{"id":2003,"date":"2018-02-26T00:00:00","date_gmt":"2018-02-26T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=2003"},"modified":"2018-02-26T00:00:00","modified_gmt":"2018-02-26T03:00:00","slug":"80-das-pessoas-nao-sentem-seguras-na-ponte-de-igapo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/80-das-pessoas-nao-sentem-seguras-na-ponte-de-igapo\/","title":{"rendered":"80% das pessoas n\u00e3o sentem seguras na Ponte de Igap\u00f3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Constru\u00edda h\u00e1 mais de 100 anos, a Ponte de Igap\u00f3 \u00e9 um dos mais famosos acessos para os bairros da zona Norte, onde carros, \u00f4nibus, pedestres e trens circulam todos os dias. No entanto, os notici\u00e1rios apontam sobre as opera\u00e7\u00f5es policiais e troca de balas com os traficantes da comunidade do Mosquito, que fica as margens da estrutura ou da falta de reparos. Recentemente, uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte apontou que 79% das pessoas que trafegam no espa\u00e7o n\u00e3o se sente seguros de passar naquela regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Leia Tamb\u00e9m:<\/b><br \/>\n\u2022 <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2015\/09\/por-que-nao-utilizam-a-ponte-de-ferro-de-igapo\/\">Por que n\u00e3o utilizam a ponte de ferro de Igap\u00f3?<\/a><br \/>\n\u2022 <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2018\/01\/uma-tarde-de-verao-preso-em-um-tiroteio-em-natal\/\">Uma tarde de ver\u00e3o preso em um tiroteiro em Natal<\/a><\/p>\n<p>A pesquisa faz parte do rupo de Pesquisa de Din\u00e2micas Ambientais, Riscos e Ordenamento do Territ\u00f3rio (Georisco), vinculado ao Departamento de Geografia. O trabalho buscou identificar qual a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o potiguar frente ao risco de desastres tecnol\u00f3gicos na ponte e a real condi\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o do equipamento, com a aplica\u00e7\u00e3o de question\u00e1rio na internet e uma visita t\u00e9cnica com acompanhamento da Capitania dos Portos de Natal e da Marinha do Brasil, no dia 21 de mar\u00e7o de 2017. Os resultados do estudo foram apresentados \u00e0 Coordenadoria Estadual de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil (CEPDEC) durante o V SEM Desastres, semin\u00e1rio realizado pelo Georisco em outubro. O grupo, tamb\u00e9m, prepara um novo documento para encaminhamento ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a visita t\u00e9cnica, os pesquisadores constataram danos causadas pela a\u00e7\u00e3o natural do meio ambiente, pela aus\u00eancia de manuten\u00e7\u00e3o e pelo impacto de cargas que circulam na extens\u00e3o da ponte. Entre as rupturas identificadas est\u00e3o a desagrega\u00e7\u00e3o do concreto, a oxida\u00e7\u00e3o dos pilares e algumas perfura\u00e7\u00f5es nas estacas de funda\u00e7\u00e3o. A din\u00e2mica da mar\u00e9 e agentes externos como aumento da salinidade, eros\u00f5es fl\u00favio-marinha e e\u00f3lica, al\u00e9m das chuvas s\u00e3o, em grande parte, os fatores respons\u00e1veis pela corros\u00e3o das ferragens da estrutura e desagrega\u00e7\u00e3o do concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Erguida sobre o estu\u00e1rio do Rio Potengi, a Ponte de Igap\u00f3, cujo nome oficial \u00e9 Presidente Costa e Silva, \u00e9 a principal via de acesso da popula\u00e7\u00e3o da Zona Norte e de munic\u00edpios vizinhos, como Cear\u00e1-Mirim e Maca\u00edba, \u00e0s demais zonas da cidade de Natal. Constru\u00edda h\u00e1 47 anos, a estrutura de concreto armado n\u00e3o passa por reparos h\u00e1 27 anos. Embora a cidade conte hoje com um novo equipamento, a Ponte Newton Navarro, que liga os bairros de Redinha e Santos Reis, a Ponte de Igap\u00f3 continua sendo muito utilizada, atendendo a um grande fluxo de transporte de passageiros. Pelo tempo que foi constru\u00edda, j\u00e1 foi alvo de especula\u00e7\u00f5es sobre um poss\u00edvel desabamento, devido ao desconhecimento de reformas na estrutura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relat\u00f3rios do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) tamb\u00e9m foram utilizados para sustentar a pesquisa. \u201cA ponte de Igap\u00f3 opera em uma capacidade de carga muito maior do que a prevista em seu projeto. Isso implica diretamente nos desgastes das estruturas, que tamb\u00e9m sofrem influ\u00eancia de agentes naturais erosivos\u201d, explica Jhonathan Lima, um