. Al\u00e9m de um sarau po\u00e9tico, o evento contar\u00e1 com atra\u00e7\u00f5es musicais: Luan Bates, Binn\u00ea e Uma Senhora Limonada.<br \/>\nReunindo 18 poetas da chamada \u201cnov\u00edssima gera\u00e7\u00e3o\u201d, o projeto tem como objetivo a publica\u00e7\u00e3o de poetas ainda in\u00e9ditos em livro, at\u00e9 a reuni\u00e3o dos textos, al\u00e9m de fazer um panorama fiel do que \u00e9 produzido, em termos de poesia, na Natal de agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ayrton Alves Badriyyah e Victor H Azevedo, ao longo de um ano, trabalharam na sele\u00e7\u00e3o dos nomes, na capta\u00e7\u00e3o dos poemas e na produ\u00e7\u00e3o artesanal do livro, em edi\u00e7\u00e3o cartonera, com a finalidade de torn\u00e1-lo mais acess\u00edvel ao p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de 144 p\u00e1ginas; Murilo Zatu, Olga Hawes, Jos\u00e9 Zap\u00edski, Ana Mendes, Ian Itaja\u00ed, Gabrielle Dal Molin, Caroline Santos, Ma\u00edra Dal\u2019Maz, Igor Barbo\u00e0, Maluz, Ionara Souza, Pedro Lucas, Folha Joice, Jota Momba\u00e7a, Gessyka Santos, Ayrton Alves Badriyyah, victor H Azevedo e Ful\u00f4; escrevem sobre tudo, a partir da percep\u00e7\u00e3o oferecida ou dissolvida por essa cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foto: Franklin Jorge<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gente conhece N\u00edsia Floresta, Auta de Souza, Ferreira Itajub\u00e1 e dentre outros. 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