{"id":1989,"date":"2018-03-08T00:00:00","date_gmt":"2018-03-08T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=1989"},"modified":"2018-03-08T00:00:00","modified_gmt":"2018-03-08T03:00:00","slug":"seu-nome-e-janaina-jornalista-editora-e-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/seu-nome-e-janaina-jornalista-editora-e-trans\/","title":{"rendered":"Seu nome \u00e9 Jana\u00edna: jornalista, editora e trans"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\"><em>Nesta quinta-feira, 8 de mar\u00e7o de 2018, vamos dedicar mat\u00e9rias em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. A data est\u00e1 ligada, principalmente, ao fato de centenas de mulheres terem morrido carbonizadas em um inc\u00eandio numa f\u00e1brica t\u00eaxtil dos EUA em 1857, quando protestavam por melhores condi\u00e7\u00f5es trabalhistas. Como o blog n\u00e3o nasceu para ser fofo, n\u00e3o vamos entregar flores ou chocolates. Vamos mostrar luta! Mulheres que matam um le\u00e3o por dia contra a sociedade patriarcal. A primeira mat\u00e9ria \u00e9 sobre Jana\u00edna Lima, que al\u00e9m de lutar contra o machismo, tamb\u00e9m batalha para acabar com a LGBTfobia, sabendo que o pa\u00eds ainda \u00e9 um dos que mais mata a popula\u00e7\u00e3o trans e poucas <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2016\/11\/por-que-o-tempo-de-vida-dos-trans-e-muito-pouco\/\">passam dos 30 anos<\/a>. Mesmo assim, Jana\u00edna \u00e9 feliz e est\u00e1 mostrando que tem muita luta.<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira vez que conheci a Jana\u00edna foi na milit\u00e2ncia pol\u00edtica, apesar de nunca ter participado de grupos estudantis, eu achava interessante ouvir os debates dentro dos corredores do Setor II. Ela ainda n\u00e3o era a Jana\u00edna e mesmo assim era bem atrevida na Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mal tinha chegado no primeiro per\u00edodo e j\u00e1 via logo os defeitos do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o Social, participara do Centro Acad\u00eamico e depois se tornou integrante do Levante Popular da Juventude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando entrei no curso, eu senti muito falta de um verdadeiro debate pol\u00edtico, comentar sobre o Povo Brasileiro e questionar o capitalismo, que tem em outros (cursos) de humanas, como Ci\u00eancias Sociais. Todo semestre pensava em trancar&#8221;, contou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a persona Jana\u00edna Lima sempre existiu e a mesma afirma isso, s\u00f3 que precisou de uma metamorfose para poder ser apresentada \u00e0 sociedade. Assim como um lagarto ao se transformar em uma borboleta. Um girino em sapo. Foi na pr\u00f3pria milit\u00e2ncia que ela viu a import\u00e2ncia de lutar \u00e0s causas a favor das mulheres e LGBT (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mesmo ainda n\u00e3o assumindo para a sociedade como uma pessoa trans, eu sempre defendi a import\u00e2ncia de combater a LGBTfobia e o machismo, principalmente na imprensa&#8221;, relatou \u00e0 jovem em entrevista para o\u00a0<strong>Brechando<\/strong>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19263\" aria-describedby=\"caption-attachment-19263\" style=\"width: 653px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/5FF42DCF-7EF7-4281-890C-F6708C7DDB62.jpeg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19263\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/5FF42DCF-7EF7-4281-890C-F6708C7DDB62.jpeg\" alt=\"\" width=\"653\" height=\"490\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19263\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Estou aprendendo a amar o jornalismo&#8221;, disse Jana\u00edna (Foto: Lara Paiva)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela n\u00e3o se via como uma rep\u00f3rter, muito menos uma editora. Mas \u00e9 editora da sucursal do RN do jornal Brasil de Fato, com uma tem\u00e1tica mais socialista e que tenta fornecer uma voz para os trabalhadores, representados atrav\u00e9s do sindicatos e pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Achava que iria estudar e trabalhar como militante a favor dos direitos humanos, a vida , por\u00e9m, me fez ser editora de jornal. Estou aprendendo a amar essa fun\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Jana\u00edna Lima, considerada a primeira editora de jornal transexual no Brasil e \u00e9 natural de Natal-RN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela comanda uma equipe formada por pessoas experientes na luta pol\u00edtica, estudantes, acad\u00eamicos e dentre outros. A primeira edi\u00e7\u00e3o da sucursal potiguar saiu em fevereiro desse ano e j\u00e1 tem o discurso como editora. &#8220;Eu quase morri, quando vi que a primeira edi\u00e7\u00e3o apareceu com erro, quase matei o diagramador (risos), porque a gente queria que ficasse duas linhas. A gente escreve por aqui e imprime na matriz em Recife. Eu estou aprendendo a gostar de ser uma jornalista, \u00e9 um reaprendizado e gosto de ser desafiada&#8221;, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, o seu sonho \u00e9 que mais mulheres e homens trans trabalhem na \u00e1rea, n\u00e3o s\u00f3 no jornalismo, mas tamb\u00e9m em todas as \u00e1reas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Infelizmente, eu conhe\u00e7o apenas o trabalho de Carol Marra, que \u00e9 modelo e jornalista trans. Eu sei que tem um rapaz trans que \u00e9 formado em R\u00e1dio e TV na UFRN, no qual gostaria bastante ter um bate-papo. Mas jornalista vinda de universidade p\u00fablica, acho que tem apenas eu, quero que outras surgem, lutem nos Centros Acad\u00eamicos e que estejam trabalhando&#8221;, comentou a jovem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, como tudo come\u00e7ou? Como ela descobriu ser transg\u00eanero? Trans vem do termo transg\u00eanero. Refere-se aquelas pessoas cuja express\u00e3o social ou identidade de g\u00eanero difere daquela tipicamente associada ao g\u00eanero que lhes foi atribu\u00eddo no nascimento (transexualidade). Tamb\u00e9m designa pessoas que n\u00e3o se identificam com as no\u00e7\u00f5es convencionais de homem ou mulher, combinando ou alternando as duas identidades de g\u00eanero (n\u00e3o-bin\u00e1rio). Jana\u00edna disse que sempre sentiu apre\u00e7o pelo universo feminino, em vestir roupas femininas, brincar de boneca e dentre outras atividades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s ter acesso ao computador, na adolesc\u00eancia, ela foi pesquisar o que sentia e come\u00e7ou a conhecer o universo trans. &#8220;Hoje o acesso para as pessoas j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil, h\u00e1 10 anos isso era pior. Ent\u00e3o, eu achei uma comunidade no Orkut, no qual as pessoas se comunicavam aonde pegar os horm\u00f4nios, procedimentos para mudar o nome e dentre outras coisas. Me davam dicas, explicavam todo o procedimento. Mas, eu achei melhor esperar entrar na universidade e ter uma independ\u00eancia financeira para come\u00e7ar. Sempre quis fazer comunica\u00e7\u00e3o, pois queria fazer um curso que pudesse me expressar e eu sempre fui bem falante. Inicialmente, eu queria trabalhar com moda e cultura.&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que entrou na faculdade, ela viu que a independ\u00eancia iria demorar mais um pouco e isso a incomodava, foi ent\u00e3o que conseguiu desabafar com os colegas sobre os seus sentimentos. &#8220;A primeira pessoa que falei da minha condi\u00e7\u00e3o foi um amigo na minha sala de aula e ele foi o que mais encorajou a fazer transi\u00e7\u00e3o. Depois juntos fomos ao Levante Popular e somos amigos at\u00e9 hoje&#8221;, relembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jana\u00edna se transformou em borboleta no final da faculdade, onde teve o direito de utilizar o seu nome social e terminou seu Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC) baseado sobre a educomunica\u00e7\u00e3o, tem\u00e1tica que trata a rela\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em ambiente escolar, no qual a sua \u00faltima bolsa era sobre a montagem de uma r\u00e1dio escola nos col\u00e9gios p\u00fablicos do estado, onde pode viajar por todo Nordeste e conhecer v\u00e1rias ONGs que trabalham com o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Durante esses cinco anos de faculdade, eu sempre fugi do jornalismo em si, fiquei trabalhando com bolsas de pesquisa relacionados aos trabalhos sociais, indo para assentamentos, escolas e dentre outros lugares onde n\u00e3o existe o acesso ao poder p\u00fablico. Hoje vejo que \u00e9 poss\u00edvel fazer Comunica\u00e7\u00e3o Social sem precisar entrar no mercado formal de trabalho e fazer a sua pr\u00f3pria estrada&#8221;, contou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora o pr\u00f3ximo passo \u00e9 tentar estudar o mestrado e pensa em pesquisar sobre op\u00e7\u00f5es de m\u00eddias alternativas para combater a hegem\u00f4nica. &#8220;Quero me inscrever como aluna especial&#8221;. Nesta semana, ela conseguiu o direito de assistir as aulas para a turma de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o dia 8 de mar\u00e7o, Jana\u00edna Lima quer que as mulheres ainda lutem por mais representatividade no mercado, inclusive as mulheres trans. Segundo a jovem, o Dia Internacional da Mulher \u00e9 um momento para ser debatido nas universidade, escolas e, inclusive, ambiente de trabalho. &#8220;N\u00f3s jornalistas precisamos dialogar com a comunidade sobre o Dia Internacional da Mulher. Aqui no Brasil De Fato ter\u00e1 uma edi\u00e7\u00e3o especial sobre o que \u00e9 ser mulher neste Brasil que estamos passando, al\u00e9m de compreender o que \u00e9 ser mulher.&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a Jana\u00edna disse que precisa mostrar a import\u00e2ncia da identidade de g\u00eanero e como isso \u00e9 uma luta importante. &#8220;Estamos sujeitos \u00e0 viol\u00eancia o tempo todo, principalmente por apresentar uma imagem contr\u00e1ria o que a sociedade patriarcal quer mostrar diariamente&#8221;, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta-feira, 8 de mar\u00e7o de 2018, vamos dedicar mat\u00e9rias em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. A data est\u00e1 ligada, principalmente, ao fato de centenas de mulheres terem morrido carbonizadas em um inc\u00eandio numa f\u00e1brica t\u00eaxtil dos EUA em 1857, quando protestavam por melhores condi\u00e7\u00f5es trabalhistas. 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