dos pesquisadores do projetos em entrevista para UFRN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o das pessoas sobre o equipamento, o estudo foi realizado com 289 que responderam \u00e0 pesquisa por meio de question\u00e1rio online e 100% dos entrevistados disseram acreditar que n\u00e3o ocorre nenhum tipo de manuten\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica na ponte. Os resultados tamb\u00e9m apontam que 79% n\u00e3o se sentem seguros ao cruzarem o trecho de pouco mais de 500 metros e 88% declararam que j\u00e1 pensaram na possibilidade de desabamento da estrutura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos participantes da pesquisa, 56% residem na Zona Norte de Natal, 22% na Zona Sul, 13% s\u00e3o de munic\u00edpios vizinhos, 7% vivem na Zona Oeste e 2% moram na Zona Leste da cidade. Destes, 80% afirmaram que seriam prejudicados em uma poss\u00edvel interdi\u00e7\u00e3o da ponte, o que demonstra a import\u00e2ncia da edifica\u00e7\u00e3o para Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura tem 606 metros de extens\u00e3o, 12,6 de largura e recebe um fluxo de 37 linhas de \u00f4nibus municipais, 14 linhas de \u00f4nibus interurbanos, 13 viagens di\u00e1rias de trem, al\u00e9m do tr\u00e1fego de aproximadamente 60 mil ve\u00edculos diariamente. A \u00faltima manuten\u00e7\u00e3o foi realizada em 1990, segundo o DNIT. Os resultados da pesquisa foram apresentados no IV Congresso Internacional de Riscos, Preven\u00e7\u00e3o e Seguran\u00e7a, na cidade de Coimbra, em Portugal, de 23 a 26 de maio de 2017 e no II Congresso Brasileiro de Redu\u00e7\u00e3o de Riscos e Desastres, no Rio de Janeiro, realizado de 11 a 14 de outubro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os pesquisadores, a falta de um Sistema de Gest\u00e3o aumenta a vulnerabilidade das estruturas da ponte, que somada ao perigo dos agentes naturais do ambiente e ao aumento do fluxo de carga, tornam maior a exposi\u00e7\u00e3o ao risco de desastres nas estruturas. Dentro do sistema proposto \u00e9 apontada a necessidade de aquisi\u00e7\u00e3o de dados peri\u00f3dicos sobre a estrutura, estudos geot\u00e9cnicos e a capacita\u00e7\u00e3o de um corpo t\u00e9cnico para vistorias e reparos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA falta de manuten\u00e7\u00e3o cria sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. Consideramos importante a preven\u00e7\u00e3o dessas estruturas\u201d, explicou Lutiane Almeida, coordenador do Georisco, grupo respons\u00e1vel pela pesquisa. Ele apontou, ainda, a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de sistemas de monitoramento para evitar acidentes e desastres. Apesar dos indicadores de vulnerabilidade, o grupo alerta que a ponte n\u00e3o corre o risco de cair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira ponte sobre o rio, a Ponte de Ferro, existe h\u00e1 um s\u00e9culo e, embora esteja sobre ru\u00ednas, resiste ao tempo e embeleza o estu\u00e1rio do Potengi, no trecho de quem entra e sai da Zona Norte de Natal. O equipamento foi constru\u00eddo pelos ingleses, em 1916, para suprir a demanda do fluxo ferrovi\u00e1rio, impulsionando o setor exportador das commodities, base da economia extrativista do estado. Naquela \u00e9poca, at\u00e9 meados de 1950, o trem era o principal meio de transporte e servia para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar vinda de Cear\u00e1-Mirim e da produ\u00e7\u00e3o do sal da cidade de Macau para o porto de Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o aumento da frota automobil\u00edstica, o monumento de ferro foi desativado em 1970 e edificada uma segunda ponte sobre o rio, desta vez de concreto armado, batizada de Presidente Costa e Silva e conhecida popularmente como Ponte de Igap\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, em 1988, a \u00faltima parte (sentido Centro-Zona Norte) foi edificada, aumentando a mobilidade, ganhado status de rodoferrovi\u00e1ria. A ponte de Igap\u00f3 continua sendo at\u00e9 hoje a principal via de acesso da zona norte \u00e0s demais zonas da cidade. Depois dela, est\u00e1 a ponte Newton Navarro, inaugurada em 2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Constru\u00edda h\u00e1 mais de 100 anos, a Ponte de Igap\u00f3 \u00e9 um dos mais famosos acessos para os bairros da zona Norte, onde carros, \u00f4nibus, pedestres e trens circulam todos os dias. 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